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Oswaldinho do Acordeon: o mestre da sanfona que reinventou o forró

O virtuoso da sanfona Oswaldinho do Acordeon faleceu neste domingo, 25 de abril de 2026, aos 72 anos, deixando um vazio profundo no cenário da música nordestina. A notícia foi confirmada nas redes sociais por seu amigo Rodolfo Forte e pelo radialista Orlando Camboim, que ainda não divulgaram a causa da morte. Seu legado, porém, permanece vivo nas gravações e nas influências que espalhou ao longo de seis décadas.

Início de vida e primeiras influências

Nascido Oswaldo de Almeida e Silva em 5 de junho de 1954, na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, ele cresceu em um ambiente musical intenso. Seu pai, Pedro Sertanejo, era um sanfoneiro baiano reconhecido que introduziu o filho ao universo da sanfona ainda na infância.

Aprendeu a tocar de forma autodidata, mas recebeu apoio constante do pai e do convívio com lendas como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, que frequentavam a casa da família. Essa proximidade com mestres consagrados moldou sua técnica e despertou o desejo de inovar.

Com apenas nove anos, em 1963, Oswaldinho fez sua estreia no mercado fonográfico como convidado em um disco gravado por seu pai, que já se destacava como difusor do forró na capital paulista, onde a família havia se mudado. Três anos depois, aos 12, lançou seu primeiro single, iniciando uma trajetória que duraria mais de sessenta anos.

Carreira discográfica e experimentações musicais

Os primeiros discos foram lançados na década de 1970, quando o forró ainda era visto como música regional. Álbum após álbum, ele foi consolidando seu nome nas gravadoras Tropicana e Copacabana, mostrando que a sanfona podia dialogar com outros estilos.

Nos anos 80, o álbum “Forró in Concert” (1981) abriu portas para turnês europeias, levando a sonoridade nordestina a palcos internacionais. A partir daí, Oswaldinho passou a explorar fusões ousadas, incorporando elementos de jazz, blues, rock e até música erudita, criando arranjos que desafiavam os limites do gênero.

Entre as obras que marcam essa fase experimental, destacam‑se:

  • “Asa Branca Blues” (2002): mistura o clássico forró com a estrutura do blues, trazendo solos de guitarra e harmonias sofisticadas.
  • “Forró Chorado” (2011): combina a melancolia do forró tradicional com arranjos orquestrais, evidenciando a influência da música clássica.
  • “Cada um Belisca um Pouco” (2004): álbum gravado em trio com Dominguinhos e Sivuca, considerado um dos pontos altos da discografia.

Além dos discos, Oswaldinho desenvolveu técnicas inovadoras na sanfona, como a utilização de efeitos eletrônicos que ampliavam a sonoridade do instrumento, algo raro entre os sanfoneiros da época. Essa busca constante por novidade fez dele referência para músicos de diversas gerações.

Legado e reconhecimento

Ao longo de sua carreira, o artista recebeu homenagens de grandes nomes da música brasileira. Chico César, ao repostar a notícia da morte, escreveu: “Adeus, mestre Oswaldinho do Acordeon. Você e sua música seguem em nossos corações”. Essa demonstração de carinho evidencia o impacto cultural que o sanfoneiro exerceu.

Seu trabalho influenciou uma nova geração de sanfoneiros que hoje incorporam jazz, rock e música clássica em seus repertórios, seguindo o caminho aberto por ele. Festivais de forró, tanto no Brasil quanto no exterior, passaram a incluir categorias de fusões musicais, reflexo direto da visão de Oswaldinho.

Instituições acadêmicas também reconheceram sua contribuição. Em 2019, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) criou a cadeira de “Estudos da Sanfona e da Música Nordestina”, citando-o como referência bibliográfica para pesquisas sobre a evolução do forró contemporâneo.

Discografia destacada

A seguir, uma seleção dos principais lançamentos que marcaram a trajetória de Oswaldinho do Acordeon, organizada cronologicamente:

  • 1973 – Fantástico Oswaldo Silva
  • 1974 – Só Quero um Xodó
  • 1975 – Oswaldinho
  • 1977 – Forró Pop
  • 1978 – Lágrimas de Namorados
  • 1979 – Natureza
  • 1981 – Forró in Concert
  • 2002 – Asa Branca Blues
  • 2004 – Cada um Belisca um Pouco (trio com Dominguinhos e Sivuca)
  • 2011 – Forró Chorado

Esses álbuns revelam a evolução de um artista que nunca se acomodou, sempre buscando novas formas de expressão. Cada obra traz elementos que, ao mesmo tempo, honram a tradição e apontam para o futuro da música nordestina.

Hoje, ao lembrar de Oswaldinho do Acordeon, celebramos não apenas um grande músico, mas um visionário que transformou a sanfona em ponte entre culturas, estilos e gerações. Seu nome permanecerá nos livros de história da música brasileira, e suas gravações continuarão a inspirar quem deseja ir além dos limites convencionais.

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