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Tragédia em mina de ouro artesanal no Sudão eleva número de mortos para 82

Um colapso em uma mina de ouro artesanal no sul do Sudão deixou dezenas de mortos na madrugada de 15 de maio, segundo informações de grupos paramilitares locais. O incidente ocorreu nas proximidades da cidade de El‑Nahud, em Kordofan Ocidental, e já contabiliza mais de oitenta vítimas fatais e cinquenta feridos. As equipes de resgate continuam trabalhando sob condições precárias para localizar possíveis sobreviventes.

Causas e contexto da mineração artesanal

A mineração de ouro em áreas informais tem se tornado uma alternativa de renda para milhares de sudaneses desde o início da guerra civil que eclodiu em abril de 2023. O conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (FAR) transformou o ouro em moeda de guerra, financiando a compra de armas e o sustento de milícias.

Essas operações são realizadas sem planejamento técnico, usando ferramentas simples como picaretas, baldes e bombas improvisadas. A falta de regulamentação e a escassez de inspeções de segurança criam um ambiente propício a acidentes graves.

Os poços de extração costumam ser escavados próximos uns dos outros, o que aumenta o risco de colapso em cadeia. Quando um túnel cede, a pressão se transmite aos vizinhos, provocando desabamentos simultâneos.

  • Escavações profundas sem suporte adequado;
  • Uso de explosivos improvisados para romper rochas;
  • Ausência de monitoramento geotécnico;
  • Concentração de trabalhadores em áreas vulneráveis.

Além disso, a instabilidade política dificulta a presença de órgãos de controle. As autoridades oficiais têm pouca capacidade de fiscalizar regiões controladas pelas FAR, que administram a mineração de forma paralela ao Estado.

Detalhes do colapso e resposta das autoridades

Na terça‑feira, 15 de maio, os poços da mina de Al‑Zaraa começaram a desabar repentinamente. Testemunhas relataram que o chão tremeu e grandes blocos de terra caíram sobre os trabalhadores que ainda estavam na superfície.

Al‑Amin Suleiman, minerador que estava no local, descreveu a cena como “um terremoto de terra”. Segundo ele, os poços eram tão próximos que o desabamento de um imediatamente derrubou os vizinhos, aprisionando dezenas de pessoas sob os escombros.

A fonte anônima das FAR, que controla a região, informou que as equipes de resgate foram mobilizadas imediatamente, mas enfrentam sérias limitações. Ferramentas rudimentares, como pás e picaretas, são usadas para escavar os destroços, enquanto lanternas improvisadas iluminam os túneis escuros.

Os grupos paramilitares declararam que ainda há um número indeterminado de vítimas soterradas e que o número de mortos pode subir. A falta de equipamentos de salvamento avançados, como máquinas de corte hidráulico, dificulta a localização rápida de possíveis sobreviventes.

Organizações humanitárias internacionais solicitaram acesso à área para prestar assistência médica e psicológica, mas a insegurança no território tem retardado a chegada de ajuda especializada.

Impactos humanos e econômicos

O saldo oficial aponta 82 mortos e 50 feridos, mas especialistas alertam que o número real pode ser maior, já que muitas famílias ainda não conseguiram registrar os desaparecidos. A perda de trabalhadores experientes afeta ainda mais a produção de ouro na região, que já é limitada.

Para as famílias das vítimas, o desastre significa a perda da principal fonte de renda. Em comunidades onde o desemprego é crônico, o ouro artesanal representa a única alternativa de sustento, ainda que arriscada.

O colapso também evidencia o ciclo vicioso da economia de guerra. O ouro extraído financia a compra de armamentos, perpetuando o conflito que, por sua vez, empurra mais pessoas para a mineração informal.

Além do impacto imediato, há consequências de longo prazo para a saúde pública. A exposição a poeira de sílica, mercúrio e outros contaminantes químicos pode gerar doenças respiratórias e neurológicas entre os sobreviventes.

O governo central, já fragilizado, tem dificuldade de responder de forma eficaz. Enquanto isso, as FAR continuam a exercer controle sobre a mineração, coletando parte dos lucros e usando-os para reforçar suas fileiras.

Analistas apontam que a solução passa por um acordo político que ponha fim ao conflito armado, seguido de políticas de regularização da mineração artesanal. Programas de formalização, treinamento em segurança e acesso a equipamentos adequados poderiam reduzir drasticamente a frequência de tragédias como esta.

Entretanto, a realidade no terreno mostra que, enquanto houver guerra, a mineração informal permanecerá como uma atividade de risco extremo, alimentando tanto a economia de guerra quanto o sofrimento humano.

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