Em entrevista concedida nesta quarta-feira (21) em Mumbai, na Índia, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo americano não tinha conhecimento prévio da queda de velocidade nos sistemas de comunicação via satélite da SpaceX usados pela Ucrânia na guerra contra a Rússia. A declaração surge em meio a denúncias de autoridades ucranianas sobre dificuldades operacionais causadas por uma suposta desaceleração do serviço. O encontro ocorreu no hotel Taj Mahal Palace, ponto de apoio diplomático para a delegação norte‑americana.
Contexto da denúncia ucraniana
Nas últimas semanas, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, alertou que unidades na linha de frente relataram lentidão nos equipamentos de satélite que sustentam tanto a comunicação militar quanto a coordenação de ataques de drones. Segundo relatos, o problema teria se intensificado a partir de segunda‑feira (19), quando soldados de Avdiivka observaram quedas significativas na taxa de transmissão de dados.
A Ucrânia utiliza duas plataformas distintas da SpaceX: o Starlink, voltado para uso civil, e o Starshield, adaptado para fins militares, como controle de drones e transmissão de imagens de inteligência. Autoridades ucranianas apontam que a redução de velocidade comprometeu alertas de mísseis e drones, além de dificultar a troca de informações entre unidades de combate.
- Starlink: fornece conectividade de alta velocidade para áreas civis e bases avançadas.
- Starshield: dedicado a comunicações militares, coordenação de ataques e operação de drones interceptadores.
Posição do governo dos EUA
Rubio deixou claro que o presidente dos Estados Unidos não interfere nas decisões da SpaceX, empresa privada liderada por Elon Musk. “O presidente não tem nada a ver com as decisões tomadas pelo Starlink, pelo Starshield ou pelo Sr. Musk”, disse o secretário, reforçando a autonomia da companhia.
Ele acrescentou que não houve nenhum conhecimento prévio sobre a desaceleração do serviço, nem qualquer ordem de restrição ao acesso ucraniano. “Washington não restringiu o acesso da Ucrânia ao Starlink, que é considerado fundamental para as operações militares de Kiev”, afirmou.
A declaração contradiz relatos de que os EUA teriam reduzido deliberadamente a capacidade do sistema após críticas do ex‑presidente Donald Trump aos ataques ucranianos contra refinarias russas. Rubio negou qualquer envolvimento e ressaltou que a política americana continua a apoiar a soberania ucraniana.
Repercussões nas negociações de paz
O secretário também comentou o encontro entre o enviado especial dos EUA para a guerra, Steve Witkoff, e o presidente Zelensky, que ocorreu em Oslo, na Noruega, na terça‑feira (20). Segundo Rubio, a reunião foi positiva e Witkoff levará os resultados das conversas para as negociações com a Rússia.
Witkoff tem agenda marcada para encontrar‑se com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta‑feira, em um esforço para abrir canais de diálogo que possam reduzir a escalada do conflito. A expectativa é que os EUA atuem como mediadores, mantendo ao mesmo tempo o apoio logístico e tecnológico à Ucrânia.
Impacto nas operações militares ucranianas
A diminuição de velocidade nos satélites tem consequências diretas no campo de batalha. Unidades que dependem de transmissão em tempo real para coordenar ataques de drones relatam atrasos que podem comprometer a eficácia das missões. Além disso, a população civil tem enfrentado falhas nos alertas de ataque, aumentando a vulnerabilidade em áreas de fronteira.
Especialistas em guerra cibernética apontam que a dependência excessiva de um único fornecedor de conectividade pode gerar riscos estratégicos. Eles sugerem a diversificação de provedores e a criação de redundâncias para garantir a continuidade das comunicações, mesmo diante de possíveis interrupções técnicas ou políticas.
Enquanto isso, o presidente Zelensky tem acusado os Estados Unidos de atrasar a entrega de mísseis interceptadores comprados por países europeus para a defesa aérea ucraniana. Segundo ele, os armamentos aguardam autorização do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, o que tem gerado frustração em Kiev.
O cenário atual coloca a Ucrânia em uma encruzilhada: por um lado, depende fortemente da tecnologia da SpaceX para manter suas linhas de comando operacionais; por outro, busca garantir que a ajuda americana continue fluindo sem condicionamentos que possam prejudicar sua capacidade de defesa.
Analistas de política internacional concluem que a resposta de Rubio, ao negar qualquer conhecimento prévio, visa preservar a imagem de um apoio incondicional dos EUA, ao mesmo tempo em que tenta evitar que a questão tecnológica se torne um ponto de discórdia nas negociações de paz. O futuro das comunicações via satélite na Ucrânia ainda depende de decisões conjuntas entre Washington, Kiev e a própria SpaceX.








