Na manhã de 17 de outubro de 2026, a loja Galeries Lafayette em Bordeaux foi invadida e saqueada durante as manifestações que se espalharam pela França. O incidente ocorreu na rua Saint‑Catherine, principal corredor comercial da cidade, e foi registrado por câmeras de segurança. Vários estabelecimentos vizinhos também foram alvos de depredações.
Contexto dos protestos em todo o país
O movimento começou em meados de setembro, quando estudantes de colégios nas periferias de Paris saíram às ruas para protestar contra a falta de professores e as condições precárias das escolas. Rapidamente, a reivindicação educacional se ampliou, incorporando críticas ao aumento dos preços de combustíveis, à alta do custo de vida e à percepção de que o Estado não está investindo suficientemente em serviços públicos.
Nas semanas seguintes, as manifestações ganharam força nas principais cidades, como Lyon, Marselha e Nantes, e passaram a contar com a participação de sindicatos, associações de consumidores e grupos de direita e esquerda. A diversidade de participantes dificultou a definição de um líder único, mas o ponto comum foi a insatisfação com as políticas econômicas do governo.
O presidente Emmanuel Macron, em seu último ano de mandato, viu seu apoio despencar em pesquisas, enquanto o primeiro‑ministro Sébastien Lecornu buscava equilibrar a necessidade de ordem pública com a pressão para atender às demandas sociais. O clima político interno ficou ainda mais fragmentado, com partidos de oposição explorando a crise para ganhar espaço no Parlamento.
Saques e depredações em Bordeaux
Na madrugada do sábado, grupos organizados de manifestantes romperam a entrada da Galeries Lafayette, utilizando ferramentas improvisadas para arrombar portas e vitrines. Testemunhas relataram que dezenas de indivíduos entraram no interior da loja, removendo mercadorias de luxo, eletrônicos e acessórios de moda.
Além da Galeries Lafayette, outras lojas da rua Saint‑Catherine foram alvos de violência. Entre os estabelecimentos citados pelos comerciantes, destacam‑se:
- Decathlon – loja de artigos esportivos.
- Intersport – rede de equipamentos de fitness.
- Apple Store – ponto de venda de produtos da Apple.
Os proprietários afirmam que os prejuízos ainda não foram totalmente calculados, mas estimam perdas de centenas de milhares de euros, tanto em mercadorias quanto em danos estruturais. A polícia local chegou ao local pouco depois da ocorrência, mas encontrou resistência de alguns manifestantes que permaneceram nas proximidades, exigindo a retirada de forças de segurança.
Os vídeos divulgados nas redes sociais mostraram cenas de fumaça, vidros quebrados e pessoas carregando sacolas cheias de produtos. A cobertura midiática destacou a gravidade do episódio, apontando que o saque em Bordeaux foi um dos mais violentos desde o início das manifestações.
Reação das autoridades e medidas de contenção
Na manhã de 18 de outubro, o Ministério do Interior informou que mais de 500 mil pessoas haviam participado de protestos em dezenas de cidades nas últimas 24 horas. O balanço de feridos incluiu mais de 500 policiais e um número ainda não confirmado de civis, além de um óbito registrado durante os confrontos.
Em resposta ao aumento da violência, o primeiro‑ministro Lecornu solicitou que prefeitos de cidades com protestos declarassem toque de recolher imediato. Embora não tenha especificado quais municípios deveriam adotar a medida, ele enfatizou a necessidade de agir “já nesta noite” para evitar novos incidentes.
O Louvre, em Paris, foi fechado temporariamente após manifestantes bloquearem a entrada como forma de apoio ao movimento estudantil e para denunciar o que chamam de “repressão policial”. O fechamento gerou críticas de setores culturais, que temiam prejuízos financeiros e perda de visitantes.
Em um pronunciamento à nação, o presidente Macron reconheceu a “crise de confiança” entre governo e população, prometendo revisar a política de preços de energia e acelerar programas de apoio ao setor educacional. Contudo, analistas políticos apontam que as promessas podem não ser suficientes para acalmar a população, que já demonstra cansaço diante de semanas de instabilidade.
Os sindicatos, por sua vez, organizaram uma nova rodada de greves nas principais indústrias, visando pressionar o governo a atender às demandas de aumento salarial e redução de impostos sobre combustíveis. A estratégia de paralisações simultâneas tem como objetivo criar um impasse econômico que force a negociação.
Especialistas em segurança pública alertam que a escalada de violência pode se transformar em um ciclo de retaliações, caso as autoridades não encontrem um caminho de diálogo efetivo. Eles recomendam a implementação de comissões de conciliação envolvendo representantes estudantis, sindicatos, empresários e membros do governo.
Enquanto isso, moradores de Bordeaux relataram sentimentos de insegurança nas áreas comerciais, temendo novos episódios de saques ou confrontos. Muitos comerciantes têm reforçado a segurança privada e instalado sistemas de monitoramento mais avançados, na esperança de prevenir novos ataques.
O panorama atual indica que a França atravessa um momento de profunda tensão social, com protestos que combinam reivindicações econômicas, educacionais e políticas. O desfecho desses movimentos ainda depende de negociações entre o governo e os diversos atores da sociedade civil, bem como da capacidade das forças de ordem de manter a ordem sem agravar ainda mais o clima de desconfiança.








