A Apple divulgou nesta segunda‑feira os detalhes salariais de Tim Cook, que deixará o cargo de CEO, e de John Ternus, o novo presidente executivo. A informação foi publicada nos documentos enviados à SEC, referentes ao exercício fiscal de 2026. A mudança de comando ocorre logo após a celebração dos 50 anos da companhia.
Detalhes da remuneração de Tim Cook
Tim Cook, que esteve à frente da Apple desde 2011, passará a ocupar a presidência do conselho administrativo. Na nova função, ele receberá um salário base de US$ 2 milhões por ano, equivalente a cerca de R$ 10 milhões. Além do salário, está prevista uma bonificação alvo de US$ 45 milhões, distribuída ao longo de quatro anos.
O pacote inclui ainda a concessão de ações no valor de US$ 2,5 milhões, correspondentes ao ano fiscal de 2026. Essa parcela de ações será entregue em parcelas semestrais, condicionada à permanência de Cook na empresa.
- Salário base: US$ 2 milhões/ano (R$ 10 milhões)
- Bonificação alvo: US$ 45 milhões em quatro anos (R$ 230 milhões)
- Ações concedidas: US$ 2,5 milhões no FY2026 (R$ 12,8 milhões)
- Percentual de bônus atrelado ao desempenho: 50%
Metade da bonificação dependerá do desempenho das ações da Apple em comparação com 55% das empresas que compõem o índice S&P 500. Caso a Apple supere esse patamar, Cook receberá o valor‑alvo completo.
Pacote de compensação de John Ternus
John Ternus, que ingressou na Apple em 2001 e liderou a engenharia de hardware nos últimos cinco anos, assume agora a posição de CEO. Seu salário anual será de US$ 3 milhões, cerca de R$ 15 milhões, e a bonificação alvo está fixada em US$ 55 milhões ao longo de quatro anos.
A maior parte da bonificação – 75% – está vinculada ao retorno das ações da Apple, enquanto os 25% restantes dependem da permanência do executivo na companhia, sendo liberados em parcelas semestrais.
- Salário base: US$ 3 milhões/ano (R$ 15 milhões)
- Bonificação alvo: US$ 55 milhões em quatro anos (R$ 280 milhões)
- Percentual de bônus atrelado ao desempenho: 75%
- Vesting semestral: 25% restante, condicionado à permanência
Assim como Cook, Ternus só receberá o valor‑alvo se as ações da Apple superarem 55% das empresas do S&P 500. Em períodos recentes, a Apple tem batido esse índice em mais de 70% das vezes.
Critérios de desempenho e vesting
A estrutura de bonificação das duas lideranças segue um modelo padrão de empresas de capital aberto nos Estados Unidos. O componente de desempenho está atrelado ao índice S&P 500, que reúne as maiores companhias negociadas nas bolsas americanas.
Para Cook, 50% da bonificação depende desse critério; para Ternus, a parcela sobe para 75%. O restante das recompensas está condicionado ao tempo de serviço, sendo liberado em parcelas semestrais ao longo de quatro anos, o que incentiva a continuidade dos executivos na Apple.
Essas regras foram detalhadas nos formulários 10‑K e 8‑K enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos EUA.
Contexto da transição de liderança
A troca de comando foi anunciada como parte de um plano de sucessão que a Apple vem desenvolvendo há vários anos. Cook conduziu a empresa durante um período de crescimento extraordinário, elevando o valor de mercado de US$ 400 bilhões para mais de US$ 4 trilhões, um aumento superior a 1 000%.
Durante sua gestão, foram lançados produtos icônicos como o Apple Watch, o Apple Vision Pro e serviços de assinatura como iCloud e Apple Music. Cook também recebeu reconhecimento por sua postura em questões sociais e ambientais.
Ternus, por sua vez, tem um histórico de liderança em projetos de hardware. Ele esteve à frente do desenvolvimento de iPads, AirPods e, mais recentemente, da reformulação do iPhone 17 e do iPhone Air, modelo mais fino que a empresa apresentou.
Em mensagem interna obtida pela Bloomberg, Cook agradeceu aos funcionários pelo trabalho conjunto e reconheceu que a transição era inevitável, embora ainda surpreendente. A Apple espera que a continuidade da estratégia de inovação seja mantida sob a nova liderança.








