A Polícia Federal realizou, na última quarta‑feira (28), uma operação no Aeroporto Internacional de Guarulhos que resultou na prisão preventiva de um funcionário suspeito de enviar cocaína ao exterior. A ação, denominada Operação Roda, Roda, Vira, foi coordenada para desmantelar um esquema que utilizava a área de carga do terminal para exportar a droga rumo a Lisboa, em Portugal.
Operação Roda, Roda, Vira: os primeiros passos da investigação
A investigação da PF teve início após a apreensão, em julho deste ano, de cerca de 150 quilos de cocaína em três bagagens localizadas no compartimento de carga de um voo que partiu de Guarulhos com destino a Lisboa. Esse episódio desencadeou um trabalho de inteligência que apontou para a participação de funcionários terceirizados do aeroporto.
Os agentes identificaram duas pessoas que, segundo o relatório policial, teriam agido em duas ocasiões distintas, introduzindo a droga na zona perimetral do terminal e, em seguida, colocando‑a no compartimento de carga das aeronaves que seguiam para Portugal.
Como o esquema de tráfico operava dentro do aeroporto
O método utilizado pelos suspeitos combinava conhecimento interno com recursos logísticos simples, permitindo a movimentação da droga sem despertar a atenção das autoridades aeroportuárias.
- Um dos investigados atuava na área de segurança e utilizava uma viatura de ronda para observar a aproximação de policiais e de outros profissionais que circulavam pelo perímetro.
- Ele aproveitava os momentos de menor vigilância para inserir pequenos pacotes de cocaína nas áreas de carga, onde seriam carregados nas aeronaves de carga ou nos compartimentos de bagagem de passageiros.
- Em outra ocasião, o segundo suspeito, também terceirizado, colaborou na manipulação das bagagens, garantindo que os pacotes permanecessem ocultos até o momento da decolagem.
Esse procedimento permitia que a droga fosse transportada de forma discreta, já que as bagagens de carga não são submetidas ao mesmo nível de inspeção de segurança que as bagagens de passageiros.
Desdobramentos da operação policial no dia 28
No dia da ação, a PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão. Um dos alvos já havia sido detido antes da divulgação pública da operação, enquanto o segundo ainda estava foragido até o momento da execução dos mandados.
Durante as buscas, os policiais apreenderam uma motocicleta, um automóvel, diversos aparelhos celulares e aproximadamente R$ 300 mil em dinheiro.
O montante confiscado incluía R$ 286 mil em moeda corrente brasileira e US$ 6,8 mil, valores que, segundo a investigação, estariam ligados ao financiamento das atividades ilícitas do grupo.
Impacto imediato e repercussões no aeroporto
A prisão de um funcionário interno gera preocupação entre as autoridades aeroportuárias, que agora reforçarão os protocolos de controle de acesso e intensificarão a fiscalização nas áreas de carga.
Além disso, a operação serviu como alerta para outras rotas internacionais que utilizam o Aeroporto de Guarulhos como ponto de partida, evidenciando a necessidade de cooperação entre agências de segurança nacional e estrangeira.
Representantes da administração do aeroporto declararam que serão adotadas medidas adicionais de treinamento para os colaboradores terceirizados, bem como a implantação de tecnologias de rastreamento mais avançadas nas áreas de carga.
Próximas etapas da investigação
A Polícia Federal informou que as investigações continuam em curso, com o objetivo de identificar todos os membros da organização criminosa e mapear a extensão da rede de tráfico internacional que utilizava o aeroporto como ponto de apoio.
Os investigadores estão analisando os aparelhos celulares apreendidos, bem como os registros de movimentação de carga e de pessoal, para localizar possíveis cúmplices que ainda não foram identificados.
Também está sendo solicitada a cooperação das autoridades portuguesas, que já iniciaram procedimentos para rastrear a carga interceptada e verificar se outras remessas foram enviadas em voos subsequentes.
O Ministério da Justiça destacou que o caso reforça a importância de estratégias integradas de combate ao tráfico de drogas, que combinam ações de inteligência, controle de fronteiras e cooperação internacional.
Enquanto isso, a sociedade civil tem acompanhado o caso com atenção, exigindo maior transparência nas operações aeroportuárias e maior rigor na seleção e monitoramento de funcionários terceirizados.
Especialistas em segurança aeroportuária apontam que a vulnerabilidade identificada pode ser mitigada por meio de auditorias regulares, sistemas de vigilância por vídeo de alta resolução e protocolos de verificação cruzada entre diferentes áreas operacionais.
Em síntese, a Operação Roda, Roda, Vira não só resultou na prisão de um suspeito, mas também expôs fragilidades que demandam respostas rápidas e coordenadas de todos os atores envolvidos no fluxo de passageiros e cargas internacionais.








