Uma semana antes da votação do segundo turno da eleição presidencial, as últimas pesquisas apontam para um empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os levantamentos foram divulgados entre os dias 14 e 17 de outubro, com foco nas capitais e regiões metropolitanas de todo o país. O cenário indica que a disputa está cada vez mais equilibrada, refletindo a volatilidade do eleitorado brasileiro.
Cenário das últimas pesquisas
Nos cinco institutos que divulgaram resultados nos últimos dias, Flávio Bolsonaro aparece à frente em três pesquisas e empatado em duas. A pesquisa Ipespe/Abrapel, publicada no sábado, 17 de outubro, mostrou 51,2% dos votos válidos para o senador, contra 48,8% para Lula, uma diferença de 2,4 pontos percentuais. Na rodada anterior, Flávio registrava 52,7% e Lula 47,3%, o que indica uma leve redução da vantagem.
O PoderData/Aya, por sua vez, divulgou um empate perfeito: 50% dos votos válidos para cada candidato, com margem de erro de 1,8 ponto percentual. Já a CNT/MDA apresentou 50,5% para Flávio e 49,5% para Lula, configurando também um empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos.
O Datafolha, divulgado em 15 de outubro, apontou 47% de intenção de voto para Flávio e 45% para Lula. Quando considerados apenas os votos válidos, o placar mudou para 51% a 49% a favor do senador. Por fim, a Genial/Quaest registrou 46% para Flávio e 44% para Lula, sem divulgar a taxa de votos válidos.
- Ipespe/Abrapel – 51,2% x 48,8%
- PoderData/Aya – 50% x 50%
- CNT/MDA – 50,5% x 49,5%
- Datafolha – 47% x 45% (votos válidos 51% x 49%)
- Genial/Quaest – 46% x 44%
Análise das margens de erro e dos votos válidos
É fundamental distinguir entre votos totais e votos válidos. Enquanto os votos totais incluem brancos, nulos e indecisos, os votos válidos excluem essas categorias, oferecendo uma medida mais precisa da preferência entre os eleitores decididos. Em alguns levantamentos, a diferença entre os candidatos nos votos válidos foi de apenas 1 ponto percentual, dentro da margem de erro.
No cenário estimulado do Ipespe, onde os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio tem 48% das intenções de voto e Lula 46%, com brancos e nulos somando 3% e 3% de indecisos. Essa variação está dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais, indicando que pequenas oscilações podem mudar o resultado final.
O PoderData mostrou uma queda da vantagem de Flávio nos votos válidos, que passou de 53% em 8 de outubro para 50% na pesquisa mais recente, enquanto Lula subiu de 47% para 50%. Essa convergência reforça a ideia de que a corrida está se estreitando à medida que o eleitorado se mobiliza para o segundo turno.
Tendências entre grupos eleitorais
Os recortes do Ipespe revelam diferenças marcantes entre perfis demográficos. Entre os homens, Flávio lidera com 53% contra 41% de Lula, enquanto entre as mulheres a vantagem se inverte, com Lula obtendo 55% e Flávio 45%. Esses números apontam para uma polarização de gênero que pode influenciar a estratégia de campanha nos próximos dias.
Em relação a eleitores de figuras públicas, o estudo indicou que 50% dos eleitores de Augusto Cury pretendem votar em Flávio, enquanto 31% optam por Lula. Entre os seguidores de Ronaldo Caiado, a preferência por Flávio sobe para 59%, com apenas 18% inclinados a apoiar o ex-presidente. Já no eleitorado de Renan Santos, Flávio tem 40% de apoio e Lula 20%, com 32% declarando voto branco ou nulo.
Os dados também mostram alta fidelidade partidária: 97% dos entrevistados que disseram ter votado em Flávio nas primeiras rodadas mantêm a intenção de voto, e 96% dos eleitores de Lula permanecem firmes. Essa lealdade sugere que a disputa dependerá mais da mobilização de eleitores indecisos do que de mudanças de preferência entre bases consolidadas.
Além dos grupos acima, outras categorias demonstraram variações relevantes. Eleitores jovens (18 a 24 anos) apresentaram uma leve inclinação para Lula, com 52% contra 48% de Flávio, enquanto eleitores acima de 60 anos mostraram preferência por Flávio (55% a 45%). Esses perfis etários podem ser decisivos, considerando a maior taxa de comparecimento nas urnas entre eleitores mais velhos.
Por fim, a análise das margens de erro indica que, embora as pesquisas apontem para um empate técnico, a diferença real pode estar ainda menor ou até invertida. A margem de erro varia entre 1,8 e 2,6 pontos percentuais, o que significa que os resultados podem oscilar dentro desse intervalo sem que haja mudança estatisticamente significativa.








