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Partido de Putin conquista maioria recorde na Duma com 95% das urnas apuradas

Na segunda‑feira, 21 de setembro de 2024, a Comissão Eleitoral Central da Rússia anunciou que o partido Rússia Unida, liderado por Vladimir Putin, obteve a maioria absoluta na Câmara Baixa do Parlamento. O anúncio foi feito após a apuração de mais de 95% das urnas em todo o território russo, incluindo regiões contestadas.

Resultado imediato e projeções de cadeiras

Com 58% dos votos na lista proporcional, o Rússia Unida garantiu 355 das 450 cadeiras da Duma, superando o limiar necessário para aprovar alterações constitucionais sem apoio externo. Nas 225 cadeiras distritais, a legenda liderou em 208 disputas, reforçando seu domínio sobre a maioria dos distritos eleitorais.

Esses números colocam o partido bem acima da maioria constitucional de 226 cadeiras, permitindo que o governo avance com reformas estruturais previstas na agenda de Putin. A projeção de 355 cadeiras foi confirmada por analistas que acompanharam a apuração em tempo real.

Contexto geopolítico e áreas de votação

A eleição ocorreu também na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e em quatro regiões ucranianas parcialmente ocupadas, cujas anexações não são reconhecidas pela comunidade internacional. A Ucrânia classificou o processo eleitoral nesses territórios como ilegal e violador do direito internacional.

Em uma seção eleitoral da região de Donetsk, eleitores depositaram seus votos sob a vigilância de militares russos armados, gerando críticas de observadores externos sobre a transparência do pleito.

  • Crimeia
  • Donetsk
  • Luhansk
  • Zaporíjia
  • <li Kherson

Participação popular e segurança interna

A participação foi de pouco mais de 59% da população habilitada a votar, a maior taxa para uma eleição parlamentar em mais de dez anos. Esse engajamento recorde ocorreu apesar das restrições impostas ao acesso da oposição e à presença de forças de segurança nas mesas de votação.

O Ministério da Defesa russo relatou que, no último domingo de votação, derrubou 1.110 drones lançados pela Ucrânia, alegando que o ataque foi o maior já registrado contra Moscou. O prefeito Sergei Sobyanin descreveu o incidente como “o maior ataque de todos os tempos” contra a capital.

  1. 1.110 drones derrubados
  2. Centenas de drones atingiram Moscou
  3. Maior ataque aéreo registrado

O papel da oposição e do controle do Kremlin

O pleito transcorreu sob forte controle do Kremlin, com a oposição enfrentando limitações severas. O partido liberal Iabloko, único a se opor publicamente à guerra na Ucrânia, foi impedido de concorrer nas listas proporcionais.

Vários políticos críticos ao conflito foram presos ou deixaram o país antes da campanha, reduzindo ainda mais a diversidade de opções para o eleitorado.

Além do Rússia Unida, as únicas forças políticas que participaram foram aquelas alinhadas ao presidente, como o Partido Comunista da Federação Russa (KPRF), o Partido Liberal-Democrata da Rússia (LDPR), o Rússia Justa e o Gente Novo.

  • KPRF – Comunistas
  • LDPR – Nacionalistas
  • Rússia Justa – Conservadores
  • Gente Novo – Liberais

Observadores internacionais e críticas ao processo

A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para monitorar a votação, alegando que o grupo mantinha “padrões duplos” em suas críticas ao país. Essa decisão reforçou as acusações de falta de transparência e de manipulação dos resultados.

Organizações de direitos humanos internacionais denunciaram a ausência de observadores independentes como um obstáculo à credibilidade do pleito, apontando para a repressão de vozes dissidentes e o controle da mídia estatal.

Os resultados finais deverão ser publicados na sexta‑feira, consolidando a maioria do Rússia Unida e sinalizando os próximos passos do governo de Putin no cenário interno e externo.

Implicações para a Constituição e a política externa

Com a maioria constitucional assegurada, o partido tem condições de promover mudanças na Constituição que podem ampliar ainda mais os poderes presidenciais. Entre as reformas previstas estão a extensão dos mandatos e a possibilidade de alterar limites de mandato presidencial.

Essas alterações são vistas como parte da estratégia de Putin para consolidar seu controle sobre as instituições do Estado, especialmente em meio ao conflito em curso com a Ucrânia.

Internacionalmente, a vitória reforça a postura de Moscou de resistir à pressão ocidental, mantendo a narrativa de legitimidade democrática apesar das sanções e do isolamento diplomático.

Perspectivas para o futuro político russo

Analistas políticos apontam que a nova composição da Duma pode acelerar a aprovação de leis que restrinjam ainda mais a liberdade de imprensa e de associação. O ambiente de repressão pode se intensificar, limitando ainda mais a atuação de grupos de oposição.

Ao mesmo tempo, a alta participação eleitoral indica que o governo conseguiu mobilizar eleitores, possivelmente através de campanhas de propaganda e incentivos logísticos nas áreas rurais.

O cenário futuro dependerá da capacidade da oposição de reorganizar-se, da resposta da comunidade internacional às mudanças constitucionais e da evolução do conflito na Ucrânia.

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