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Produtores da Nova Alta Paulista enfrentam baixa rentabilidade na safra de urucum de 2026

A safra de urucum de 2026 tem gerado preocupação entre agricultores da Nova Alta Paulista, a principal região produtora da semente no estado de São Paulo. O problema se intensifica neste ano, com preços que não cobrem os custos de produção. Como resultado, a margem de lucro está muito abaixo do esperado.

Desafios climáticos na região

O clima irregular tem sido apontado como o maior vilão pelos produtores. Em áreas como Osvaldo Cruz, a falta de chuvas no início do plantio atrasou a germinação dos pés de urucum-anão.

Já na fase de colheita, chuvas intensas provocaram o inchaço dos frutos, impedindo a secagem adequada e elevando a umidade acima do limite aceito pela indústria.

Essas variações climáticas forçaram os agricultores a repetir visitas ao campo, aumentando o consumo de combustível e de mão‑de‑obra.

Impactos econômicos nos pequenos produtores

Maria Aparecida Fafreto, produtora de Osvaldo Cruz, cultivou mil pés de urucum‑anão em sua primeira safra. Apesar de seguir boas práticas de manejo, ela precisou recolher os frutos em três momentos diferentes para evitar a perda de qualidade.

Com a venda dos grãos entre R$ 12 e R$ 13 o quilo, o custo de produção – que inclui preparo do solo, fertilizantes, herbicidas e transporte – superou a receita, gerando prejuízo.

Marcos Everaldo Altrão, de Junqueirópolis, viu sua produção cair 25% em relação ao ciclo anterior, chegando a apenas 15 toneladas a partir de 30 mil pés plantados.

Ele destaca que sementes com umidade acima de 12% são rejeitadas pelos compradores, o que reduz ainda mais o volume negociável.

Estratégias adotadas para mitigar perdas

Os produtores têm buscado alternativas para melhorar a rentabilidade sem comprometer a qualidade dos grãos. Entre as medidas adotadas, destacam‑se:

  • Uso de herbicidas de ação rápida para substituir a capina manual, reduzindo custos de mão‑de‑obra.
  • Instalação de sistemas de drenagem e cobertura de solo que ajudam a controlar a umidade durante a colheita.
  • Parcerias com cooperativas para negociação coletiva, buscando preços mais estáveis no mercado.
  • Investimento em tecnologias de monitoramento climático, como sensores de umidade do solo e aplicativos de previsão de chuva.

Além disso, alguns agricultores estão diversificando a produção, intercalando o urucum com culturas de ciclo curto, como milho e feijão, para garantir fluxo de caixa durante períodos de baixa demanda.

O engenheiro agrônomo Eduardo Ribeiro alerta que a alta oferta de urucum não foi acompanhada por demanda suficiente, mas acredita que o aumento dos investimentos da indústria alimentícia em corantes naturais pode reverter esse quadro nos próximos anos.

Ele recomenda que os produtores acompanhem as tendências de consumo de produtos orgânicos e naturais, pois esses segmentos tendem a valorizar o urucum como ingrediente funcional.

Perspectivas para o futuro da safra

Embora o cenário atual seja desafiador, especialistas apontam que a demanda global por corantes naturais está em crescimento constante, impulsionada por regulamentações mais rígidas sobre aditivos sintéticos.

Esse movimento pode abrir novas oportunidades de exportação, especialmente para mercados da Europa e da Ásia, que pagam preços premium por produtos certificados.

Para aproveitar esse potencial, os produtores da Nova Alta Paulista precisam investir em certificação de qualidade, rastreabilidade e práticas sustentáveis, requisitos cada vez mais exigidos pelos compradores internacionais.

Em resumo, a safra de urucum de 2026 evidencia a vulnerabilidade dos pequenos agricultores frente a fatores climáticos e de mercado, mas também demonstra a capacidade de adaptação por meio de inovação tecnológica e alianças estratégicas.

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