Um novo relatório da Organização das Nações Unidas revelou que a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial se tornou o principal risco global. O estudo foi divulgado nesta terça‑feira, 15 de maio, e analisou as percepções de cerca de 1.300 especialistas de diferentes setores. A pesquisa abrangeu avaliações feitas em todo o mundo, destacando um aumento significativo nas preocupações geopolíticas.
Ao colocar a guerra em escala mundial no topo da lista, o documento sinaliza uma mudança de paradigma nas prioridades de segurança internacional. Especialistas apontam que a combinação de tensões regionais e a fragilidade de instituições multilaterais pode acelerar a escalada de conflitos. Esse cenário exige atenção imediata de governos, empresas e sociedade civil.
Metodologia e escopo da pesquisa
O levantamento da ONU contou com a participação de aproximadamente 1.300 profissionais provenientes de governos, organizações internacionais, empresas privadas, universidades e ONGs. Cada entrevistado recebeu um questionário que avaliava riscos em cinco categorias principais: políticos, econômicos, ambientais, sociais e tecnológicos.
Para garantir a representatividade, os respondentes foram distribuídos entre sete grandes regiões geográficas: América do Norte, América Latina, Europa, África Subsaariana, Ásia Oriental, Sudeste Asiático e Oceania. Essa amostra diversificada permite comparar percepções regionais e identificar tendências globais.
Os critérios de avaliação incluíram relevância da ameaça, proximidade temporal dos seus efeitos, interconexão com outros riscos e grau de preparo das instituições para mitigá‑los. Cada fator recebeu uma pontuação que, ao final, gerou o ranking de risco global.
Além das respostas individuais, o estudo incorporou dados de fontes abertas, como relatórios de inteligência e indicadores econômicos, para validar as percepções dos especialistas.
A guerra como risco dominante
De acordo com o relatório, a possibilidade de um conflito em larga escala foi o único risco que apareceu entre os seis primeiros em todos os critérios analisados. Isso indica que, independentemente da região, os especialistas enxergam a guerra como uma ameaça multifacetada que pode desencadear crises econômicas, humanitárias e ambientais.
Quando questionados sobre o horizonte de 12 meses, 36% dos entrevistados acreditam que um conflito global poderia afetar uma parcela significativa da humanidade. Esse número salta para 76% quando o horizonte é ampliado para sete anos, revelando uma percepção de risco crescente ao longo do tempo.
Em 2024, o ranking era dominado por ameaças ambientais, desinformação e pandemias. Hoje, tensões geopolíticas, conflitos armados e o enfraquecimento do Estado de Direito superaram essas preocupações, subindo 16 posições no índice.
O relatório destaca que a guerra aparece entre os dez principais riscos em todas as regiões analisadas e ocupa posição dentro dos cinco primeiros em seis delas. Apenas na Oceania a ameaça ficou fora do top‑5, mas ainda figura entre os dez mais críticos.
- América do Norte
- América Latina
- Europa
- África Subsaariana
- Ásia Oriental
- Sudeste Asiático
- Oceania
Essa presença quase universal reflete a interdependência dos sistemas de defesa, cadeias de suprimentos e fluxos financeiros globais. Um conflito em uma região pode rapidamente reverberar em outras, amplificando os impactos.
Outros perigos em ascensão
Além da guerra, o relatório aponta que riscos relacionados a armas de destruição em massa entraram entre os dez principais nas regiões da Ásia Central e Meridional, África Subsaariana e Oceania. A proliferação nuclear e biológica, embora ainda limitada, está sendo monitorada com maior atenção.
Na Ásia Oriental e no Sudeste Asiático, surgiram preocupações específicas com uma possível crise financeira global, os efeitos disruptivos da inteligência artificial e o poder crescente das grandes empresas de tecnologia. Esses três fatores foram listados como principais vulnerabilidades que podem desencadear instabilidades macroeconômicas.
Os riscos tecnológicos, especialmente aqueles ligados à IA, também apareceram entre os dez principais na Europa e na América do Norte. Os especialistas alertam que a falta de regulamentação eficaz pode transformar inovações em ameaças à segurança nacional.
O estudo aponta ainda que o sistema multilateral – representado por organismos como a ONU, a OMC e o FMI – é percebido como insuficientemente preparado para responder a ameaças tecnológicas avançadas. Essa lacuna institucional pode dificultar a coordenação de respostas rápidas.
Em termos de classificação, as ameaças emergentes ganharam destaque em comparação ao último relatório, demonstrando que a percepção de risco está em constante evolução conforme novos desafios surgem.
Clima e a urgência da ação coletiva
Apesar da ascensão dos riscos geopolíticos, as mudanças climáticas permanecem entre as principais ameaças identificadas. A falta de ação para conter o aquecimento global foi apontada como o risco mais importante no conjunto da pesquisa.
Os especialistas ressaltam que eventos climáticos extremos – como ondas de calor, incêndios florestais e inundações – podem exacerbar conflitos por recursos escassos, criando um círculo vicioso de instabilidade.
Curiosamente, pandemias e riscos biológicos perderam relevância no ranking atual, deixando de figurar entre os dez principais riscos em todas as regiões analisadas. Isso reflete a percepção de que, embora ainda perigosas, essas ameaças são mais gerenciáveis após a experiência da Covid‑19.
Quando questionados sobre a medida mais eficaz para prevenir crises, a maioria dos entrevistados destacou a cooperação entre governos como o caminho principal. No entanto, 86% consideram que os recursos destinados à redução de riscos são insuficientes, indicando um déficit de investimento em prevenção.
O relatório conclui que, sem um esforço coordenado e recursos adequados, a combinação de tensões geopolíticas e impactos climáticos pode gerar um cenário de instabilidade sem precedentes.
Em síntese, o documento da ONU serve como um alerta precoce para a comunidade internacional. Ele enfatiza que a prevenção de uma guerra mundial depende tanto de diplomacia quanto de políticas climáticas robustas e de investimentos estratégicos em segurança tecnológica.








