Um levantamento recente da BTG/Nexus mostrou que, apesar de grande parte da população economicamente ativa (PEA) sentir que sua situação financeira melhorou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu transformar essa sensação em vantagem nas intenções de voto. A pesquisa foi realizada entre 4 e 7 de setembro de 2024, com entrevistas telefônicas a 2.002 brasileiros.
Melhora econômica percebida pelos trabalhadores formais
Entre os empregados com carteira assinada, 43% afirmam que suas finanças pessoais estão “muito melhor” ou “um pouco melhor” em comparação com a gestão anterior de Jair Bolsonaro. Esse número supera os 33% que relatam piora e os 22% que consideram a situação estável.
Os dados indicam que a maioria dos formais percebe um alívio no custo de vida, graças a fatores como a queda da inflação e a retomada de salários. No entanto, a percepção de melhora não se traduz automaticamente em apoio ao governo.
Preferência eleitoral dos formais
Quando a pergunta mudou para a intenção de voto, o cenário se inverteu drasticamente. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, lidera com 51% de preferência entre os formais, enquanto Lula registra 39%.
Essa divergência sugere que, para esse segmento, questões além da economia exercem maior peso na decisão de voto. Segurança pública, combate à corrupção e valores morais aparecem como temas recorrentes nas conversas dos eleitores.
Percepção e voto entre os informais
Os trabalhadores informais apresentam ainda maior otimismo: 46% dizem que seu poder de compra melhorou, contra 30% que percebem piora e 20% que consideram a situação igual.
Apesar desse cenário mais favorável, a intenção de voto dos informais está empatada: 45% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, com os 10% restantes indecisos ou apoiando outros candidatos.
O empate evidencia que a sensação de melhora econômica, ainda que mais pronunciada entre os informais, não é suficiente para garantir apoio ao presidente.
Análise dos determinantes do voto
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destaca que a máxima tradicional “a economia decide a eleição” tem limites claros quando se analisa a classe trabalhadora ativa. Ele aponta que, embora haja reconhecimento da melhora financeira, fatores como segurança pública, intolerância à corrupção e valores morais pesam mais na balança decisória.
- Segurança pública: preocupação crescente com violência urbana.
- Corrupção: expectativa de transparência e punição de irregularidades.
- Valores morais: influência de posicionamentos sociais e culturais.
Esses elementos criam um cenário onde o candidato que melhor aborda essas questões pode superar a vantagem econômica percebida. Flávio Bolsonaro tem capitalizado essa agenda, ganhando apoio mesmo em meio a alívio no custo de vida.
Além disso, a pesquisa ressalta que a mensagem do governo sobre a recuperação econômica pode não estar chegando de forma eficaz ao eleitorado da PEA. A falta de comunicação clara ou a percepção de que os benefícios ainda não se refletem no dia a dia podem reduzir o impacto positivo nas urnas.
Em suma, a Nexus conclui que a relação entre percepção econômica e voto é complexa e mediada por múltiplos fatores sociopolíticos. O presidente Lula precisará ajustar sua estratégia, reforçando não apenas os indicadores macroeconômicos, mas também abordando de forma contundente as demandas de segurança, ética e valores que dominam a pauta dos trabalhadores.
Metodologia da pesquisa
A BTG/Nexus conduziu a pesquisa por telefone, entrevistando 2.002 pessoas entre 4 e 7 de setembro de 2024. A amostra abrangeu tanto trabalhadores formais quanto informais, garantindo representatividade da PEA.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Os resultados refletem as opiniões de brasileiros que vivem a realidade econômica do país e que estão aptos a participar do processo eleitoral.








