Em plena campanha eleitoral de 2024, o núcleo de comunicação de Flávio Bolsonaro, do PL, divulgou que a “febre alta” da crise econômica chegou antes do que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva previa. A mensagem foi veiculada nas primeiras semanas de setembro, durante a fase de horário eleitoral gratuito, e tem como foco principal o aumento dos preços e o endividamento das famílias brasileiras.
Estratégia de campanha de Flávio Bolsonaro
A equipe de Flávio tem apostado em gravações realizadas dentro de supermercados e em frente a lojas comerciais fechadas, simulando o horário de expediente. O objetivo é reforçar a percepção de que a inflação dos alimentos está corroendo o poder de compra dos consumidores.
Essas peças publicitárias apresentam cenas de prateleiras vazias e de mães que não conseguem pagar por itens básicos como biscoitos, chocolate ou iogurte. A narrativa enfatiza a “violência silenciosa” que, segundo a campanha, fere o coração das famílias ao obrigá‑las a reduzir as compras.
Além disso, o candidato tem usado
- panfletos digitais nas redes sociais
- vídeos curtos no TikTok e Instagram
- anúncios em rádios locais
para ampliar o alcance da mensagem, sempre com tom emotivo e apelativo.
Reação de Lula e o encontro com empresários
Em contraste, o presidente Lula convidou, na última quinta‑feira, um seleto grupo de empresários do mercado financeiro e do setor produtivo para um jantar no Palácio da Alvorada. O encontro foi apresentado como um espaço para discutir a política fiscal e ouvir as demandas do chamado “donos do PIB”.
Lula aproveitou a ocasião para expor suas linhas gerais de plano fiscal, destacando a necessidade de controlar o déficit público e estimular investimentos em infraestrutura. Os convidados, por sua vez, expressaram preocupação com a recente onda de pedidos de recuperação judicial de grandes empresas, como Casas Bahia e o Grupo Gennius.
Esses episódios reforçaram a percepção de que a disputa econômica está se tornando central na campanha, ao lado das tradicionais questões de segurança pública.
Impactos nas cadeias de consumo e a narrativa da violência silenciosa
A crise de liquidez enfrentada por redes como Chilli Beans, que busca renegociar dívidas com bancos, evidencia a vulnerabilidade do varejo diante da alta dos custos. Segundo analistas, a falta de crédito pode levar ao fechamento de mais estabelecimentos, ampliando o efeito cascata sobre os consumidores.
Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio Bolsonaro tem usado esse cenário para reforçar seu discurso de combate à violência, mas com um enfoque diferente: além do combate ao crime organizado, a proposta inclui combater a “violência econômica” que afeta o dia a dia das famílias.
O roteiro da peça eleitoral, exibida no sábado, 5, destaca que, enquanto o Comando Vermelho, o PCC e as milícias são classificados como organizações narcoterroristas, a falta de dinheiro para comprar alimentos básicos representa outra forma de agressão.
Essa abordagem tem gerado debate entre especialistas em comunicação política, que apontam que a estratégia de misturar temas de segurança com questões econômicas pode ampliar o apelo do candidato a eleitores que sentem o peso da inflação.
Em resumo, o QG de Flávio Bolsonaro acredita que a crise econômica chegou antes do que o governo de Lula esperava, e está usando essa percepção para reforçar sua mensagem de mudança e de proteção das famílias brasileiras.








