A Polícia Federal (PF) iniciou investigação sobre a morte de Kathlyn Izabel Becker, de 28 anos, cujo corpo foi encontrado em um quarto de hotel em Zagreb, Croácia, no dia 22 de agosto. O caso ganhou atenção nacional após a família solicitar apoio diplomático e forense. A certidão de óbito aponta causa indeterminada, o que motivou a abertura de procedimento investigativo.
Contexto da viagem e expectativas da família
Kathlyn, natural de Ji‑Paraná, Rondônia, recebeu uma proposta de trabalho na Sérvia que prometia um salário capaz de custear o tratamento oncológico do pai, acometido por osteomielite. A família, que dependia da renda extra, apoiou a decisão da jovem de buscar a oportunidade no exterior.
Ao chegar à Sérvia, Kathlyn foi informada de que a vaga já havia sido preenchida, gerando surpresa e frustração. Segundo relatos familiares, ela teria sido abordada por pessoas não identificadas que lhe ofereceram uma alternativa de viagem para a Croácia, sem esclarecer o motivo da mudança.
O desaparecimento de contato ocorreu em 23 de agosto, quando Kathlyn não respondeu às mensagens nem às ligações da família. Diante da ausência de notícias, os parentes recorreram à Embaixada do Brasil em Zagreb, buscando informações sobre a situação da cidadã.
Circunstâncias da morte e descoberta do corpo
Em 27 de agosto, a embaixada informou que o corpo da brasileira havia sido encontrado morto em um quarto de hotel cinco dias antes, no dia 22 de agosto. A descoberta foi feita por funcionários do estabelecimento, que acionaram as autoridades locais.
A certidão de óbito, emitida em 4 de setembro, não especificou a causa da morte, classificando-a como indeterminada. Essa lacuna de informação gerou dúvidas sobre possíveis homicídio, overdose ou causas naturais.
O Instituto Médico Legal de Zagreb foi encarregado de realizar necropsia e exames laboratoriais. O advogado da família, Joaci Ferreira da Silva, solicitou o acesso aos laudos completos, alertando que a análise poderia levar de três a quatro meses para ser concluída.
Procedimentos da Polícia Federal e cooperação internacional
A PF recebeu a solicitação de investigação da família e iniciou contato com as autoridades croatas. O caso foi registrado na polícia de Zagreb, que reteve pertences pessoais de Kathlyn, como documentos, celular e bagagem, para auxiliar nas apurações.
O objetivo da PF é garantir que todas as provas sejam preservadas, solicitar a cooperação do Instituto Médico Legal e obter cópias autenticadas dos exames. A agência também está avaliando a possibilidade de abrir investigação criminal no Brasil, caso haja indícios de crime internacional.
Para viabilizar o retorno do corpo ao Brasil, a família organizou uma campanha de arrecadação online, que cobriu despesas de traslado, documentos de repatriação e custos funerários. O esforço coletivo contou com a participação de amigos, conhecidos e desconhecidos, demonstrando solidariedade nacional.
Retorno ao Brasil, sepultamento e desdobramentos futuros
O corpo de Kathlyn foi trazido ao Brasil em setembro, após a conclusão das formalidades consulares. O sepultamento ocorreu em Ji‑Paraná no dia 14 de setembro, com a presença de familiares, amigos e representantes da comunidade local.
Enquanto a família aguarda os resultados da necropsia, a PF mantém contato constante com as autoridades croatas para monitorar o andamento das investigações. O caso tem despertado discussões sobre a segurança de brasileiros em viagens internacionais e a necessidade de apoio consular mais ágil.
- 23/08 – Família perde contato com Kathlyn.
- 27/08 – Embaixada informa a morte.
- 04/09 – Emissão da certidão de óbito sem causa definida.
- 14/09 – Sepultamento em Ji‑Paraná.
- Próximos meses – Análise dos laudos forenses.
Especialistas em direito internacional ressaltam a importância de protocolos claros entre as polícias de diferentes países, sobretudo em casos de morte de estrangeiros. A cooperação entre a PF e a polícia de Zagreb pode servir de modelo para futuras situações semelhantes.
Além do aspecto jurídico, o caso evidencia vulnerabilidades de jovens que buscam oportunidades no exterior sem o devido acompanhamento. Organizações de apoio a migrantes recomendam que viajantes mantenham contato constante com familiares e consulados, e que verifiquem a idoneidade de empregadores e intermediários.
O Ministério das Relações Exteriores também anunciou a revisão de procedimentos de apoio a cidadãos brasileiros em situações de emergência no exterior, visando acelerar a comunicação e o acesso a serviços consulares.
Em entrevista, o advogado Joaci Ferreira da Silva destacou que a transparência dos laudos forenses será crucial para esclarecer as circunstâncias da morte e, se necessário, acionar a justiça. Ele reforçou a necessidade de que a PF continue acompanhando o caso de perto, garantindo que nenhum detalhe seja negligenciado.
Até o momento, não há indícios de envolvimento de redes de tráfico ou crime organizado, mas a investigação permanece aberta. A PF segue analisando as informações coletadas, incluindo depoimentos de funcionários do hotel e registros de movimentação do celular da vítima.
O caso de Kathlyn Becker traz à tona a importância de políticas públicas que assegurem a proteção de brasileiros em trânsito internacional, bem como a necessidade de campanhas de conscientização sobre os riscos de aceitar propostas de emprego sem verificação prévia.
Com a expectativa de que os laudos forenses sejam divulgados nos próximos meses, a família mantém a esperança de obter respostas definitivas e, se for o caso, buscar justiça pelos possíveis responsáveis.








