A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou, nesta segunda‑feira (19), o pedido de Khalid Sheikh Mohammed para revogar o acordo de culpabilidade firmado em 2025, mantendo o julgamento militar previsto para junho de 2028 em Guantánamo. O caso, que envolve o suposto mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, segue sem solução definitiva, apesar de décadas de investigações e processos judiciais.
Contexto do recurso e da decisão da Corte
A decisão da mais alta instância judicial americana foi tomada após a análise de um recurso que buscava anular a anulação anterior do acordo de culpabilidade. O recurso pretendia que o julgamento fosse transferido para um tribunal civil, afastando a jurisdição militar que tem sido alvo de críticas internacionais.
Os magistrados ressaltaram que o recurso não apresentou argumentos jurídicos suficientemente robustos para justificar a mudança de foro. Assim, o processo militar continuará, mantendo a possibilidade de pena de morte para os acusados, embora a prática tenha sido rara nos últimos anos.
Os acusados e os crimes imputados
Além de Khalid Sheikh Mohammed, o processo inclui três outros detidos que também participaram da elaboração e execução dos ataques de 11 de setembro:
- Walid ben Attash
- Mustafa al‑Hawsawi
- Ammar al‑Baluchi, também conhecido como Ali Abdul Aziz Ali
Todos são acusados de terrorismo e da morte de aproximadamente 3.000 pessoas nos ataques ao World Trade Center, ao Pentágono e ao voo 93. As acusações abrangem planejamento, financiamento, recrutamento e apoio logístico ao atentado.
Os quatro homens permanecem detidos na base militar de Guantánamo, em Cuba, desde que foram transferidos para lá após passarem por prisões secretas da CIA. Até o momento, nenhum deles foi julgado, pois o processo ficou paralisado por questões relacionadas à admissibilidade das confissões obtidas sob tortura.
Histórico de Khalid Sheikh Mohammed
Khalid Sheikh Mohammed nasceu em 1964 no Kuwait, em uma família de origem balúchi, e mudou‑se para os Estados Unidos aos 16 anos para estudar engenharia mecânica. Formou‑se em 1986 e, após concluir os estudos, retornou ao Oriente Médio, onde se envolveu com grupos jihadistas que combatiam a invasão soviética no Afeganistão.
Durante a década de 1990, Mohammed estreitou laços com a Al‑Qaeda e, em 1996, apresentou a Osama bin Laden um plano detalhado para sequestrar aviões comerciais e usá‑los como armas contra alvos estratégicos nos Estados Unidos. O projeto, inicialmente considerado complexo demais, foi refinado e aprovado entre o final de 1998 e o início de 1999, culminando nos ataques de 11 de setembro.
Em março de 2003, ele foi capturado em uma operação militar no Paquistão. A partir daí, foi transferido para diversas instalações secretas da CIA, incluindo uma prisão na Polônia, onde foi submetido a técnicas de interrogatório consideradas tortura. Em 2006, foi levado para Guantánamo, onde permanece aguardando julgamento.
Controvérsias jurídicas e políticas
O acordo de culpabilidade firmado em 2023, que poderia ter evitado a pena de morte para Mohammed e dois co‑acusados, foi anulado por um tribunal de apelações em julho de 2025. A decisão gerou intenso debate, sobretudo porque coincidiu com a campanha presidencial de 2024 nos Estados Unidos, levantando suspeitas de manipulação política.
A Justiça Militar, em agosto de 2026, declarou inadmissíveis as confissões de Mohammed obtidas durante as sessões de interrogatório na CIA, argumentando que a prática de tortura violava os direitos humanos e comprometia a validade das provas. Essa determinação reforçou a estagnação do processo, já que o Ministério da Justiça ainda não conseguiu apresentar evidências que atendam aos requisitos de admissibilidade.
Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, continuam a pressionar o governo americano para que o caso seja julgado em um tribunal civil, garantindo um processo transparente e em conformidade com os padrões internacionais.
Impactos e perspectivas futuras
A manutenção do julgamento militar tem implicações significativas tanto para o sistema jurídico dos EUA quanto para a percepção internacional sobre o tratamento de presos de guerra. Caso o julgamento ocorra como previsto em 2028, ele poderá servir de precedente para futuros processos envolvendo terroristas detidos em Guantánamo.
Por outro lado, a comunidade jurídica internacional observa atentamente a possibilidade de novos recursos que questionem a legitimidade das provas obtidas sob tortura. Se tais recursos forem aceitos, o caso pode ser novamente remetido a um tribunal civil, alterando drasticamente o rumo do processo.
Enquanto isso, as vítimas dos ataques de 11 de setembro e seus familiares permanecem aguardando justiça. A falta de um veredicto definitivo alimenta o sentimento de impunidade e reforça a necessidade de um sistema judicial que equilibre segurança nacional e respeito aos direitos humanos.
Em suma, a decisão da Suprema Corte de negar o recurso de Khalid Sheikh Mohammed mantém viva a controvérsia sobre como julgar os responsáveis pelos ataques que marcaram a história contemporânea dos Estados Unidos. O desfecho do julgamento militar será, sem dúvida, observado de perto por juristas, ativistas e cidadãos ao redor do mundo.








