Juliette Freire e o atleta Kaíque Cerveny celebraram seu casamento em duas cerimônias marcantes, a primeira no Lajedo de Pai Mateus, em Cabaceiras, paraibana, e a segunda na festa realizada no Instituto Ricardo Brennand, em Recife, nesta quinta‑feira, 29 de setembro. Os trajes escolhidos para a noiva foram desenhados pela estilista regional Rebeca Nepomuceno, que trouxe ao evento peças exclusivas que mesclam tradição familiar e inovação de alta costura.
Os vestidos e suas inspirações
O primeiro look, utilizado no curta‑filme de pré‑casamento, partiu de um modelo já existente na coleção prêt‑à‑porter da marca. A parte superior foi inspirada no vestido que a própria estilista usou em seu casamento civil, replicando detalhes que remetem ao traje de sua avó. Para Juliette, a versão final recebeu uma saia curta e rendas mais ousadas, criando um contraste com a moto e as botas que aparecem nas cenas.
Para a cerimônia ao ar livre, a ideia central foi transformar as toalhas de crochê que a avó de Juliette fez ao longo da vida em um vestido de noiva. O desafio técnico consistiu em preservar a integridade das fibras, que tendem a desfiar quando cortadas, e ainda garantir conforto ao corpo da noiva.
A solução foi a moulage, técnica de modelagem em que o crochê foi drapeado sobre uma base tomara‑que‑caia, ajustada ao contorno do corpo. O resultado incluiu uma cauda longa que incorporou as franjas originais, além de inserções de chiffon de seda para garantir leveza e movimento durante a cerimônia.
O terceiro traje, destinado à festa de celebração, trouxe ainda mais liberdade criativa. Sobre uma base de cetim de seda pura, o vestido recebeu um bordado delicado de pérolas de água doce, incluindo pérolas barrocas e madrepérolas, conferindo um brilho sutil que complementou a atmosfera festiva.
O processo criativo da estilista
Rebeca Nepomuceno iniciou sua carreira em João Pessoa, onde, ainda adolescente, ingressou no curso de Design de Moda. Desde cedo, ela foi influenciada pela mãe, proprietária de uma marca de roupas, o que despertou seu interesse pelo universo da costura.
Ao concluir a graduação, a jovem estilista recebeu seu primeiro grande reconhecimento ao criar um vestido para uma amiga, trabalho que foi amplamente compartilhado nas redes sociais. Esse impulso a levou a montar um pequeno ateliê no andar superior da loja da mãe, atendendo clientes locais e experimentando diferentes técnicas.
Aos 19 anos, decidiu romper com a estética tradicional das noivas, que na época era dominada por rendas delicadas e silhuetas clássicas. Optou por explorar materiais alternativos e formas desconstruídas, buscando uma identidade visual que fosse menos romântica e mais contemporânea.
Quando a oportunidade de vestir Juliette surgiu, a estilista viu a chance de aplicar sua visão inovadora em um projeto de grande visibilidade. Cada peça foi pensada para refletir não apenas o estilo da noiva, mas também a história familiar que ela carregava, como no caso do crochê da avó.
A trajetória de Rebeca Nepomuceno
Com 22 anos, Rebeca fechou seu primeiro ateliê e embarcou para a Austrália, onde aprofundou seus estudos em moda sustentável e técnicas avançadas de modelagem. Essa experiência internacional ampliou sua rede de contatos e lhe proporcionou novos recursos técnicos que foram incorporados ao seu trabalho de volta ao Brasil.
De volta à Paraíba, a estilista consolidou sua marca, atendendo celebridades como Alok e Maju Trindade, além de participar de desfiles de moda que destacaram sua abordagem única. Seu nome ganhou destaque nos meios de comunicação ao ser escolhido para criar os três vestidos de Juliette, o que elevou ainda mais sua reputação.
Hoje, Rebeca lidera um ateliê que combina tradição artesanal, como o crochê familiar, com tecnologias modernas de costura. Seu objetivo é continuar inovando no segmento de moda nupcial, oferecendo opções que desafiam os padrões convencionais e celebram histórias pessoais.








