O rei Mohammed VI nomeou, nesta terça‑feira, 29 de setembro de 2024, Fatima El Mansouri como chefe de governo do Marrocos, marcando a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo mais alto do executivo no país. A nomeação ocorreu logo após a vitória do Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM) nas eleições parlamentares, reforçando a importância do resultado eleitoral para a decisão real.
Resultados eleitorais e nomeação
Nas eleições realizadas na última quinta‑feira, 23 de setembro, o PAM conquistou 97 das 395 cadeiras da Câmara dos Representantes, ficando em primeiro lugar entre os partidos concorrentes. Embora o número de assentos não tenha alcançado a maioria absoluta de 198, a posição de liderança garantiu ao partido o direito constitucional de ter seu representante indicado ao trono para formar o governo.
De acordo com a Constituição marroquina, o monarca deve nomear como chefe de governo um membro do partido que obtiver o maior número de cadeiras. Assim, o rei Mohammed VI seguiu o procedimento previsto ao escolher Fatima El Mansouri, que já ocupava a pasta de Planejamento Territorial, Habitação e Política Urbana.
Com a nomeação, El Mansouri enfrenta a tarefa de montar uma coalizão que assegure a maioria parlamentar. O PAM precisará negociar com partidos menores para alcançar as 198 cadeiras necessárias para aprovar seu programa de governo e garantir estabilidade política nos próximos anos.
Trajetória política de Fatima El Mansouri
Nascida em Marrakesh em 1976, Fatima El Mansouri graduou‑se em direito pela Universidade de Montpellier, na França, antes de iniciar sua carreira como advogada. Seu ingresso na política aconteceu ao se filiar ao PAM, partido fundado em 2008, que se posiciona como uma força moderada e reformista dentro do espectro marroquino.
A primeira vitória eleitoral de El Mansouri ocorreu em 2009, quando foi eleita prefeita de Marrakesh, tornando‑se a primeira mulher a ocupar esse cargo histórico. Durante seu primeiro mandato, ela implementou projetos de revitalização urbana, melhorou a infraestrutura de transportes e promoveu políticas de inclusão social que foram amplamente reconhecidas.
Após concluir seu primeiro período como prefeita em 2015, El Mansouri retornou à cena política nacional, assumindo a pasta de Planejamento Territorial, Habitação e Política Urbana em 2020. Nesse cargo, ela liderou iniciativas de desenvolvimento sustentável, focando na construção de habitações acessíveis e na modernização das cidades marroquinas.
Em 2024, ela foi eleita uma das líderes do PAM, consolidando sua influência dentro do partido e preparando o terreno para a nomeação ao governo. Sua experiência administrativa e seu histórico de gestão urbana foram citados como fatores decisivos para a escolha real.
Desafios e expectativas para o novo governo
O próximo governo terá que enfrentar uma série de desafios estruturais, entre eles a necessidade de criar uma maioria estável na Câmara dos Representantes, a implementação de reformas econômicas e a resposta às demandas de justiça social. Abaixo, listamos os principais pontos que a nova chefia deverá abordar:
- Construir uma coalizão parlamentar que ultrapasse as 198 cadeiras necessárias para garantir a aprovação de leis.
- Desenvolver um plano de recuperação econômica pós‑pandemia, com foco em geração de empregos e apoio a pequenas e médias empresas.
- Avançar em políticas de igualdade de gênero, reforçando a presença de mulheres em cargos de liderança e promovendo direitos trabalhistas.
- Implementar reformas no sistema de habitação, ampliando o acesso a moradias dignas em áreas urbanas e rurais.
- Fortalecer a cooperação internacional, especialmente nas áreas de energia renovável e comércio com a União Europeia.
Além dos aspectos legislativos, a nova chefia também deverá lidar com questões de segurança interna, incluindo a prevenção de extremismo e a manutenção da estabilidade nas regiões periféricas. A experiência de El Mansouri em planejamento urbano pode ser um diferencial na abordagem de problemas de urbanização desordenada e de infraestrutura deficiente.
Do ponto de vista social, a nomeação de uma mulher ao cargo mais alto do executivo tem um significado simbólico profundo. Organizações de direitos das mulheres celebraram a conquista como um marco para a igualdade de gênero no Norte da África, apontando que a presença feminina em posições de poder pode inspirar novas gerações a buscar carreiras políticas.
Reações internas ao nomeamento foram amplamente positivas, com líderes de partidos aliados elogiando a escolha e destacando a competência administrativa de El Mansouri. Contudo, alguns críticos apontaram a necessidade de transparência nas negociações de coalizão e a urgência de reformas estruturais que ainda não foram plenamente discutidas.
Internacionalmente, a nomeação foi recebida como um passo significativo para a modernização política do Marrocos. Embaixadas europeias emitiram comunicados ressaltando a importância da diversidade de gênero na liderança e reforçando o compromisso de cooperação bilateral em áreas estratégicas.
Em síntese, Fatima El Mansouri assume um cargo histórico em um momento de transição política e econômica. Seu sucesso dependerá da capacidade de articular alianças parlamentares, implementar reformas concretas e manter a confiança da população em um contexto de desafios complexos.








