A SpaceX realizou, na manhã de segunda‑feira, 28 de setembro, o décimo quarto voo da Starship, a maior nave espacial já construída, a partir de sua base no Texas. O lançamento, não tripulado, marcou a primeira vez que a Starship completou voltas completas ao redor do planeta. A missão foi acompanhada por imagens ao vivo que mostraram a Terra sob uma nova perspectiva.
Características da Starship e do lançador Super Heavy
A Starship mede cerca de 120 metros de altura e possui um diâmetro de 9 metros, dimensões que a tornam a maior espaçonave já desenvolvida para missões orbitais. Seu propulsor, o Super Heavy, contém 33 motores Raptor que geram força suficiente para deixar a atmosfera terrestre em menos de três minutos.
Ambos os estágios foram projetados para serem reutilizáveis, permitindo que o Super Heavy retorne ao Golfo do México para um pouso controlado, enquanto a Starship segue sua trajetória em alta velocidade. A reutilização reduz custos operacionais e abre caminho para lançamentos mais frequentes.
Roteiro da missão e número de órbitas
Após a separação do Super Heavy, a Starship entrou em uma órbita elíptica que a elevou a aproximadamente 275 km de altitude, significativamente acima dos 190 km das missões anteriores. Essa altitude maior garantiu um período orbital de cerca de 90 minutos, permitindo que a nave completasse seis voltas ao redor da Terra em quase dez horas de voo.
A trajetória foi planejada para que a nave cruzasse o território brasileiro pelo menos cinco vezes, oferecendo vistas inéditas do país e possibilitando a coleta de dados atmosféricos e de telemetria. Durante os primeiros 21 minutos, a tripulação de controle em terra recebeu imagens de alta resolução que mostraram continentes, oceanos e zonas climáticas.
- Separação do Super Heavy: ~3 minutos após a decolagem;
- Primeira inserção em órbita: 21 minutos após o lançamento;
- Altitude máxima alcançada: 275 km;
- Tempo total de voo: quase 10 horas;
- Passagens sobre o Brasil: 5 vezes.
Novos satélites Starlink a bordo
Além dos objetivos de voo, a missão transportou 26 satélites da nova geração do serviço de internet Starlink. Esses dispositivos incorporam antenas de alta capacidade e sistemas de propulsão elétrica que facilitam o posicionamento preciso na constelação.
Ao chegar à órbita de operação, os satélites foram liberados gradualmente, evitando colisões e garantindo que cada um siga sua rota de implantação. A adição desses 26 satélites eleva o número total da constelação para mais de 4 mil unidades, ampliando a cobertura de internet de alta velocidade em regiões remotas.
Implicações para o futuro das viagens espaciais
O sucesso deste voo demonstra que a Starship está pronta para missões de maior complexidade, como o transporte de carga e, eventualmente, de tripulação para a Lua e Marte. A capacidade de permanecer em órbita por quase dez horas abre possibilidades para experimentos científicos de longa duração e para a construção de plataformas habitáveis em órbita baixa.
Especialistas apontam que a reutilização rápida do Super Heavy e da Starship pode reduzir o custo por quilograma lançado a menos de 1.000 dólares, um marco que pode transformar a indústria espacial global. A SpaceX já anunciou planos para usar a Starship em missões de abastecimento da estação espacial e em projetos de turismo orbital.
Com a coleta de dados detalhados sobre a aerodinâmica, o consumo de combustível e a resistência dos materiais em voo prolongado, a empresa tem uma base sólida para otimizar futuros lançamentos. Cada missão como esta funciona como um laboratório em voo, acelerando o desenvolvimento de tecnologias que antes eram apenas conceitos.
Em síntese, o décimo quarto voo da Starship não apenas marcou um recorde de órbitas completas, mas também consolidou a plataforma como a espinha dorsal da próxima geração de exploração espacial. O mundo observa atentamente, pois cada passo da SpaceX traz o futuro da humanidade mais próximo das estrelas.








