Renan Santos, empresário e ex‑fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), anunciou sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026, representando o recém‑criado partido Missão. A candidatura marca a primeira vez que o partido disputa um cargo federal e a primeira campanha presidencial de Santos.
Perfil e trajetória de Renan Santos
Com 42 anos, Renan nasceu em São Paulo e ingressou na Universidade de São Paulo para estudar direito, embora não tenha concluído a graduação. Antes de entrar na política, destacou‑se como empresário no setor de entretenimento e como músico nas noites da capital.
Em 2014, ele fundou o Movimento Brasil Livre, um grupo que ganhou notoriedade nas manifestações que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff em 2016. O MBL apoiou Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, mas rompeu com o governo em 2019, tornando‑se crítico da administração bolsonarista.
Após o declínio do MBL, Santos criou o partido Missão em 2025, com a intenção de oferecer uma alternativa ao que ele chama de “velha política”. O partido ainda não tem representação no Congresso, mas busca atrair eleitores descontentes com os grandes partidos tradicionais.
Posicionamento político e discurso antissistema
Renan Santos se apresenta como um candidato antissistema, focado em romper com a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a família Bolsonaro. Ele critica duramente tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, chamando‑os de “fracassados” e “criminosos”.
O discurso de Santos tem forte apelo ao público jovem, utilizando linguagem direta e, muitas vezes, radical. Em entrevistas, ele afirmou que “dois fracassados, dois medrosos, Lula e Flávio Bolsonaro, dois criminosos que fazem negócio com o crime organizado”.
Apesar de se posicionar como o principal crítico de Flávio Bolsonaro dentro da chamada “terceira via”, Santos já participou de alianças tácitas com o bolsonarismo nas eleições de 2018, quando o MBL apoiou Jair Bolsonaro.
Estrategia de campanha e propostas de segurança
Sem acesso ao horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, a campanha de Renan Santos tem sido predominantemente digital, com forte presença nas redes sociais e em transmissões ao vivo. Ele também percorre capitais e cidades do interior em carro, buscando contato direto com eleitores em áreas controladas por líderes locais.
Na área de segurança pública, Santos adota o modelo “prendeu, matou”, inspirado nas políticas de Nayib Bukele em El Salvador. Ele defende que integrantes das facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), não tenham direito a processos criminais padrão.
As propostas específicas de segurança incluem:
- Decreto de estado de defesa em regiões com alta concentração de crime organizado.
- Investimento de R$ 6 bilhões na construção de novos presídios de alta segurança.
- Criação de unidades de resposta rápida que operem sem necessidade de mandado judicial em situações de emergência.
Renan também destaca a necessidade de um arcabouço legal que sustente as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), citando a experiência do Rio de Janeiro antes da crise institucional.
Desafios e perspectivas eleitorais
As pesquisas atuais colocam Renan Santos entre 3% e 6% das intenções de voto, o que o coloca em um empate técnico com candidatos como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) na terceira colocação. Essa posição reflete tanto o desconhecimento do eleitorado quanto o potencial de crescimento nas urnas.
O candidato enfrenta críticas de organizações de direitos humanos, que apontam para a violação de garantias processuais nos modelos de prisão extrajudicial adotados em El Salvador. Além disso, a falta de experiência administrativa de Santos é frequentemente usada como argumento pelos adversários.
Apesar dos obstáculos, a campanha aposta em uma narrativa de ruptura, prometendo acabar com a “velha política” e oferecer uma alternativa real ao eleitor cansado da polarização. A eficácia dessa estratégia dependerá da capacidade de transformar a presença digital em votos concretos nas urnas.








