Na manhã da segunda‑feira, 14 de setembro de 2026, duas importantes institutos de pesquisa divulgaram seus levantamentos sobre a corrida presidencial que tem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) como principais candidatos. As sondagens foram publicadas logo após a série de quebras de sigilo no Supremo Tribunal Federal, que começaram na semana anterior e têm repercutido em todo o cenário político.
Contexto das quebras de sigilo no Supremo Tribunal Federal
O ponto de partida da controvérsia foi a determinação do ministro André Mendonça para que fossem reveladas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. As conversas sugeriam um contato direto entre o setor financeiro e a alta magistratura, gerando suspeitas de influência indevida.
Com a divulgação parcial dos diálogos, o STF passou a ser palco de uma batalha institucional. Uma sessão plenária foi agendada para o dia 15 de setembro, com o objetivo de decidir se Moraes deveria ser alvo de investigação. A decisão, caso fosse favorável à abertura de inquérito, poderia alterar drasticamente a percepção pública sobre a imparcialidade do Judiciário.
Além disso, uma nova audiência está marcada para o dia 23 de setembro, quando se avaliará se o próprio Mendonça agiu de forma irregular ao conduzir a quebra de sigilo, possivelmente beneficiando o candidato Flávio Bolsonaro. O desfecho dessas discussões pode influenciar não só a imagem dos ministros, mas também a confiança dos eleitores nas instituições democráticas.
Resultados preliminares das pesquisas presidenciais
Os institutos Quaest e Nexus foram os primeiros a publicar seus números nesta semana. Ambos apontaram uma leve redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, embora o presidente ainda mantenha a liderança em quase todos os cenários modelados.
Em detalhes, a Quaest mostrou que Lula detém 45% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 38%. O candidato do Avante, escritor Augusto Cury, permanece em terceiro lugar com 9%, indicando estagnação após um período de crescimento nas semanas anteriores.
A Nexus, por sua vez, registrou 47% para Lula e 36% para Flávio Bolsonaro, com Cury novamente em 8%. As diferenças entre as duas pesquisas refletem variações metodológicas, mas ambas confirmam a tendência de estreitamento da disputa.
Além dos números de intenção de voto, as sondagens incluíram perguntas sobre a confiança nas instituições. Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que as recentes revelações diminuíram a credibilidade do STF, enquanto cerca de 55% acreditam que o caso pode influenciar a decisão de voto nos próximos meses.
- Instituto Quaest – 1.200 entrevistados, margem de erro de 2,5%.
- Instituto Nexus – 1.500 entrevistados, margem de erro de 2,0%.
- Paraná Pesquisas – sem levantamento previsto para a semana.
- Meio/Ideia – sem levantamento previsto para a semana.
Impactos esperados nas candidaturas e no cenário eleitoral
Analistas políticos apontam que o efeito das quebras de sigilo pode se manifestar de duas maneiras distintas. Primeiro, a exposição de possíveis contatos entre o Judiciário e o setor financeiro pode gerar descrédito para os candidatos associados a esses personagens, sobretudo Flávio Bolsonaro, que tem sido alvo de críticas por supostos vínculos com interesses econômicos.
Segundo, a percepção de que o STF está envolvido em disputas internas pode gerar um efeito de solidariedade entre eleitores que veem o presidente Lula como um estabilizador institucional. Essa dinâmica pode explicar a manutenção da liderança de Lula, ainda que com margem reduzida.
Outros fatores também entram em jogo. O desempenho econômico do país, a aprovação das políticas sociais do governo e a agenda de combate à corrupção continuam sendo variáveis decisivas nas decisões dos eleitores. Assim, as pesquisas ainda precisam capturar a complexidade desses elementos para oferecer um panorama mais preciso.
Por fim, a continuidade das investigações no STF pode criar um ciclo de notícias que alimentará o debate público nas semanas que antecedem a campanha oficial. Caso as audiências de 15 e 23 de setembro resultem em decisões controversas, é provável que novos institutos de pesquisa, como o Ibope e o Datafolha, publiquem levantamentos adicionais para medir o impacto imediato nos índices de intenção de voto.








