O Inmetro divulgou, em outubro de 2026, a classificação dos dez veículos mais vendidos no Brasil que apresentam menor consumo de combustível na cidade, segundo testes de laboratório realizados pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV). A lista foi cruzada com os dados de vendas da Fenabrave referentes ao período de janeiro a setembro de 2026, revelando quais modelos combinam popularidade e eficiência.
Como o Inmetro avalia o consumo
Os testes seguem a norma ABNT NBR 7024, vigente desde 1989 e atualizada periodicamente. Essa norma determina que o consumo seja medido em dinamômetro de chassi, simulando percursos urbanos e rodoviários em ciclos padronizados. Cada veículo passa por três repetições do ciclo urbano, que inclui acelerações, frenagens e velocidade média de 40 km/h, para garantir a consistência dos resultados.
Além do consumo, o programa também analisa emissões de CO₂, ruído e eficiência do motor em diferentes regimes de rotação. Os resultados são publicados em forma de etiqueta, que indica o consumo em km/l para álcool, gasolina e diesel, quando aplicável. Essa transparência permite que o consumidor compare modelos de forma objetiva antes da compra.
Os SUVs que mais consomem
Entre os utilitários esportivos (SUVs), dois modelos se destacam pelo consumo elevado na cidade. O Hyundai Creta, frequentemente chamado de “SUV do HB20”, lidera a lista de mais “beberrões” devido ao peso adicional e ao desenho aerodinâmico menos otimizado. Mesmo na versão 1.0 turbo, que é a mais econômica da família, o Creta registra cerca de 9,8 km/l em ciclo urbano.
Logo em seguida, o Volkswagen T‑Cross apresenta consumo superior ao do Polo, apesar de compartilhar o mesmo motor 1.0 TSI. A versão de entrada, 200 TSI Sense, equipada com câmbio automático de oito marchas, atinge aproximadamente 10,2 km/l na cidade, o que ainda é considerado alto para um SUV de porte compacto.
- Hyundai Creta – 9,8 km/l (urbano)
- Volkswagen T‑Cross – 10,2 km/l (urbano)
Esses números contrastam com a proposta de economia que muitas montadoras prometem para seus SUVs, indicando que o peso e a resistência ao vento ainda são fatores críticos que impactam o consumo.
Os modelos mais econômicos entre os mais vendidos
Do outro lado da balança, alguns veículos se sobressaem pela eficiência sem abrir mão de boa aceitação no mercado. O Volkswagen Tera, apesar de ser o SUV mais econômico da lista da Fenabrave, ainda consome mais que o Polo devido à carroceria maior. A versão mais econômica do Tera é a que não possui a sigla “TSI” no nome, indicando motor aspirado.
O Volkswagen Polo, hatch da marca alemã, lidera a categoria de veículos da própria marca, apresentando consumo urbano de cerca de 12,5 km/l na versão MPI com motor aspirado e transmissão manual. Esse desempenho supera o Argo da Fiat, que, embora seja o segundo hatch mais consumista, ainda registra 11,9 km/l na versão Drive 1.0 aspirado.
Entre os compactos, o Hyundai HB20 se destaca ao ficar à frente do Argo em todos os quesitos de economia, exceto quando se trata de gasolina na cidade, onde o Argo tem leve vantagem. A versão mais econômica do HB20 utiliza motor aspirado e câmbio manual, alcançando 12,3 km/l.
Já o Chevrolet Onix, que costuma ser o carro mais econômico nas rodovias, tem desempenho urbano um pouco inferior, registrando 11,8 km/l na versão com motor 1.0 turbo e transmissão manual. Ainda assim, o consumo está dentro da média dos hatches mais vendidos.
- Volkswagen Polo – 12,5 km/l (urbano)
- Hyundai HB20 – 12,3 km/l (urbano)
- Volkswagen Tera – 11,7 km/l (urbano)
- Chevrolet Onix – 11,8 km/l (urbano)
A única picape da lista, a Fiat Strada, apresenta duas versões econômicas apontadas pelo Inmetro: Endurance e Freedom. Embora o consumo exato não tenha sido discriminado entre cabine simples e dupla, ambas registram cerca de 11,5 km/l em ciclo urbano, posicionando a Strada como uma opção razoável para quem precisa de carga sem sacrificar totalmente a eficiência.
É importante notar que a classificação de consumo pode variar de acordo com o tipo de combustível usado. Por exemplo, alguns modelos apresentam melhor desempenho com etanol, enquanto outros são mais eficientes com gasolina. O Inmetro disponibiliza tabelas detalhadas para cada variante, permitindo ao comprador escolher a combinação ideal para sua realidade.
Em síntese, a análise demonstra que a eficiência de combustível não está exclusivamente ligada ao tamanho do motor, mas também à aerodinâmica, peso total, tipo de transmissão e calibragem dos pneus. Consumidores que priorizam economia devem observar a etiqueta do Inmetro, que traz números claros e comparáveis.
Para quem ainda tem dúvidas, a própria página do Inmetro oferece um simulador que permite comparar o consumo urbano e rodoviário de diferentes versões, facilitando a escolha de um carro que alinhe preço, tecnologia e eficiência.








