Na manhã desta quarta‑feira (21), a Quaest divulgou sua segunda sondagem para o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento aponta um empate técnico, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente por 1 ponto percentual (45%) em relação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registra 44% das intenções de voto. A pesquisa foi realizada em todo o território nacional, entre eleitores aptos a comparecer às urnas no domingo, 25 de outubro.
Contexto e metodologia da pesquisa
A Quaest entrevistou 2.100 eleitores entre os dias 14 e 18 de outubro, usando amostragem aleatória estratificada por região, classe social e faixa etária. O campo foi aplicado por telefone e via internet, garantindo representatividade nos estados mais decisivos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Os resultados mostram que, na pergunta espontânea – quando o entrevistado menciona o candidato sem sugestões – os dois nomes ficam empatados em 40% cada. Essa coincidência reforça a ideia de que a corrida está extremamente equilibrada, sobretudo nos eleitores indecisos.
- Flávio Bolsonaro: 45% nas respostas guiadas.
- Lula: 44% nas respostas guiadas.
- Indecisos: 14%, dobrando o percentual da última pesquisa (7%).
Análise dos indecisos e da rejeição
O salto nos indecisos – de 7% para 14% – é um dos pontos mais críticos apontados pelo diretor da Quaest, Felipe Nunes. Segundo ele, esse aumento indica que uma parcela significativa do eleitorado ainda não se sente segura para escolher entre os dois candidatos, o que pode transformar o domingo em uma disputa de última hora.
Além disso, os índices de rejeição sofreram alterações relevantes: Lula tem 12% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro registra 18%. O medo, medido como a aversão ao candidato, também mudou, com 9% dos eleitores expressando medo em relação a Lula e 13% em relação a Flávio.
Esses números sugerem que, embora a preferência seja quase igual, a percepção negativa pode ser decisiva, pois eleitores que não têm aversão forte a nenhum dos candidatos podem acabar optando por quem considerarem menos rejeitado.
Alienação eleitoral como fator decisivo
Felipe Nunes destaca que a “alienação eleitoral” – o desinteresse ou descrença no processo político – está em alta. Ele estima que cerca de 5% dos eleitores entrevistados afirmaram que não pretendem votar, seja por descrença nas opções ou por cansaço da campanha.
Essa parcela pode ser crucial, pois o número de eleitores que comparecem às urnas costuma ser inferior à taxa de intenção de voto. Caso a alienação se traduza em abstenção, o candidato com maior mobilização de base poderá se beneficiar.
Para mitigar esse risco, ambos os candidatos têm intensificado a presença nas redes sociais e realizado visitas a cidades estratégicas, buscando engajar eleitores que ainda não decidiram.
O que esperar para o domingo
Com a pesquisa indicando um empate técnico, a corrida se torna ainda mais volátil. Analistas apontam que os últimos dias de campanha serão marcados por debates acirrados, anúncios de alianças e possíveis escândalos que podem mudar a percepção dos eleitores.
O papel dos eleitores indecisos será central. Se a maioria desses 14% decidir por Flávio Bolsonaro, ele pode consolidar a vantagem de 1 ponto. Caso optem por Lula, o candidato de esquerda pode virar o placar.
Além disso, a mobilização nas urnas será determinante. As regiões com maior número de eleitores indecisos – como o Centro‑Oeste e o Norte – podem definir o resultado final, já que historicamente apresentam alta taxa de comparecimento.
Em resumo, a pesquisa Quaest reforça a ideia de que o segundo turno será decidido nos últimos momentos de campanha, com indecisos, rejeição e alienação eleitoral como variáveis-chave.








