Nesta semana, duas importantes pesquisas eleitorais divulgaram os resultados que medem a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da eleição presidencial de 2026, realizadas nos dias 14 e 15 de outubro, respectivamente, em todo o território nacional. Os dados apontam tendências de voto, rejeição e percepções sobre temas críticos que podem influenciar a decisão dos eleitores na reta final da campanha.
Intenção de voto e definição dos eleitores
A Quaest, contratada pela Editora Globo, divulgou na quarta‑feira, 14 de outubro, a intenção de voto no embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro. A pesquisa entrevistou 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95 %.
Os resultados mostraram que a maioria dos entrevistados já havia tomado uma decisão definitiva sobre em quem votar, embora uma parcela ainda permanecesse indecisa ou aberta a mudar de escolha nos últimos dias de campanha. O levantamento também avaliou a aprovação do governo Lula e o potencial de voto de cada candidato, indicando variações regionais importantes.
Já o Datafolha, responsável por uma pesquisa realizada entre 13 e 15 de outubro, ouviu 2.520 eleitores em todo o país. Também com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95 %, o levantamento trouxe um panorama complementar ao da Quaest, destacando diferenças nas motivações que levam os eleitores a apoiar um candidato ou a rejeitar o outro.
Rejeição, aprovação e motivação dos eleitores
Ambas as pesquisas dedicaram parte significativa do questionário à medição da rejeição dos candidatos. A Quaest perguntou se os eleitores consideravam o adversário inaptos ou indesejáveis, enquanto o Datafolha indagou se a escolha era motivada pelo desejo de impedir a vitória do oponente.
Além disso, foram analisados os níveis de aprovação do governo Lula, permitindo comparar a percepção de desempenho da gestão com a atratividade dos candidatos na disputa. O Datafolha também investigou se a preferência era baseada na percepção de quem seria o mais preparado para governar, trazendo um elemento de avaliação de competência ao cenário político.
Os números de rejeição revelaram que, embora ambos os candidatos mantenham bases eleitorais sólidas, há um contingente expressivo de eleitores que ainda não confia plenamente em nenhum dos dois. Esse grupo pode se tornar decisivo, sobretudo em estados com margens apertadas.
Temas e propostas em debate nas pesquisas
Além da corrida presidencial, as duas instituições avaliaram a opinião dos brasileiros sobre questões estruturais que dominam o debate público. A Quaest incluiu perguntas sobre:
- Jornada de trabalho e propostas de flexibilização.
- Alterações nas regras de funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
- Anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro.
- Políticas de segurança pública e combate à criminalidade.
O Datafolha, por sua vez, abordou temas diferentes, como:
- Redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
- Criação de mandatos fixos para ministros do STF.
- Exigência de decisões colegiadas para assuntos de grande relevância da Corte.
- Redução do foro privilegiado.
Ambas as pesquisas ainda questionaram os eleitores sobre modelos de mandato para presidentes e governadores, com ou sem direito à reeleição, e sobre a percepção da democracia brasileira diante da polarização política. As respostas indicam que a população está atenta não apenas ao candidato, mas também ao futuro institucional do país.
Outro ponto investigado foi a capacidade de diálogo entre pessoas com opiniões divergentes. A Quaest e o Datafolha mediram o grau de tolerância ao discurso oposto, revelando um panorama de polarização que pode influenciar a mobilização nas urnas.
Metodologia e credibilidade dos levantamentos
Os dois institutos seguem rigorosos padrões metodológicos. A Quaest, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR‑08729/2026, utilizou amostragem probabilística estratificada por região, idade, gênero e nível educacional, garantindo representatividade nacional.
O Datafolha, registrado no TSE sob o número BR‑00466/2026, aplicou metodologia similar, com entrevistas presenciais e telefônicas, além de controle de qualidade nas respostas. Ambos os institutos asseguram que a margem de erro de dois pontos percentuais se mantém dentro dos limites aceitáveis para pesquisas de grande escala.
Essas garantias metodológicas reforçam a confiabilidade dos números divulgados, permitindo que partidos, candidatos e analistas políticos utilizem os dados como base para estratégias de campanha e decisões de comunicação nos últimos dias antes da votação.
Impacto esperado na campanha
Os resultados das pesquisas podem influenciar diretamente a dinâmica da campanha. Candidatos que percebem aumento de rejeição tendem a ajustar mensagens, focar em propostas específicas ou buscar alianças estratégicas para ampliar sua base.
Por outro lado, um aumento na intenção de voto pode reforçar a confiança das equipes de campanha, permitindo a intensificação de ações de mobilização e presença nas redes sociais. As informações sobre temas como maioridade penal e foro privilegiado também podem direcionar o debate público, já que candidatos buscam alinhar suas propostas às demandas mais sentidas pelos eleitores.
Em resumo, as duas pesquisas oferecem um panorama detalhado da disputa presidencial, combinando indicadores de voto, rejeição, aprovação governamental e opiniões sobre questões estruturais. Esse conjunto de dados será fundamental para compreender como os eleitores estão posicionados na reta final da corrida e quais fatores poderão determinar o resultado no segundo turno.








