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Protestos em Israel pedem aliança entre oposição e partidos árabes para derrubar Netanyahu

Centenas de cidadãos israelenses foram às ruas no sábado, 31 de outubro, em Tel Aviv, exigindo que a oposição forme uma aliança com partidos árabes para substituir o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu. A manifestação aconteceu simultaneamente a pequenos encontros de apoiadores do governo, revelando um país profundamente dividido. O pedido surge após as eleições de 27 de outubro, que deixaram o Parlamento sem maioria clara.

Pressão nas ruas de Tel Aviv

Os manifestantes carregavam faixas com mensagens como “Árabes e judeus vencem juntos” e “Há uma maioria a favor da mudança”, sinalizando um desejo de cooperação interétnica. Ayelet Raz, psicóloga de 60 anos, destacou que a comunidade árabe representa cerca de 20% da população e tem o direito de participar do governo, chamando a situação de “última oportunidade para promover uma mudança real”. Ela alertou que a falta de diálogo pode gerar um ciclo permanente de violência.

Do outro lado, grupos pró‑Netanyahu organizaram um ato próprio, com participantes acusando os partidos árabes de serem extensões do Hamas. Rebecca Schindler, também com 60 anos, afirmou que “os dois partidos árabes são do Hamas” e que eles pretendem transformar Israel em um país palestino. Essa retórica reforça a tensão entre os dois blocos políticos.

Cenário político e alianças possíveis

Nas eleições de 27 de outubro, nenhum bloco conquistou maioria dos 120 assentos do Knesset. Os partidos de maioria judaica contrários a Netanyahu obtiveram 48 cadeiras, enquanto os partidos árabes – Raam e Lista Unificada – somaram 19 assentos. Uma aliança entre os dois blocos poderia alcançar 67 cadeiras, suficiente para formar governo.

Os números podem ser visualizados na lista abaixo:

  • Partidos de oposição (judaicos): 48 cadeiras
  • Partidos árabes (Raam e Lista Unificada): 19 cadeiras
  • Total necessário para maioria: 61 cadeiras
  • Aliança potencial (oposição + árabes): 67 cadeiras

O líder da oposição, Gadi Eisenkot, ainda não definiu se aceitará a parceria. Ex‑chefe militar de perfil centrista, Eisenkot compartilha algumas posições de segurança de Netanyahu, mas insiste que qualquer governo deve ser “sionista” e reconhecer Israel como Estado judeu, democrático e liberal. Ele também exige que o Hamas seja reconhecido como organização terrorista, condição que os líderes árabes rejeitaram em negociações anteriores.

Os partidos árabes já tiveram experiência no governo durante 2021‑2022, quando Mansur Abbas, líder do Raam, integrou uma coalizão de curta duração. Abbas declarou estar disposto a repetir a experiência, caso haja garantias de respeito aos direitos de sua comunidade. Já Yusef Jabareen, líder da Lista Unificada, afirmou à AFP que apoiaria Eisenkot no Parlamento sem exigir participação no executivo.

Desafios e perspectivas para a formação de governo

O presidente Isaac Herzog deve, na quinta‑feira, 5 de novembro, encarregar Netanyahu ou Eisenkot de tentar montar um novo governo. Essa decisão será crucial para determinar se a aliança proposta pelos manifestantes ganhará força política. Enquanto isso, a sociedade civil continua dividida, com protestos simultâneos de apoio e oposição ao atual governo.

Analistas apontam que a relutância de alguns partidos de direita em dialogar com os árabes pode impedir a formação de uma maioria estável. Por outro lado, a pressão popular nas ruas indica que uma parcela significativa da população deseja uma solução que inclua representantes árabes. A capacidade de Eisenkot de equilibrar demandas de segurança com concessões políticas será decisiva.

Se a aliança for concretizada, o governo resultante precisará enfrentar desafios como a crise econômica, a segurança nas fronteiras e a questão do status de Jerusalém. Além disso, a relação com a comunidade palestina na Cisjordânia e em Gaza permanecerá um ponto sensível, exigindo políticas que evitem escaladas de violência.

Em contraste, caso a oposição rejeite a parceria, o Knesset permanecerá fragmentado, aumentando a probabilidade de novas eleições ou de um governo de unidade nacional de curta duração. Essa situação poderia prolongar a instabilidade política e aprofundar a polarização entre judeus e árabes dentro de Israel.

Os próximos dias serão decisivos para observar se a pressão das ruas conseguirá transformar a retórica em ação parlamentar. O futuro de Israel dependerá, em grande medida, da capacidade dos líderes de construir pontes entre comunidades historicamente separadas, ao mesmo tempo em que garantem a segurança nacional.

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