A NASA lançou neste domingo, 30 de outubro, o telescópio espacial Roman, partindo do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX. A missão tem como objetivo principal criar um novo Atlas do Universo e investigar os maiores mistérios da física, como a matéria e a energia escuras. O lançamento foi transmitido ao vivo para o público mundial.
Lançamento e detalhes da missão
O foguete Falcon Heavy decolou às 7h26 (horário local), equivalente a 8h26 em Brasília, carregando o observatório de mais de doze metros de altura. O veículo seguiu a trajetória prevista e, após cerca de dois minutos, atingiu a velocidade de escape necessária para se afastar da gravidade terrestre.
A NASA estimou que o Roman levará aproximadamente 100 dias para alcançar sua órbita de operação, situada a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, no ponto de Lagrange L2. Essa posição oferece um ambiente estável, livre das interferências da atmosfera e da radiação solar direta.
O custo total do projeto ultrapassou quatro bilhões de dólares, equivalentes a cerca de 20,7 bilhões de reais, refletindo mais de uma década de desenvolvimento e colaboração internacional.
Objetivos científicos do Roman
O principal objetivo do telescópio é mapear vastas áreas do céu com um campo de visão mais de 100 vezes maior que o do Hubble, permitindo a detecção de milhares de exoplanetas e dezenas de milhares de supernovas.
- Mapear mais de 2000 graus quadrados do céu com alta sensibilidade;
- Detectar até 30 mil exoplanetas em zonas habitáveis;
- Registrar dezenas de milhares de explosões de supernovas;
- Medir a distribuição da matéria escura em larga escala;
- Contribuir para a compreensão da energia escura.
Além disso, o Roman buscará respostas sobre a natureza da matéria escura, que atua como uma “cola gravitacional” entre galáxias, e da energia escura, responsável pela aceleração da expansão cósmica.
A capacidade infravermelha do instrumento permitirá observar a luz de objetos que se formaram há bilhões de anos, oferecendo uma janela para o passado remoto do universo.
Com esses dados, os cientistas poderão construir o maior catálogo de objetos astronômicos já compilado, facilitando a comparação de sistemas solares semelhantes ao nosso.
Tecnologia e colaboração com outros observatórios
O Roman foi projetado para operar em conjunto com o Telescópio Espacial James Webb, que fornece maior potência e resolução em comprimentos de onda específicos.
Enquanto o Webb foca em observações detalhadas de alvos individuais, o Roman cobre áreas extensas do céu, complementando as descobertas e otimizando o uso dos recursos de ambas as missões.
O observatório utiliza sensores de alta sensibilidade capazes de registrar feixes de luz extremamente fracos, graças a um espelho primário de 2,5 metros de diâmetro e a um sistema de controle de temperatura avançado.
A missão também conta com apoio de agências espaciais europeias e japonesas, que fornecem componentes críticos para o sistema de comunicação e para os módulos de processamento de dados.
Impactos esperados para a astronomia
Especialistas acreditam que o Roman transformará nossa compreensão da frequência de sistemas planetários semelhantes ao nosso, influenciando modelos de formação planetária.
A descoberta de novas supernovas ajudará a calibrar as escalas de distância cósmica, refinando estimativas da taxa de expansão do universo.
Ao mapear a distribuição da matéria escura, o telescópio poderá validar ou refutar teorias alternativas de gravitação que competem com a relatividade geral.
Em suma, o Roman representa um passo decisivo na era de observação de grande escala, consolidando a posição dos Estados Unidos como líder em exploração espacial.








