Em uma pesquisa divulgada nesta segunda‑feira (14) pelo instituto Quaest, 44% dos eleitores brasileiros afirmaram ter mais medo de uma nova gestão do atual presidente, enquanto 42% apontaram maior receio ao retorno da família Bolsonaro ao comando do país. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 13 de setembro, abrangeu todo o território nacional e entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais.
Perfil dos eleitores mais temerosos
Os resultados mostram diferenças marcantes quando a amostra é segmentada por religião, gênero e orientação política. Entre os evangélicos, 54% temem mais a continuação do governo atual, contra 30% que se preocupam com a volta dos Bolsonaro. Já os católicos apresentam o padrão inverso: 48% temem o retorno da família Bolsonaro, enquanto 39% temem outra gestão do presidente.
O medo também se equilibra entre os eleitores que se declaram independentes. Nesse grupo, 36% temem a reeleição do presidente, 36% temem o retorno dos Bolsonaro e 15% apontam medo para ambos os cenários.
Quando analisamos o gênero, as mulheres demonstram uma divisão quase igual: 42% temem cada um dos dois desdobramentos políticos. Nos homens, a tendência se inclina levemente para o medo da reeleição do presidente, com 46% contra 41% que temem o retorno da família Bolsonaro.
Diferenças regionais e por faixa etária
As variações geográficas são ainda mais pronunciadas. No Nordeste, 56% dos entrevistados temem a volta dos Bolsonaro, enquanto apenas 33% temem a reeleição do presidente. No Sul, a situação se inverte: 51% temem uma nova gestão do presidente, contra 36% que temem o retorno da família Bolsonaro.
As diferenças também aparecem entre as faixas etárias. Entre os jovens de 16 a 34 anos, 47% apontam maior medo à reeleição do presidente, enquanto 38% temem o retorno dos Bolsonaro. Já entre os eleitores com 60 anos ou mais, 48% temem o retorno da família Bolsonaro, e 37% temem outra gestão do presidente.
A renda familiar influencia a percepção de risco. Entre os que recebem até dois salários mínimos, 50% temem mais a volta dos Bolsonaro, enquanto 35% temem a reeleição do presidente. Entre quem ganha acima de cinco salários mínimos, 51% temem mais a continuação do governo atual, e 36% temem o retorno da família Bolsonaro.
Impactos políticos e perspectivas
Os números indicam um cenário de empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Isso significa que, estatisticamente, os dois medos são quase equivalentes na população adulta do país.
Para os partidos, a informação pode servir de termômetro de insatisfação e de áreas a serem trabalhadas nas campanhas. O fato de que grupos religiosos, como evangélicos, demonstram maior preocupação com a continuação do governo atual pode orientar estratégias de comunicação voltadas a esse público.
Os analistas também ressaltam que o medo de um retorno da família Bolsonaro está concentrado em regiões tradicionalmente mais conservadoras, como o Nordeste, e entre eleitores católicos. Essa combinação pode gerar um campo de batalha político bastante fragmentado nas próximas eleições.
Além disso, a pesquisa destaca a importância de considerar a margem de erro ao interpretar os resultados. Em grupos menores, como lulistas ou eleitores de direita não bolsonarista, a margem chega a cinco pontos percentuais, o que amplia a incerteza dos números.
Em resumo, a pesquisa Quaest traz à tona um quadro de ansiedade política que se espalha por diferentes camadas da sociedade brasileira. Enquanto alguns temem a continuidade das políticas atuais, outros temem o retorno de um passado marcado pela polarização. O equilíbrio entre esses medos será decisivo para a definição das estratégias de campanha nos próximos meses.
- 44% tem mais medo da reeleição do presidente.
- 42% tem mais medo da volta da família Bolsonaro.
- Margem de erro: ±2 pontos percentuais (nível de confiança 95%).
- Entrevistados: 2.004 pessoas de todo o Brasil.
- Período da coleta: 10 a 13 de setembro.








