Na manhã de 15 de outubro de 2024, o ex‑presidente Donald Trump criticou publicamente os magistrados da Suprema Corte dos Estados Unidos que ele próprio indicou. A crítica veio logo depois de a Corte rejeitar um pedido que visava dificultar ainda mais o envio de cédulas pelo correio, medida central da agenda de Trump para as próximas eleições.
Reação de Trump e contexto da decisão
Em post nas redes sociais, Trump descreveu a decisão como “horrível” e “altamente política”, acusando a Corte de estar sob pressão da esquerda radical. Segundo o líder republicano, os juízes nomeados por ele se tornaram “uma sombra do que eram originalmente”.
A Suprema Corte, em decisão de um parágrafo, negou o pedido do Departamento de Justiça para revogar a ordem de uma juíza federal que havia bloqueado parte da implementação de um decreto presidencial sobre o voto por correio. Dois juízes conservadores, Samuel Alito e Clarence Thomas, discordaram da maioria e sugeriram que o governo de Trump teria boas chances de vencer em recurso.
Detalhes da ordem executiva e as novas regras do correio
A ordem executiva assinada por Trump em março determinava que o governo federal criasse listas de eleitores aptos a votar e que priorizasse investigações contra autoridades que supostamente distribuíssem cédulas a eleitores inelegíveis. O Departamento de Justiça recebeu a missão de fiscalizar o cumprimento dessas diretrizes.
No mês anterior, o Serviço Postal dos EUA publicou regras específicas para operacionalizar a medida. Entre as exigências estavam:
- Fornecimento, pelos estados, de listas de eleitores que receberam cédulas pelo correio;
- Uso de códigos de barras padronizados nos envelopes de envio e devolução;
- Procedimentos de rastreamento mais rigorosos para cada cédula enviada.
Trump tem repetidamente afirmado que o voto por correio é vulnerável a fraudes, embora não existam evidências de fraude generalizada nas eleições americanas. Em um evento em Memphis, Tennessee, ele declarou que “votar pelo correio significa fraudar pelo correio” e que medidas drásticas seriam necessárias.
Impactos políticos e críticas ao movimento
A campanha contra o voto por correio faz parte do chamado “Save America Act”, iniciativa que busca endurecer as regras de identificação de eleitores. A justificativa oficial é impedir suposta participação ilegal, sobretudo de imigrantes que, segundo a administração, favoreceriam os democratas.
Especialistas apontam que a fraude por falsidade ideológica de eleitor é quase inexistente nos EUA. Eles denunciam as novas regulamentações como tentativa de supressão de votos, afetando principalmente minorias, idosos, estudantes e pessoas de baixa renda, que têm menos acesso a documentos exigidos.
O impacto político é significativo porque eleitores democratas historicamente utilizam o voto por correio com maior frequência que republicanos. Restringir esse método poderia alterar o resultado de disputas eleitorais, especialmente nas eleições de meio de mandato previstas para 3 de novembro de 2024.
Perspectivas para as eleições de meio de mandato
Com cerca de 30% das cédulas da eleição presidencial de 2024 enviadas pelo correio, a disputa sobre a validade e a segurança desse mecanismo ganha ainda mais relevância. Os partidos já mobilizam recursos para adaptar suas estratégias de campanha ao cenário regulatório.
Os democratas prometem defender o voto por correio como direito fundamental, enquanto os republicanos continuam pressionando por restrições mais rígidas. O debate deverá se intensificar nos tribunais inferiores, que poderão receber novos recursos contra as regras do Serviço Postal.
Enquanto isso, Trump não hesita em usar o próprio sistema de voto por correio para registrar sua preferência em eleições locais na Flórida, demonstrando a contradição entre sua retórica e prática pessoal.
Analistas preveem que a questão do voto por correio permanecerá no centro das discussões eleitorais até o dia da votação, podendo influenciar não apenas o resultado de 2024, mas também o futuro das reformas eleitorais nos Estados Unidos.








