Na quarta‑feira, 21 de junho, a delegação do estado de São Paulo participou do Fórum Ministerial sobre Desenvolvimento Social da América Latina e do Caribe, realizado em Panama City, Panamá. O encontro, que congregou cerca de 60 delegações e representantes de organismos das Nações Unidas, focou nas estratégias de combate à pobreza e na redução das desigualdades na região.
SuperAção SP: a estratégia integrada do estado
A secretária de Desenvolvimento Social de São Paulo, Andrezza Rosalém, utilizou a ocasião para detalhar os resultados do programa estadual SuperAção SP. Trata‑se de uma iniciativa que articula políticas públicas de saúde, educação, assistência social e geração de renda, com o objetivo de promover a autonomia de famílias em situação de vulnerabilidade.
Um dos pilares do programa é o acompanhamento individualizado das famílias, que permite identificar necessidades específicas e traçar planos de ação personalizados. Essa abordagem tem sido particularmente eficaz entre famílias chefiadas por mulheres, grupo que historicamente enfrenta maiores obstáculos no mercado de trabalho.
Desde a sua implantação, o SuperAção SP já está presente em 48 municípios paulistas, abrangendo mais de 1,2 milhão de habitantes. O apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) foi essencial para a expansão da rede de serviços e para a capacitação de agentes locais.
- Mais de 300 mil famílias atendidas diretamente.
- Redução de 12% na taxa de vulnerabilidade social nos municípios participantes.
- Inserção de 45 mil adultos no mercado formal de trabalho.
- Capacitação de 5 mil agentes comunitários.
Esses números demonstram que a política de integração de serviços pode gerar impactos concretos e mensuráveis, algo que chamou a atenção dos participantes internacionais do fórum.
Diálogo internacional e cooperação multilateral
Além da apresentação dos resultados, Rosalém integrou a cerimônia paralela “Governando a Complexidade”, moderada pela subsecretária‑geral adjunta da ONU, Michelle Muschett. O painel abordou desafios de governança em contextos de alta desigualdade e destacou a importância de soluções baseadas em evidências.
Representantes da Cepal e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) elogiaram a experiência paulista como modelo de boas práticas que pode ser adaptado em outras realidades latino‑americanas. A troca de experiências incluiu discussões sobre financiamento sustentável, uso de tecnologias de informação e fortalecimento de redes de proteção social.
Os delegados de países como México, Colômbia e Chile manifestaram interesse em replicar elementos do SuperAção SP, sobretudo a estrutura de acompanhamento familiar e a parceria público‑privada que viabiliza recursos de longo prazo.
Desafios futuros e perspectivas de expansão
Apesar dos avanços, a secretária reconheceu que ainda há desafios significativos a superar. Entre eles, a necessidade de ampliar a cobertura para áreas rurais mais remotas e garantir a sustentabilidade financeira do programa após o término do apoio do BID.
Para enfrentar esses obstáculos, São Paulo está elaborando um plano de ação que inclui a criação de um fundo estadual de combate à pobreza, a intensificação de parcerias com empresas do setor privado e a implementação de ferramentas digitais para monitoramento em tempo real.
O futuro do programa também passa pela avaliação contínua de resultados. Uma equipe de pesquisa está desenvolvendo indicadores de longo prazo, como a taxa de escolarização de crianças em famílias beneficiadas e a permanência no emprego após a inserção inicial.
Com esses mecanismos, o estado espera não apenas manter os ganhos já alcançados, mas também gerar um efeito multiplicador que inspire políticas públicas em outras regiões do Brasil e da América Latina.








