Home / Mundo / Relação entre Cuba e Venezuela mostra sinais de ruptura após captura de Maduro

Relação entre Cuba e Venezuela mostra sinais de ruptura após captura de Maduro

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, não citou Cuba em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, marcando a primeira ausência do país em vinte anos de intervenções venezuelanas. O fato ocorreu logo após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro de 2026, e evidencia um enfraquecimento da aliança histórica entre as duas nações. A mudança de tom reflete tensões que se intensificaram nos últimos meses e abre espaço para novas dinâmicas diplomáticas na região.

Histórico da aliança estratégica

Desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999, Cuba e Venezuela cultivaram uma relação descrita como “uma mesma nação”. Chávez estabeleceu um acordo de venda de petróleo a preço preferencial para a ilha, enquanto Cuba enviava milhares de profissionais de saúde, educação e cultura para apoiar programas sociais venezuelanos.

O programa de saúde “Barrio Adentro” tornou‑se símbolo da cooperação, com médicos cubanos atendendo comunidades carentes em áreas remotas. Essa iniciativa lembrava o modelo brasileiro “Mais Médicos”, embora tenha gerado protestos de médicos locais que temiam perda de empregos.

Além da assistência médica, a colaboração se aprofundou nos setores de segurança e inteligência. Segundo analistas, após a tentativa de golpe de abril de 2002, Cuba enviou agentes para apoiar Chávez e reforçar a lealdade das Forças Armadas venezuelanas. Essa presença culminou na adoção, por parte da Venezuela, da doutrina militar cubana conhecida como “guerra de todo o povo”.

Ao longo da década, a presença cubana foi mencionada repetidamente em discursos oficiais. Em 2009, Chávez citou Cuba 11 vezes na ONU; em 2015, Maduro o fez 13 vezes. Essas referências reforçavam a narrativa de uma “irmandade” e de uma “unidade histórica” entre os dois países.

  • 1999 – Chávez assume e inicia a aliança com Cuba;
  • 2002 – Envio de agentes cubanos após tentativa de golpe;
  • 2009 – Chávez menciona Cuba 11 vezes na ONU;
  • 2015 – Maduro menciona Cuba 13 vezes na ONU;
  • 2026 – Captura de Maduro e mudança de discurso de Rodríguez.

Sinais recentes de enfraquecimento

O discurso de Delcy Rodríguez, proferido em setembro de 2026, omitiu totalmente qualquer referência a Cuba, quebrando um padrão de duas décadas. Pouco depois, o vice‑ministro cubano das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, afirmou em entrevista à Bloomberg que a Venezuela continua sendo “um país amigo”, mas que “aliado” é uma palavra “muito forte”.

Essa declaração marca o primeiro reconhecimento oficial de que a “relação estratégica” está em declínio. Analistas apontam que a captura de Maduro por forças americanas enfraqueceu a posição de negociação de Caracas, reduzindo sua capacidade de oferecer concessões econômicas à Havana.

Além disso, relatos de ex‑integrantes dos órgãos de segurança venezuelanos indicam que agentes cubanos ainda atuam na Direção Geral de Contrainteligência Militar (Dgcim), mas que seu acesso está sendo gradualmente restringido. A pressão interna de setores militares que questionam a “cubanização” das forças bolivarianas também contribui para o distanciamento.

Outros indicadores incluem a diminuição de missões médicas cubanas em áreas rurais, a suspensão de novos acordos de fornecimento de petróleo a preço de custo e a redução de intercâmbios acadêmicos. Essas mudanças, embora discretas, sinalizam uma reconfiguração das prioridades venezuelanas.

Perspectivas e consequências regionais

Especialistas em política latino‑americana sugerem que a Venezuela pode buscar novos parceiros estratégicos, como a China ou a Rússia, para compensar a perda de apoio cubano. Essa reorientação poderia alterar o equilíbrio geopolítico da região, especialmente em questões de segurança e de fluxos de recursos energéticos.

Para Cuba, o enfraquecimento da aliança significa a necessidade de diversificar suas fontes de receita, que historicamente dependiam dos subsídios petrolíferos venezuelanos. O país tem intensificado acordos comerciais com a América Central e buscado investimentos na área de turismo médico.

Na prática, a população venezuelana pode sentir os efeitos mais rapidamente. A retirada parcial de médicos cubanos pode agravar a já crítica situação sanitária, enquanto a diminuição de apoio logístico pode impactar a capacidade de resposta das forças de segurança.

O futuro da relação dependerá de fatores externos, como a evolução das sanções americanas, e internos, como a estabilidade do governo interino. Enquanto não houver um novo acordo formal, a parceria permanecerá marcada por desconfianças e por uma cooperação que, embora ainda presente, já não tem a mesma intensidade de décadas passadas.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

loader-image
Guarulhos, BR
7:29 pm, nov 2, 2026
temperature icon 18°C
Encoberto
1014 mb
Hora
8:00 pm
temperature icon
16°/20°°C 0.01 mm 24% 5 Km/h 92% 1015 mb 0 cm
12:00 am
temperature icon
16°/18°°C 0 mm 20% 5 Km/h 89% 1014 mb 0 cm
3:00 am
temperature icon
16°/18°°C 0 mm 25% 5 Km/h 89% 1013 mb 0 cm
6:00 am
temperature icon
18°/21°°C 0 mm 22% 5 Km/h 84% 1014 mb 0 cm
9:00 am
temperature icon
25°/28°°C 0.01 mm 9% 8 Km/h 59% 1014 mb 0 cm
12:00 pm
temperature icon
29°/30°°C 0 mm 5% 11 Km/h 47% 1012 mb 0 cm
3:00 pm
temperature icon
29°/30°°C 0.02 mm 8% 12 Km/h 49% 1010 mb 0 cm
6:00 pm
temperature icon
21°/25°°C 0.23 mm 24% 3 Km/h 73% 1011 mb 0 cm