Em 14 de setembro de 2026, a consultoria BTG/Nexus divulgou nova pesquisa que mede as intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. A sondagem, realizada entre 11 e 13 de setembro, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligeiramente à frente do senador Flávio Bolsonaro. Os números apontam para um cenário de empate técnico, com margem de erro que ainda permite reviravolta.
Contexto e metodologia da pesquisa
A coleta de dados ocorreu em um período marcado por intensas discussões no Supremo Tribunal Federal, especialmente sobre os casos conhecidos como Master e Dark Horse. Embora a pesquisa não possa atribuir diretamente as variações de intenção de voto a esses episódios, o clima de instabilidade institucional pode ter influenciado o comportamento dos eleitores. A amostra foi constituída por eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, distribuídos proporcionalmente entre as regiões do país.
Os entrevistados foram abordados por telefone e internet, garantindo cobertura de diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade. O levantamento utilizou o método de margem de erro de ±1,5 ponto percentual, padrão para pesquisas de grande escala no Brasil. Os resultados foram ponderados para refletir a composição demográfica do eleitorado brasileiro.
Além do cenário de segundo turno, a BTG/Nexus também projetou o primeiro turno, permitindo comparar a evolução dos candidatos ao longo das duas semanas anteriores. Essa abordagem dupla oferece uma visão mais completa das tendências eleitorais e ajuda a identificar movimentos de apoio entre os concorrentes.
Resultados principais
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente alcançou 47% das intenções de voto, enquanto o senador do PL ficou com 46%. A diferença de 1 ponto percentual está dentro da margem de erro, o que caracteriza um empate técnico entre os dois nomes. No cenário de primeiro turno, Lula subiu de 39% para 42%, e Flávio avançou de 35% para 37%.
Os números revelam ainda a diminuição da participação dos candidatos fora do duelo principal. Augusto Cury, escritor que chegou a 11% nas pesquisas duas semanas atrás, recuou para 6%. Ronaldo Caiado manteve-se em 5%, Renan Santos ficou em 2%, e Romeu Zema e Samara registraram 1% cada.
Os votos em branco, nulo ou nenhum representaram 4% do total, e 2% dos entrevistados não souberam ou não responderam. Na pesquisa espontânea, Lula passou de 39% para 40%, enquanto Flávio subiu de 31% para 34%.
- Lula x Flávio Bolsonaro: 47% x 46%
- Lula x Ronaldo Caiado: 47% x 41%
- Lula x Romeu Zema: 49% x 39%
- Lula x Renan Santos: 48% x 37%
- Lula x Augusto Cury: 45% x 42%
Análise do eleitorado indeciso e dos candidatos menores
Entre os eleitores que ainda não definiram sua escolha, 10% permanecem indecisos, indicando espaço para campanhas de convencimento nos próximos dias. A pesquisa mostrou que, dentro desse grupo, Augusto Cury ainda aparece como segunda opção para 17% dos indecisos, embora sua força tenha diminuído.
Lula e Flávio Bolsonaro apresentam alta taxa de decisão entre seus apoiadores: 89% dos eleitores de Lula afirmam que não mudarão de voto, enquanto 86% dos eleitores de Flávio mantêm a mesma postura. Entre os demais candidatos, a consolidação de voto varia entre 48% (Caiado) e 30% (Zema).
O bloco dos candidatos fora da disputa principal reduziu sua soma de 21% para 15% nas últimas duas semanas, refletindo a concentração de quase oito em cada dez intenções de voto nos dois principais nomes. Essa concentração pode tornar a campanha mais polarizada nas próximas semanas.
Impactos estratégicos para as campanhas
Com a margem de erro ainda favorável a ambos, as equipes de campanha precisam focar em dois frentes: solidificar a base de eleitores decididos e atrair os indecisos que ainda ponderam entre as opções. Para Lula, a estratégia pode envolver reforçar a mensagem de estabilidade econômica e continuidade de políticas sociais, que já garantem alta fidelidade entre seus apoiadores.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem buscado ampliar sua presença nas mídias digitais e enfatizar a agenda de segurança pública, buscando captar eleitores que ainda não se decidiram. A pequena vantagem numérica de Lula no cenário de primeiro turno pode servir como argumento de inevitabilidade, pressionando eleitores indecisos a se alinhar ao candidato que parece estar na frente.
Os candidatos menores, como Augusto Cury e Ronaldo Caiado, ainda podem exercer papel de “candidatos de barganha”, influenciando negociações de alianças caso nenhum dos dois principais alcance a maioria absoluta. A diminuição de sua participação, porém, reduz o poder de barganha, mas mantém a possibilidade de apoio pontual em estados decisivos.
Em síntese, a pesquisa indica que a corrida eleitoral está extremamente equilibrada, com margem para mudanças rápidas nos próximos dias. As campanhas deverão intensificar a mobilização de eleitores nas redes sociais, em comícios regionais e em debates televisivos, buscando transformar a leve vantagem atual em vitória definitiva.








