Em 2026, o estado de São Paulo contabilizou 36 casos confirmados de sarampo, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde na terça‑feira, 15 de março. O levantamento aponta que a maioria das ocorrências foi registrada na capital e em municípios do ABC, evidenciando a necessidade de intensificar as campanhas de imunização.
Cenário atual dos casos
Até a última sexta‑feira, 15, o número oficial era de 32 casos; quatro novos registros foram adicionados nesta terça‑feira, elevando o total para 36. Desses, três pacientes são residentes da cidade de São Paulo, enquanto o quarto provém de Santo André, marcando o primeiro registro da doença naquele município neste ano.
Os três casos na capital envolvem dois meninos menores de dois anos e uma mulher de 24 anos. Os meninos apresentavam esquema vacinal incompleto, já a mulher possuía histórico de vacinação, embora não tenha sido possível confirmar a completude do esquema.
O paciente de Santo André, de 36 anos, também tem histórico de vacinação, mas não se sabe se recebeu as duas doses recomendadas. Essa situação demonstra que, mesmo entre os vacinados, a proteção pode ser insuficiente quando o calendário não é seguido corretamente.
Perfil dos pacientes e áreas mais afetadas
Do total de 36 casos, 26 pacientes não tinham registro de vacinação contra o sarampo ou estavam com o esquema incompleto. Isso representa quase 72% dos infectados, reforçando a correlação direta entre a falta de imunização e a ocorrência da doença.
A capital concentra 32 dos casos registrados no estado, evidenciando um foco urbano. São Bernardo do Campo registrou dois casos, enquanto Guarulhos e Santo André contabilizaram um caso cada um.
Ao longo de 2025, apenas dois casos foram notificados em todo o território paulista, o que indica um aumento significativo nos números de 2026. Esse salto pode estar relacionado à diminuição da cobertura vacinal nos últimos anos, bem como à circulação de variantes do vírus em outras regiões do país.
O sarampo é uma doença viral altamente transmissível, caracterizada por febre, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza e conjuntivite. A transmissão ocorre principalmente por meio de secreções respiratórias de pessoas infectadas, o que facilita a rápida disseminação em ambientes densamente povoados.
Medidas de prevenção e vacinação
A imunização continua sendo a estratégia mais eficaz para prevenir o sarampo. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do estado.
Em 9 de março, a vacinação indiscriminada foi retomada nos distritos de Vila Maria, Vila Medeiros e Vila Guilherme, na zona norte da capital, abrangendo pessoas entre 6 meses e 59 anos.
O Ministério da Saúde recomenda o seguinte esquema de vacinação:
- Primeira dose: aos 12 meses, com a vacina tríplice viral.
- Segunda dose: aos 15 meses, com a vacina tetraviral (inclui proteção contra varicela).
- Pessoas de 1 a 29 anos devem receber duas doses da tríplice viral.
- Adultos de 30 a 59 anos precisam de, no mínimo, uma dose da tríplice viral.
- Profissionais de saúde devem comprovar duas doses, independentemente da idade.
Na capital, os imunizantes estão disponíveis de segunda a sexta‑feira, das 7h às 19h, e aos sábados, no mesmo horário, nas UBSs e nas AMAs/UBSs Integradas. Os munícipes podem localizar a unidade mais próxima por meio da plataforma Busca Saúde.
Além da vacinação, autoridades de saúde recomendam medidas de higiene respiratória, como cobrir a boca ao tossir, lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com pessoas apresentando sintomas de doença respiratória.
Especialistas alertam que a complacência pode levar a novos surtos, sobretudo em comunidades onde a cobertura vacinal está abaixo da meta de 95% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. Manter a população informada e facilitar o acesso à vacina são pilares fundamentais para conter a propagação do vírus.
Com a retomada das campanhas e a ampliação dos pontos de vacinação, as autoridades esperam reduzir rapidamente o número de casos e evitar que o sarampo volte a se tornar endêmico no estado.








