Um novo relatório da plataforma Omio, divulgado em 20 de junho de 2024, revelou como a busca por segurança, a fuga do calor intenso e o interesse pela Ásia estão remodelando as escolhas de viagem ao redor do mundo. O estudo, chamado NowNext, analisou as preferências de mais de 8 mil adultos em seis países, incluindo o Brasil, e trouxe dados que apontam para mudanças estruturais no comportamento dos turistas.
Segurança como prioridade nas decisões de viagem
Em meio a conflitos no Oriente Médio e à escalada da guerra na Ucrânia, a instabilidade geopolítica tornou‑se um fator decisivo na hora de escolher destinos. Setenta e cinco por cento dos entrevistados afirmaram que acontecimentos globais influenciam diretamente seus planos de viagem.
No Brasil, esse sentimento é ainda mais intenso: oitenta e quatro por cento dos respondentes disseram que a conjuntura internacional afeta suas decisões. Como consequência, trinta e seis por cento dos viajantes optam ativamente por destinos considerados seguros e estáveis.
- 75% dos viajantes globais consideram eventos mundiais nas escolhas de destino.
- 84% dos brasileiros sentem influência direta da política internacional.
- 36% buscam destinos com baixa instabilidade.
Esses números mostram que a percepção de risco está moldando itinerários, impulsionando o crescimento de destinos tradicionalmente vistos como “seguros”, como países da Europa Ocidental e algumas nações da América do Norte.
Coolcations: fugir do calor extremo
As mudanças climáticas também estão redefinindo a forma como as pessoas planejam férias. Setenta e seis por cento dos entrevistados globais relataram adotar ao menos uma medida de adaptação para evitar períodos de calor intenso.
Essa tendência, conhecida como “coolcations”, inclui estratégias como mudar a data da viagem, escolher destinos mais frios ou buscar altitudes elevadas. Entre as opções mais populares, 37% dos viajantes preferem remarcar a viagem para outra estação, enquanto 21% escolhem destinos de clima ameno.
- 37% adiam a viagem para outra época do ano.
- 21% buscam destinos frios ou de alta altitude.
- 76% adotam ao menos uma medida de adaptação climática.
Essas escolhas refletem a crescente preocupação com o conforto térmico e a busca por experiências que garantam bem‑estar durante a estadia.
Ásia como nova fronteira de exploração
Quando o assunto é cruzar continentes, a Ásia emergiu como a favorita dos viajantes. O continente capturou 18% da preferência global para viagens fora do país de origem, um salto significativo em relação aos 13% registrados em 2025.
Além disso, 46% dos entrevistados planejam visitar outro país dentro do próprio continente nos próximos doze meses, indicando um desejo de explorar regiões próximas antes de embarcar em viagens intercontinentais.
- 18% dos viajantes globais preferem destinos asiáticos fora do continente de origem.
- 13% em 2025 – crescimento de 5 pontos percentuais.
- 46% planejam viagens intra‑continentais.
Destinos como Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Vietnã estão no topo da lista, impulsionados por uma combinação de cultura vibrante, infraestrutura turística avançada e percepção de segurança relativa.
Viagens multimodais e controle de gastos
Quase metade dos viajantes (48%) consideram itinerários com múltiplas paradas, combinando diferentes meios de transporte dentro de uma mesma região. Essa preferência por viagens multimodais reflete o desejo de enriquecer a experiência, explorando várias cidades ou pontos de interesse em um único roteiro.
Ao mesmo tempo, 78% dos consumidores globais buscam estratégias para controlar os custos, como viajar na baixa temporada ou planejar com antecedência. No Brasil, esse comportamento é ainda mais acentuado: 88% dos entrevistados pretendem adotar medidas de economia.
- 48% planejam viagens com múltiplas paradas.
- 78% buscam controle de gastos globalmente.
- 88% dos brasileiros adotam estratégias de economia.
Esses dados indicam que, apesar da preocupação financeira, os viajantes estão dispostos a investir em experiências personalizadas, especialmente quando motivados por paixões ou eventos específicos.
Diferenças geracionais e perfil brasileiro
O relatório também destaca variações marcantes entre gerações. No cenário mundial, a Geração Z lidera o planejamento antecipado (34%) e a redução de despesas (26%). No Brasil, porém, são os Baby Boomers que mais se antecipam nas reservas (39%) e reduzem custos (32%).
Além disso, embora a intenção de viajar seja semelhante entre brasileiros e estrangeiros (73%), o Brasil apresenta um entusiasmo maior: 18% dos brasileiros consideram viagens como prioridade máxima, o dobro da média global de 9%.
- Geração Z: 34% planejam com antecedência globalmente.
- Baby Boomers no Brasil: 39% reservam antecipadamente.
- 18% dos brasileiros colocam viagem como prioridade máxima.
Essas diferenças revelam como fatores culturais, econômicos e geracionais influenciam as escolhas de destino, a forma de planejamento e a disposição a gastar.
O futuro do turismo pós‑NowNext
Com base nas descobertas, especialistas apontam que o turismo continuará a se adaptar a três pilares principais: segurança, clima e curiosidade por novas regiões, especialmente a Ásia. As agências de viagem e plataformas de reserva já estão ajustando suas ofertas, promovendo destinos considerados seguros, criando pacotes de “coolcations” e desenvolvendo roteiros que combinam múltiplas cidades asiáticas.
Ao mesmo tempo, a pressão por controle de gastos deve estimular o surgimento de opções mais econômicas, como hospedagens alternativas, passes de transporte multimodal e promoções de baixa temporada. O desafio será equilibrar a demanda por experiências personalizadas com a necessidade de manter os custos sob controle.
Em suma, o relatório NowNext 2024 oferece um panorama detalhado das tendências que moldarão o turismo nos próximos anos, destacando a importância de entender o comportamento do viajante em um mundo cada vez mais volátil, quente e conectado.








