A nova pesquisa do AtlasIntel, divulgada nesta quarta‑feira, 23 de setembro de 2026, investigou a situação financeira das famílias brasileiras. O levantamento entrevistou 5.015 eleitores em todas as regiões do país entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Perfil da pesquisa
O estudo foi conduzido por telefone e pela internet, garantindo a representatividade de eleitores de diferentes faixas etárias, rendas e níveis de escolaridade. Cada participante pôde escolher até duas opções ao responder quais fatores mais impactavam seu orçamento doméstico.
Os dados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04739/2026, o que confere maior transparência e permite a verificação pública dos resultados. A amostra incluiu moradores de áreas urbanas e rurais, refletindo a diversidade econômica do Brasil.
Principais resultados
Os números revelam uma mudança significativa em relação ao levantamento feito em abril de 2026. Agora, 36% dos entrevistados afirmam que conseguem guardar algum valor ao final do mês, enquanto 30,4% conseguem pagar as contas sem sobrar nada. Apenas 34% relatam que faltou dinheiro em algum momento.
Em abril, a maioria – 40,2% – dizia que não havia dinheiro suficiente para fechar o mês. Essa inversão indica que, apesar de persistirem desafios, parte da população está conseguindo melhorar seu controle financeiro.
O gráfico comparativo entre abril e setembro demonstra a trajetória ascendente da capacidade de poupança e a queda da parcela que vivia com falta de recursos.
Análise dos fatores de pressão
Quando questionados sobre os principais obstáculos, 76,3% dos entrevistados apontaram o aumento dos preços de alimentos e contas básicas como os mais críticos. Cada pessoa podia selecionar até duas causas, o que explica a soma superior a 100%.
- Alimentos: citado por quase oito em cada dez respondentes.
- Contas básicas (energia, água, gás): também em alta, mas com leve variação ao longo dos meses.
Ao observar a evolução temporal, percebe‑se que o peso do preço dos alimentos permaneceu estável entre abril e setembro, enquanto a relevância das contas básicas diminuiu de 26,7% para 20,5%.
Por outro lado, a preocupação com dívidas e juros recuou de 33,5% para 25%, coincidindo com a implementação do programa federal “Desenrola”, que visa renegociar e aliviar o endividamento das famílias.
Esse cenário sugere que políticas de apoio ao crédito podem estar surtindo efeito, ao menos parcialmente, ao reduzir a pressão dos juros sobre o orçamento familiar.
Entretanto, o fato de que mais de três quartos da população ainda apontam alimentos e contas básicas como fontes de dificuldade indica que a inflação de itens essenciais continua a ser o principal obstáculo à estabilidade financeira.
Os especialistas apontam que a combinação de medidas de controle de preços, reforço de programas sociais e a manutenção de políticas de crédito responsável são fundamentais para consolidar a tendência de melhora observada.
Em síntese, a pesquisa AtlasIntel revela um panorama de progresso moderado, mas alerta para a necessidade de intervenções contínuas, sobretudo no controle de alimentos e serviços essenciais, para que a parcela que ainda enfrenta falta de recursos diminua ainda mais nos próximos meses.








