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Seca extrema em Sergipe deixa produtores rurais sem renda e animais morrendo

A seca que assolou o interior de Sergipe nos últimos meses provocou a declaração de estado de emergência em 11 municípios, deixando milhares de famílias sem água, pasto e, consequentemente, sem condições de manter seus rebanhos. O fenômeno, registrado entre junho e setembro de 2024, tem causado perdas irreparáveis na produção de leite e na subsistência de pequenos agricultores.

Impactos diretos na produção agropecuária

Os produtores de leite são os mais afetados, pois a falta de alimento reduz drasticamente o ganho de peso dos animais, comprometendo a quantidade e a qualidade do leite. Quando o gado não recebe nutrição adequada, o organismo entra em estado de catabolismo, levando à diminuição da produção e ao aumento da vulnerabilidade a doenças.

Em Poço Redondo, por exemplo, os riachos e açudes que antes abasteciam as propriedades secaram completamente. O produtor Cleiton Feitosa viu sua plantação de milho, principal fonte de forragem, desaparecer em poucos dias, deixando as vacas sem pasto suficiente para sobreviver.

Além da escassez de alimento, os custos com ração aumentaram em mais de 60% devido à alta demanda e à logística complicada nas áreas mais afetadas. Sem recursos para comprar ração, Cleiton foi forçado a vender 16 das 20 vacas que ainda possuía, preferindo reduzir o rebanho a assistir à morte lenta dos animais.

Outro caso emblemático é o de Genildo dos Santos, que precisou liquidar todo o seu rebanho de 26 vacas leiteiras. Antes da estiagem, o leite das vacas garantia a alimentação de sua família e gerava renda suficiente para pagar a escola dos filhos. Hoje, ele depende exclusivamente de um benefício social do governo para sobreviver.

Consequências sociais e econômicas nas comunidades rurais

A perda de animais tem efeito dominó nas economias locais. Quando um produtor deixa de produzir leite, não há apenas a diminuição da oferta de um alimento básico, mas também a queda nas receitas de comércio de derivados, como queijo e manteiga, que abastecem mercados e feiras da região.

José Valmir Gomes, que ainda mantém quatro vacas, relata que os animais permanecem magros e cada vez mais fracos. A única fonte de alimento que restou é a palma, que cobre apenas um mês de alimentação para o rebanho, tornando a situação insustentável a médio prazo.

  • Redução da renda familiar em até 80%;
  • Aumento da vulnerabilidade à fome e à desnutrição;
  • Desemprego temporário de trabalhadores rurais que dependem da atividade agropecuária;
  • Migração forçada de famílias para áreas urbanas em busca de apoio social.

Esses números refletem uma realidade que vai muito além da simples perda de animais; eles evidenciam uma crise humanitária que afeta crianças, idosos e mulheres, que muitas vezes são as primeiras a sentir a falta de recursos para alimentação e saúde.

Perspectivas e medidas de mitigação

Especialistas apontam que a falta de políticas públicas eficazes agrava o problema. Enquanto o governo estadual declara estado de emergência, a distribuição de água e alimentos para o gado ainda é limitada, e os programas de crédito para compra de ração chegam tarde demais para impedir a mortalidade em massa.

Organizações não‑governamentais têm atuado oferecendo kits de alimentação emergencial e treinamentos sobre manejo de pastagens alternativas, como o cultivo de forragens de rápido crescimento e a implantação de sistemas de captação de água da chuva. Contudo, a escala da necessidade supera a capacidade de resposta atual.

Para os produtores, a adoção de estratégias de diversificação pode ser um caminho de sobrevivência. Investir em culturas menos dependentes de grandes volumes de água, como leguminosas e tubérculos, pode garantir alguma renda enquanto o clima se estabiliza.

Além disso, a criação de cooperativas de produtores pode fortalecer a negociação coletiva por preços mais justos de ração e facilitar o acesso a linhas de crédito com juros reduzidos, mitigando o impacto financeiro da seca.

Em entrevista, o secretário de Agricultura de Sergipe ressaltou que o estado está avaliando a possibilidade de abrir um fundo emergencial para compra de alimentos para o gado e a instalação de bombas de água em pontos críticos. A expectativa é que essas medidas comecem a surtir efeito ainda no próximo trimestre, antes que o período de estiagem se encerre.

Entretanto, para que a região recupere sua produtividade, será necessário um esforço conjunto entre governo, iniciativa privada e sociedade civil, visando não apenas a resposta imediata, mas também a construção de um modelo de produção agropecuária mais resiliente às mudanças climáticas.

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