Um grupo de legisladores de treze países das Américas solicitou, nesta sexta-feira, o encerramento imediato dos ataques realizados pelos Estados Unidos contra pequenas embarcações no Caribe e no Pacífico oriental. A iniciativa surge poucos dias depois de um ataque americano que, segundo o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, resultou na morte de quatro pessoas. O pedido foi formalizado em uma declaração conjunta assinada por mais de setenta parlamentares de toda a região.
Contexto dos ataques recentes
Desde setembro de 2025, as forças militares norte‑americanas têm conduzido operações aéreas e navais que, de acordo com os próprios relatórios dos EUA, já contabilizaram ao menos 234 mortes. As autoridades americanas alegam que as embarcações visadas estariam envolvidas no tráfico de drogas, embora não tenham apresentado provas públicas que confirmem o transporte de entorpecentes.
O incidente mais recente ocorreu no mar do Caribe, onde um barco foi atingido por um míssil guiado, provocando uma explosão que deixou quatro vítimas fatais. O Comando Sul afirmou que a ação foi necessária para neutralizar uma ameaça ao combate ao narcotráfico, mas organizações de direitos humanos e especialistas jurídicos questionam a legalidade da operação.
Além do Caribe, os Estados Unidos também realizaram ataques no Oceano Pacífico, mirando embarcações que supostamente transportavam carga ilícita. Até o momento, não há registro de que as operações tenham reduzido significativamente o fluxo de cocaína para o território americano, conforme apontam avaliações internas do governo dos EUA citadas pelos legisladores signatários.
Reação dos legisladores e demandas
Mais de setenta parlamentares de treze nações assinaram a declaração que pede o fim das ações militares. Entre os países representados estão Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Argentina. No Brasil, as deputadas federais Luciene Cavalcante e Ana Pimentel foram as responsáveis por apoiar o documento.
- Brasil
- Canadá
- Chile
- Colômbia
- Equador
- Estados Unidos
- Guatemala
- Honduras
- México
- Paraguai
- Peru
- Uruguai
- Argentina
Os signatários ressaltam que não há evidências de que os alvos dos ataques representem uma ameaça iminente que justifique o uso de força letal. Eles também apontam que a maioria das vítimas permanece desconhecida, dificultando a identificação das famílias e o acesso a reparação.
Na declaração, os parlamentares afirmam que acusações de envolvimento com o narcotráfico não podem ser usadas como pretexto para violar direitos fundamentais, como o direito à vida e ao devido processo legal. Advogados, organizações de direitos humanos e até ex‑integrantes das Forças Armadas dos EUA foram citados como críticos das operações, alegando que elas podem configurar execuções extrajudiciais.
Os legisladores exigem que o governo dos Estados Unidos interrompa, de forma permanente, todas as ações de ataque a embarcações e que os demais países da região deixem de fornecer apoio logístico, compartilhamento de inteligência ou uso de bases militares para tais fins.
Implicações e perspectivas futuras
A decisão de encerrar os ataques tem implicações estratégicas e diplomáticas. Se os EUA atenderem ao pedido, poderá haver uma reavaliação das políticas de combate ao narcotráfico que dependem de ações letais no mar. Por outro lado, a manutenção das operações pode intensificar as tensões entre Washington e os governos latino‑americanos, que já demonstram crescente ceticismo quanto à eficácia das intervenções militares.
Especialistas apontam que a estratégia americana tem se mostrado pouco efetiva na redução da produção de cocaína na região. Avaliações internas citadas pelos parlamentares indicam que, apesar dos recursos investidos, o volume de droga que chega aos EUA permanece praticamente inalterado.
Além disso, há preocupação de que a ampliação das operações para alvos terrestres possa ocorrer, caso os Estados Unidos considerem necessário. Esse cenário elevaria o risco de confrontos diretos com forças de segurança locais e poderia gerar novas violações de direitos humanos.
Os legisladores pretendem usar seus poderes de fiscalização para exigir transparência sobre as mortes e buscar justiça para as vítimas e seus familiares. Eles planejam instaurar comissões investigativas, solicitar relatórios detalhados das missões e, se necessário, propor sanções contra responsáveis por eventuais abusos.
Em suma, a iniciativa dos parlamentares representa um marco na contestação das políticas de segurança dos Estados Unidos na América Latina. O desfecho dessa disputa poderá redefinir os limites da ação militar americana na região e abrir espaço para abordagens mais focadas em cooperação judicial e desenvolvimento socioeconômico como estratégias de combate ao tráfico de drogas.








