Nos últimos dias, uma falsa informação circulou nas redes sociais alegando que Flávio Bolsonaro apoiaria um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O boato, que ganhou força após ser mencionado na Globonews, foi desmentido pelo próprio candidato e por sua campanha. Apesar do esclarecimento, diversos políticos de esquerda contribuíram para que a notícia se espalhasse rapidamente online.
Contexto da desinformação
A jornalista Maria Cristina Fernandes citou um suposto “movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos” que estaria promovendo um projeto de lei para retirar o título de padroeira. A emissora, posteriormente, corrigiu a informação, afirmando que a proposta original foi apresentada em 2007 e arquivada em 2008. Ainda assim, a narrativa encontrou ressonância entre usuários das plataformas digitais.
O cenário político brasileiro, marcado por polarização, favorece a circulação de notícias sensacionalistas, principalmente quando envolvem símbolos religiosos e figuras públicas. A combinação de medo, identidade religiosa e disputa eleitoral cria um terreno fértil para que fake news se tornem virais.
Quem ajudou a espalhar a notícia
Um levantamento realizado com o software Brandwatch identificou os parlamentares que mais contribuíram para o engajamento da fake news. O ranking destaca nomes que, por meio de postagens em X, Facebook e outras redes, amplificaram o conteúdo.
Em primeiro lugar, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) publicou um post no X que recebeu mais de 40 mil curtidas. Embora reconheça que a proposta é de 2007 e já arquivada, ela alerta para a possibilidade de o tema ressurgir no debate público, vinculando a preocupação ao potencial uso político por Flávio Bolsonaro.
Em segundo lugar, o vereador Alessandro Guedes (SP) também compartilhou a informação, gerando milhares de interações e contribuindo para a disseminação da narrativa.
O terceiro colocado foi o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), que reproduziu a fake news afirmando que Flávio propôs retirar o título de padroeira. Seu post no Facebook, com mais de 8 mil curtidas, ainda zombou do desmentido do candidato, reforçando a percepção de manipulação.
- Erika Hilton (PSOL-SP)
- Alessandro Guedes (vereador-SP)
- Ivan Valente (PSOL-SP)
- Alencar Santana (PT-SP)
- Pedro Rousseff (vereador-MG)
- Jandira Feghali (PCdoB-RJ)
- Anielle Franco (PT-RJ)
- Maurici (PT-SP)
- Rick Azevedo (vereador-RJ)
- Divaneide (PT-RN)
- Leleco Pimentel (PT-MG)
- Tadeu Veneri (PT-PR)
- Lohanna (PV-MG)
- Chico Alencar (PSOL-RJ)
- Padre João (PT-MG)
- Tarcísio Motta (PSOL-RJ)
- Miguel Rossetto (PT-RS)
- Andreia de Jesus (PT-MG)
- Chico Vigilante (PT-DF)
- Jorge Solla (PT-BA)
Além desses nomes, outros parlamentares de diferentes partidos também participaram da corrente, reforçando a ideia de que a desinformação atravessa espectros ideológicos quando há oportunidade de ganho político.
Repercussões e respostas
A correção feita pela Globonews e o desmentido oficial de Flávio Bolsonaro não foram suficientes para conter o alcance da fake news. O episódio evidencia a dificuldade de reverter informações já amplamente compartilhadas, sobretudo quando o conteúdo toca em símbolos religiosos profundamente arraigados na cultura nacional.
Especialistas em comunicação digital apontam que a rapidez da disseminação supera, em muitos casos, a velocidade das respostas oficiais. Estratégias de checagem de fatos e a educação midiática da população são apontadas como medidas de longo prazo para mitigar o impacto de notícias falsas.
Para os políticos citados, a participação na propagação da fake news pode trazer consequências reputacionais, sobretudo em um cenário eleitoral onde a credibilidade é um bem escasso. No entanto, a prática de amplificar narrativas controversas continua sendo uma ferramenta comum de mobilização de bases eleitorais.
O caso também reacendeu o debate sobre a relação entre religião e política no Brasil. Enquanto alguns defendem a separação estrita entre Estado e Igreja, outros veem a presença de símbolos religiosos como elemento de identidade nacional, o que pode ser explorado tanto para fins de união quanto de divisão.
Em síntese, a falsa alegação sobre a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida demonstra como notícias enganosas podem se transformar em armas políticas, impulsionadas por figuras públicas que, intencionalmente ou não, alimentam o ciclo de desinformação.








