O cantor, compositor e produtor Rubens de Queiroz Barra faleceu nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, aos 76 anos, no Rio de Janeiro. A notícia foi confirmada pelo perfil oficial do artista nas redes sociais. Ele havia sido diagnosticado com uma doença em 2024, que culminou em seu estado grave nos últimos dias.
Carreira musical e primeiros sucessos
Ruban Barra nasceu em 5 de junho de 1950, na cidade histórica de Valença, interior do Rio de Janeiro. Desde cedo demonstrou talento para a música, aprendendo violão e piano autodidata e participando de bandas locais durante a adolescência.
Na década de 1970, mudou-se para a capital carioca em busca de oportunidades e rapidamente se integrou ao cenário de estúdios e gravadoras. Seu primeiro reconhecimento nacional veio como compositor, quando co‑escreveu “Lesma Lerda” ao lado de Renan Soares, música gravada pelas As Frenéticas no álbum “Caia na Gandaia” (1978).
Além de compor, Ruban começou a gravar suas próprias canções. Em 1982 lançou o single “Rebola Bola”, que ganhou espaço nas rádios de música popular e nas festas de discotecas. No ano seguinte, “Vem Nessa” chegou às paradas, consolidando sua presença como artista solo.
O ponto alto da sua trajetória como intérprete ocorreu em 1986, quando gravou “Cinderela” no estúdio, parceria com a letrista Patricya Travassos. A música foi incluída no álbum “Vitrine” e rapidamente se tornou um hit, marcando a memória afetiva de toda uma geração.
O legado de “Dancin’ days” e outras composições
Embora Ruban fosse conhecido como cantor, seu maior legado permanece como compositor. Em 1978, ao lado de Nelson Motta, escreveu “Dancin’ days”, encomendada por Daniel Filho para ser tema de abertura da novela homônima exibida pela TV Globo entre julho de 1978 e janeiro de 1979.
Nelson Motta relembrou o processo criativo em publicação nas redes sociais: “Fizemos em menos de uma hora, entre uísque, tecos e gargalhadas. Aos poucos, ele foi criando a melodia, que parecia vir pronta de ‘sei lá onde’. Tudo veio fácil, a introdução ultra suingada, e eu ia escrevendo a letra. Foi a música mais fácil da minha vida”.
“Dancin’ days” tornou‑se um hino da era das discotecas, atravessando gerações e sendo regravada por artistas como Lulu Santos, que a incluiu em seu álbum “Anticiclone Tropical” (1996). Outros intérpretes, como o grupo MPB4 e o cantor Latino, também lançaram versões da canção.
Além desse sucesso, Ruban compôs outros títulos que marcaram a música popular brasileira:
- “Eu Sou Free” – parceria com Patricya Travassos, gravada pelo grupo Sempre Livre (1983).
- “Lesma Lerda” – co‑escrita com Renan Soares, interpretada pelas As Frenéticas (1978).
- “Cinderela” – hit de 1986, gravado por ele mesmo e lembrado até hoje.
Durante a década de 1980, Ruban lançou diversos singles que complementaram seu repertório, como “Rebola Bola” (1982) e “Vem Nessa” (1983). Cada faixa trazia arranjos dançantes e letras que dialogavam com o clima festivo da época.
Últimos anos e o falecimento
Em 2024, Ruban recebeu o diagnóstico de uma doença crônica que, apesar de não ter sido divulgada publicamente, exigiu tratamento intensivo. Nos meses que se seguiram, ele permaneceu afastado dos palcos e dos estúdios, concentrando-se em sua recuperação.
Na manhã de 30 de outubro de 2026, o artista foi internado em um hospital do Rio de Janeiro em estado grave. Familiares e amigos foram informados sobre a gravidade do quadro, mas mantiveram a esperança de uma melhora que, infelizmente, não se concretizou.
A família anunciou o falecimento nas redes sociais, agradecendo o apoio dos fãs ao longo de toda a sua vida e destacando o legado musical deixado por Ruban Barra. A mensagem também ressaltou a importância de preservar a memória das obras que marcaram a cultura pop brasileira.
Com sua partida, o Brasil perde um dos criadores que ajudaram a definir o som das discotecas dos anos 70 e 80. Seu repertório continua vivo nas playlists, nas regravações e na lembrança de quem dançou ao som de “Dancin’ days” ou cantou “Cinderela” nas festas de família.
Os fãs podem prestar homenagem ao artista nas plataformas digitais, compartilhando histórias e lembranças que mantêm viva a energia contagiante de sua música. O legado de Ruban Barra segue inspirando novos músicos e amantes da música popular.








