Na manhã de 25 de setembro de 2024, o Papa Leão XIV chegou a Paris para iniciar uma visita oficial de quatro dias à França, destacando a importância da liberdade de imprensa e alertando sobre os riscos da inteligência artificial. O pontífice, que vem de Roma a bordo de um avião particular, recebeu jornalistas de diferentes veículos logo ao desembarcar.
Liberdade de imprensa sob a perspectiva do pontífice
Em um breve discurso a bordo da aeronave, Leão XIV enfatizou que uma cobertura jornalística ampla e plural é essencial para a democracia. “Estou muito feliz que aqui todos vocês sejam bem‑vindos”, afirmou, ressaltando que a imprensa deve ter acesso irrestrito a todos os lugares e a todas as pessoas.
O papa foi questionado sobre as restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, que havia barrado jornalistas da CNN, MS NOW e Politico de entrar na Casa Branca. Ele reiterou que a sociedade precisa de uma imprensa livre para fiscalizar o poder e garantir a transparência.
Um dia antes, um juiz federal americano determinou a restauração do acesso desses veículos ao complexo da Casa Branca, após ação judicial que contestou a decisão presidencial. O pontífice utilizou o episódio para reforçar sua mensagem de que a censura ameaça a verdade.
Inteligência artificial: riscos e ética
Já em solo parisiense, durante a cerimônia no Palácio do Eliseu ao lado do presidente Emmanuel Macron, Leão XIV dedicou parte do seu primeiro discurso oficial na França à inteligência artificial (IA). O papa alertou que o avanço acelerado das máquinas pode colocar em risco a dignidade humana se não houver um discernimento ético sólido.
Ele propôs a criação de programas de formação que ensinem a população a distinguir entre o que é moralmente correto e o que pode ser prejudicial, especialmente quando algoritmos decidem sobre questões sensíveis.
- Desenvolvimento de curricula escolares focados em ética digital;
- Criação de comitês independentes de avaliação de impactos sociais da IA;
- Estabelecimento de normas internacionais para transparência de algoritmos.
Macron, presente no evento, também apoiou a ideia de uma organização internacional capaz de regular os modelos mais avançados de IA, evitando que o poder tecnológico se concentre nas mãos de poucos.
Questões bioéticas: barriga de aluguel e morte assistida
No mesmo discurso, o pontífice abordou práticas que, segundo ele, podem transformar a ciência em empreendimentos movidos exclusivamente pelo lucro. Ele citou a manipulação genética, a barriga de aluguel, o comércio de órgãos e a chamada “programação da própria morte” como áreas que exigem cautela moral.
Leão XIV reiterou a defesa da vida como princípio fundamental dos direitos humanos, posicionando‑se contra a eutanásia e a morte assistida. A França, recentemente, aprovou uma lei que permite assistência ao morrer em casos de doenças graves e incuráveis, mas o papa não mencionou a legislação diretamente.
A prática da barriga de aluguel, embora proibida no território francês, tem sido reconhecida judicialmente em casos de filiação de crianças nascidas no exterior. O pontífice alertou que a mercantilização do corpo humano pode gerar desigualdades e violar a dignidade das pessoas envolvidas.
Contexto da visita papal à França
Esta é a primeira visita oficial de um papa à França em quase duas décadas, marcando um momento de renovação nas relações entre a Santa Sé e o país europeu. Leão XIV foi recebido com honras de chefe de Estado por Emmanuel e Brigitte Macron, reforçando laços diplomáticos e religiosos.
A agenda da viagem inclui três etapas principais: um período em Paris para encontros políticos e religiosos, uma peregrinação ao santuário de Lourdes e uma visita à cidade de Metz, conhecida por sua história católica.
Durante a estadia em Paris, o papa também participará de encontros inter‑religiosos, promovendo o diálogo entre cristãos, judeus e muçulmanos, e visitará instituições de caridade que atendem populações vulneráveis.
A presença de Leão XIV na França coincide com debates intensos sobre tecnologia, direitos humanos e liberdade de expressão, tornando sua mensagem ainda mais relevante para a sociedade contemporânea.
Ao encerrar a sua fala no Palácio do Eliseu, o pontífice conclamou os líderes mundiais a trabalharem juntos na construção de um futuro onde a tecnologia sirva ao bem‑comum, e não ao lucro desenfreado.
Em resumo, a visita de Leão XIV à França combina elementos de diplomacia, ética e preocupação social, oferecendo um panorama amplo sobre os desafios que a humanidade enfrenta no século XXI.








