Em entrevista ao programa VEJA em Foco, transmitido em 30 de outubro de 2026, o senador Alessandro Vieira (MDB‑SE) criticou a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil e assumir a oposição a partir dos Estados Unidos. O parlamentar, ex‑delegado de polícia, afirmou que a postura do filho do ex‑presidente é incompatível com a pretensão de comandar um movimento político nacional.
Motivações apresentadas por Flávio e a resposta de Vieira
Flávio Bolsonaro justificou sua fuga alegando perseguição política e a necessidade de preservar sua liberdade. Vieira rebateu que a narrativa não corresponde à realidade, apontando que o bolsonarismo ainda conta com representantes no Congresso e membros da família no território nacional.
Segundo o senador, “não dá para dizer que o Brasil é uma ditadura e que só posso falar se eu fugir do Brasil”. Ele enfatizou que a alegação de isolamento político não se sustenta diante da presença de uma bancada expressiva de parlamentares alinhados ao ex‑presidente.
Ausência de justificativa política para a saída
Vieira argumentou que não há fundamento político que justifique a partida de Flávio. O senador destacou que não é alvo de investigações motivadas por suas posições, ao contrário de suspeitas que rondam o próprio Flávio, como casos de lavagem de dinheiro e rachadinhas.
Ele também ressaltou que outros integrantes da família Bolsonaro e dirigentes partidários permanecem no Brasil, o que contradiz a ideia de que o ambiente político seja hostil a ponto de forçar uma fuga.
Críticas à carta de contestação eleitoral
Após deixar o país, Flávio divulgou uma carta contestando o resultado da eleição presidencial. Vieira classificou a primeira versão do documento, na qual o senador se autodenominava presidente eleito, como “vergonhosa”.
O parlamentar informou que a carta passou por alterações posteriores, mas admitiu desconhecer a versão mais recente. Ele considerou a tentativa de legitimar a vitória eleitoral através de uma declaração unilateral como grave e sem fundamento.
Separação entre contestação eleitoral e questionamentos jurídicos
Apesar das críticas, Vieira diferenciou a contestação do resultado eleitoral de eventuais questionamentos jurídicos sobre irregularidades na campanha. Ele reconheceu a legitimidade de discutir abusos de poder político, manipulação de algoritmos e suposta interferência estrangeira.
No entanto, o senador alertou que tais discussões não podem servir de pretexto para desconsiderar a vontade popular expressa nas urnas.
Impacto das decisões judiciais e avaliação final
Vieira também comentou a atuação dos ministros Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin, afirmando que, embora suas decisões não tenham alterado o resultado final, foram alvo de críticas por parte do senador.
Ao concluir sua avaliação, o parlamentar resumiu: “Isso não legitima essa coisa que o Flávio fez e, na minha visão, é lamentável”. Sua fala reforça a posição de que a fuga e a tentativa de liderar à distância não têm respaldo democrático.
Pontos principais destacados por Vieira
- Não existe liderança efetiva a partir do exterior.
- As alegações de perseguição política são infundadas.
- Existem representantes do bolsonarismo no Congresso e na família ainda no Brasil.
- Contestação eleitoral deve ser feita dentro dos trâmites legais.
- Decisões judiciais não mudaram o resultado da eleição.








