Na terça‑feira, 22 de novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu ao palco da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, para apresentar um discurso marcado por tom eleitoreiro. A fala ocorreu poucos dias antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro, quando cerca de metade do Congresso será renovada.
Discurso na ONU: mensagens e retórica
Trump começou seu discurso exaltando conquistas nas áreas de economia, imigração e segurança, afirmando que a nação havia passado de “era sombria” para uma “era de ouro”. Segundo ele, as fronteiras americanas são agora as mais seguras do mundo, com nenhum imigrante ilegal admitido nos últimos 16 meses.
O presidente reforçou a ideia de que a política de fronteiras foi implementada por “pessoas muito sofisticadas”, embora tenha negado qualquer envolvimento direto de sua administração nos números apresentados. Essa narrativa, porém, contrasta com dados de agências de imigração que apontam fluxos irregulares ainda significativos.
Ao abordar a guerra no Oriente Médio, Trump justificou a continuação do conflito como forma de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Ele apresentou duas opções hipotéticas: um acordo que permitiria ao Irã reconstruir e crescer ou a “aniquilação” da República Islâmica, reforçando o discurso de ameaça militar.
Contexto político interno e queda de aprovação
Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos, divulgada em 21 de novembro, mostrou que a aprovação de Trump recuou para 32%, o menor patamar de sua carreira presidencial. Ao mesmo tempo, 44% dos eleitores disseram que votariam em candidatos democratas nas próximas midterms, contra 37% que apoiariam republicanos.
Esse cenário reflete um descontentamento crescente com a gestão econômica. Apesar da promessa de manter a inflação sob controle, os preços da gasolina subiram mais de 40%, arrastando o custo de alimentos e outros insumos. A Moody’s Analytics estimou que a guerra no Oriente Médio já custou cerca de US$ 1.000 por domicílio americano desde fevereiro.
Em um comício em Nova Iorque no mês anterior, Trump justificou o aumento nos preços da gasolina ao dizer que pagar “um pouquinho a mais” valia para impedir que um país “muito maligno” possuísse armas nucleares. Essa argumentação ecoou em seu discurso na ONU, onde ele vinculou a política externa à segurança nacional.
Impactos da guerra e perspectivas econômicas
A ofensiva militar iniciada por ataques americanos e israelenses contra o Irã em fevereiro provocou o fechamento temporário do Estreito de Ormuz, interrompendo cerca de um quinto do comércio global de petróleo. Essa interrupção elevou os preços internacionais do crú e reverberou nos mercados domésticos dos EUA.
Além do impacto direto nos preços de combustíveis, a guerra gerou incerteza nos investimentos e na cadeia de suprimentos. Empresas do setor de energia relataram atrasos na entrega de equipamentos, enquanto o setor agrícola enfrentou custos mais altos de fertilizantes importados.
- Inflação ao consumidor acima de 7% em novembro;
- Desemprego estável em 4,2%, mas com aumento de vagas temporárias;
- Déficit comercial ampliado devido à queda nas exportações de bens de consumo.
Analistas apontam que, se o conflito se prolongar, os custos para os contribuintes americanos podem superar a estimativa atual, pressionando ainda mais a popularidade do presidente. Por outro lado, defensores da política externa de Trump argumentam que a pressão sobre o Irã pode forçar um acordo de desarmamento.
Em resumo, o discurso na ONU serviu como um palco para reforçar a narrativa de força e sucesso, ao mesmo tempo em que a realidade interna mostra sinais de desgaste político e econômico. Os próximos meses serão decisivos para determinar se a estratégia eleitoreira de Trump conseguirá reverter a tendência de queda nas pesquisas ou se o eleitorado continuará a buscar alternativas nas urnas.








