Em discurso realizado na noite de segunda‑feira, 20 de outubro de 2026, no Kansas, o ex‑presidente Donald Trump advertiu que os Estados Unidos podem enfrentar um cenário de caos semelhante ao que vivencia a França caso os democratas triunfem nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro.
Contexto político e as eleições de meio de mandato
As chamadas midterms, ou eleições de meio de mandato, são um referendo crucial para o controle do Congresso dos EUA. Elas acontecem a cada quatro anos, entre os ciclos presidenciais, e costumam definir a agenda legislativa dos próximos dois anos. Em 2026, a disputa está acirrada, com os republicanos tentando preservar a maioria na Câmara e no Senado, enquanto os democratas buscam reconquistar cadeiras perdidas nas últimas eleições.
No cenário nacional, o presidente eleito, Joe Biden, já havia sinalizado que pretende avançar com reformas fiscais e de saúde, o que tem gerado preocupação entre eleitores conservadores. Ao mesmo tempo, a guerra no Irã e o aumento dos preços de combustíveis têm alimentado um clima de insatisfação que os republicanos pretendem explorar nas urnas.
A fala de Trump e a analogia com a França
Durante o comício em apoio ao senador republicano Roger Marshall, Trump citou os protestos violentos que têm assolado a França nas últimas semanas. Ele descreveu cenas de incêndios em torres de igrejas e saques nas ruas, afirmando que “não vamos deixar que isso aconteça com este país”.
Segundo Trump, o que ele chamou de “Dumocratas” radicais pretendem transformar os EUA em um ambiente de “queimadas” e caos social, semelhante ao que ele descreveu como acontecendo na Europa. O ex‑presidente não apresentou dados ou evidências concretas para sustentar a comparação, mas utilizou a retórica como parte de sua estratégia de mobilização.
- Protestos franceses: manifestações contra o custo de vida e cortes nos serviços públicos;
- Incêndios em edifícios religiosos: relatos de torres de igrejas em chamas;
- Saques e tumultos: episódios de violência nas grandes cidades.
Ao ligar esses fatos à política interna dos EUA, Trump buscou criar um senso de urgência entre seus apoiadores, sugerindo que a vitória democrata seria o gatilho para um descontrole social.
Reação dos candidatos locais e do eleitorado do Kansas
O evento foi realizado em Kansas, um estado tradicionalmente conservador que não elege um democrata para o Senado há quase um século. Roger Marshall, senador republicano em seu primeiro mandato, enfrenta a candidatura de Adam Hamilton, pastor de uma megaigreja metodista, que tem criticado a agenda tarifária proposta por Trump.
Em resposta ao discurso de Trump, Marshall reiterou seu apoio ao presidente e acusou os democratas de promover políticas que “fariam os americanos se arrependerem de nascer brancos”. Hamilton, por sua vez, condenou a retórica inflamatória e defendeu a necessidade de políticas sociais mais inclusivas.
O eleitorado de Kansas demonstrou reações mistas: enquanto parte da população abraçou a mensagem de “defesa da nação”, outra parcela expressou preocupação com a escalada de discurso de ódio e com a possibilidade de que tais declarações possam incitar violência real.
Impactos e críticas à retórica
Organizações de direitos humanos e grupos civis rapidamente repudiaram as declarações de Trump, apontando que a linguagem anti‑imigrante e antimuçulmana tem sido usada repetidamente para legitimar discriminação. Eles alertam que a normalização desse tipo de discurso pode encorajar atos de intolerância e agressões contra minorias.
Especialistas em comunicação política ressaltam que a estratégia de “alarme” costuma ser eficaz para mobilizar bases eleitorais, mas pode gerar polarização profunda e dificultar o diálogo nacional. Eles recomendam que candidatos e líderes evitem comparações sensacionalistas que carecem de fundamento factual.
- Grupos de direitos civis: denunciam a retórica como “normalização da discriminação”;
- Especialistas em comunicação: alertam sobre os riscos de polarização excessiva;
- Eleitores moderados: demonstram cansaço frente a discursos de medo.
Com as eleições de meio de mandato se aproximando, a disputa no Kansas pode servir como termômetro para a eficácia da estratégia de Trump. Caso os republicanos mantenham a maioria, a retórica de “queimar” pode perder força; se os democratas avançarem, a narrativa de ameaça pode ser reforçada por seus defensores.
Independentemente do resultado, a campanha de 2026 já evidencia como questões internacionais – como os protestos na França – são incorporadas ao discurso interno, transformando eventos externos em armas políticas para influenciar o voto interno.








