Uma pesquisa realizada entre 10 e 13 de setembro de 2026 revelou como eleitores brasileiros avaliam propostas de reforma no Supremo Tribunal Federal (STF) e a condução de dois de seus ministros no escândalo do Banco Master. O estudo, encomendado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, entrevistou 2.004 pessoas em todo o país. Os resultados apontam tendências claras de apoio e desconfiança que podem influenciar o debate institucional nos próximos meses.
Contexto da pesquisa e metodologia
A Quaest, empresa especializada em sondagens de opinião, conduziu a entrevista com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O questionário abordou questões estruturais do STF, como mandatos fixos, código de ética, requisitos de indicação e a possibilidade de participação do Congresso nas nomeações.
Além das propostas institucionais, a pesquisa mediu a confiança geral no tribunal e a percepção pública sobre o comportamento dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça durante o caso do Banco Master. Os dados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.
Principais propostas analisadas
Os entrevistados foram divididos entre apoiadores e opositores de quatro grandes linhas de mudança. Os resultados mostraram maior consenso em torno de algumas medidas, enquanto outras ainda geram controvérsia.
- Mandato com tempo fixo: 53% a favor, 30% contra, 4% neutros e 13% sem opinião.
- Código de ética que impeça relações comerciais: 53% a favor, 32% contra.
- Exigências mais rígidas para indicação (idade mínima, experiência jurídica): 68% a favor, 20% contra.
- Participação do Congresso e do Judiciário nas indicações: 50% a favor, 34% contra.
Além dessas, duas questões específicas foram destacadas: 61% dos entrevistados se opuseram à proibição de decisões monocráticas, e 54% rejeitaram a ideia de uma quarentena pré‑indicação para candidatos ao STF.
Confiança no STF e percepção dos ministros
Um dos achados mais alarmantes foi o aumento da desconfiança no tribunal. Enquanto em agosto 46% dos respondentes declaravam não confiar no STF, em setembro esse número subiu para 56%, representando um salto de 10 pontos percentuais.
Ao mesmo tempo, a confiança muito alta caiu de 18% para apenas 9%, indicando que menos eleitores acreditam que a Corte atua de forma plenamente legítima. A categoria “confio pouco” permaneceu alta, em torno de 30%.
Sobre a disputa entre os ministros, 37% dos entrevistados consideraram que André Mendonça tem agido corretamente no caso do Banco Master, enquanto apenas 16% atribuíram o mesmo comportamento a Alexandre de Moraes. Esses números sugerem que Mendonça possui uma vantagem perceptual significativa entre o público.
Impactos políticos e conclusões
Os resultados da Quaest podem ter repercussões imediatas nos debates legislativos sobre a reforma do STF. A maioria dos eleitores demonstra apoio a mandatos limitados e a critérios mais rígidos para indicação, o que pode pressionar o Congresso a avançar com propostas de emenda constitucional.
Por outro lado, a resistência à proibição de decisões monocráticas e à quarentena pré‑indicação indica que mudanças radicais ainda encontram barreiras de aceitação. Os legisladores precisarão equilibrar demandas de transparência com a preservação de mecanismos que garantam agilidade nas decisões judiciais.
A queda na confiança geral no STF, aliada ao apoio maior a André Mendonça, pode influenciar a estratégia de comunicação dos próprios ministros e do próprio tribunal. Uma campanha de transparência e reforço de princípios éticos pode ser necessária para reconquistar a credibilidade perdida.
Em síntese, a pesquisa evidencia um eleitorado atento, que deseja reformas estruturais, mas que também mantém cautela diante de mudanças que possam comprometer a eficiência da Corte. O futuro do STF, assim como a imagem de seus principais atores, dependerá da capacidade institucional de responder a essas demandas de forma equilibrada e transparente.








