A pesquisa nacional da Quaest, divulgada no sábado, 1º de outubro de 2022, mostrou Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Jair Bolsonaro nas intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial. O levantamento foi realizado nas horas finais da campanha, um dia antes da votação, e cobriu todo o país. Os resultados apontaram 49% para Lula e 38% para Bolsonaro, indicando uma diferença de 11 pontos percentuais entre os candidatos.
Contexto da pesquisa e cenário político
Na véspera do pleito, a disputa ainda parecia distante, com o ex-presidente do PT mantendo uma liderança confortável. A Quaest havia entrevistado 3.600 eleitores em 239 municípios, garantindo um nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. O cenário incluía ainda a presença de Ciro Gomes (PDT) em terceiro lugar, com 6% das intenções, e Simone Tebet (MDB) logo atrás, com 5%.
Além dos principais candidatos, a pesquisa listou outros nomes que compunham o quadro eleitoral. O levantamento mostrou que, embora a maioria dos eleitores estivesse concentrada nos dois líderes, havia ainda espaço para candidatos de menor expressão. Essa diversidade de opções refletia a fragmentação do eleitorado nas urnas.
- Ciro Gomes (PDT) – 6%
- Simone Tebet (MDB) – 5%
- Outros candidatos – menos de 5% cada
O panorama político era marcado por intensas discussões sobre a economia, a segurança e a condução da pandemia. Enquanto Lula enfatizava a retomada do crescimento e a justiça social, Bolsonaro apostava na continuidade de seu programa de liberalismo econômico e no combate à criminalidade. Essa polarização influenciava diretamente as respostas dos entrevistados.
Comparação entre as projeções da Quaest e os resultados reais
No dia seguinte à divulgação da pesquisa, o primeiro turno confirmou parte das projeções, mas com diferenças relevantes. Lula encerrou a disputa com 48,43% dos votos válidos, valor muito próximo dos 49% estimados pela Quaest. Bolsonaro, por sua vez, obteve 43,20%, superando em 5,2 pontos percentuais a margem de 38% apontada pela pesquisa.
A distância efetiva entre os dois candidatos foi de 5,23 pontos percentuais, menos da metade da diferença prevista pela Quaest. Esse estreitamento evidenciou a volatilidade do eleitorado nas últimas horas de campanha, bem como a capacidade de Bolsonaro de ganhar apoio adicional nos dias finais.
Além da diferença percentual, a pesquisa também tentou medir a firmeza da escolha dos eleitores. Muitos entrevistados declararam que ainda poderiam mudar de voto até a urna, o que acabou se refletindo nos números finais. Essa incerteza foi um dos fatores que encurtaram a margem entre os candidatos.
Metodologia, nova rodada e expectativas para 2026
A Quaest planeja atualizar seus dados com uma nova pesquisa, prevista para ser divulgada em 3 de outubro de 2022, um dia antes do primeiro turno. Essa rodada ouvirá eleitores na sexta-feira, 2, e no próprio sábado, 3, mantendo o mesmo rigor metodológico da pesquisa anterior.
Para a edição de 2026, o instituto aumentará o número de entrevistas para 3.702, incluindo abordagens presenciais e domiciliares em todo o país. O levantamento será realizado nos dias 2 e 3 de outubro, mantendo a margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Um dos focos da pesquisa será o chamado “voto útil”. Os entrevistados serão questionados se mudariam de candidato caso acreditassem que a eleição poderia ser decidida no primeiro turno. Aqueles que responderem afirmativamente terão a opção de indicar para quem transfeririam seu voto, permitindo ao instituto dimensionar a parcela do eleitorado ainda aberta a mudanças.
Além disso, o questionário incluirá uma pergunta espontânea, sem apresentar nomes previamente, para captar a preferência genuína dos eleitores. No segundo turno, a ênfase será no confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, caso a disputa chegue a essa fase.
Os resultados da pesquisa de 2022 também serviram como referência para análises posteriores. Observadores políticos destacaram que a diferença de 11 pontos prevista pela Quaest era significativamente maior que a margem real de 5,23 pontos, sugerindo que a campanha de Bolsonaro ganhou força nas últimas 48 horas.
Especialistas em ciência de dados apontam que a variação pode ser atribuída a fatores como a mobilização de eleitores nas redes sociais, a influência de debates televisivos e a reação a notícias de última hora. Esses elementos costumam gerar picos de volatilidade que não são totalmente capturados por pesquisas realizadas alguns dias antes da votação.
Em termos de cobertura midiática, a divulgação da pesquisa gerou amplo debate sobre a confiabilidade das sondagens eleitorais. Enquanto alguns analistas consideraram a Quaest uma das mais precisas, outros alertaram para a necessidade de cautela ao interpretar números próximos ao limite da margem de erro.
O registro oficial da pesquisa de 2022 foi feito no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02444/2022, garantindo transparência e rastreabilidade dos dados. A edição de 2026, por sua vez, será registrada sob o número BR-02197/2026, seguindo o mesmo padrão de divulgação.
Com a proximidade do segundo turno, a estratégia dos candidatos passou a focar em coalizões e alianças regionais. Lula buscou consolidar apoio de partidos de centro-esquerda, enquanto Bolsonaro tentou ampliar sua base entre conservadores e eleitores insatisfeitos com a gestão atual.
Finalmente, a pesquisa Quaest demonstra como as sondagens podem influenciar a percepção pública e, potencialmente, o comportamento de voto. Ao medir tanto a intenção quanto a firmeza da escolha, o instituto oferece um panorama mais completo do cenário eleitoral, essencial para candidatos, partidos e analistas.








