Um organograma manuscrito foi apreendido pela Polícia Civil de São Paulo durante a Operação Wi‑Fi, realizada na última quinta‑feira (10), na zona norte da capital. O documento traz o nome “Mário” ao lado das palavras “sócio” e “Go Up”, remetendo à produtora americana responsável pelo filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro. A descoberta ocorreu em endereços vinculados à empresária Karina Ferreira da Gama e ao empresário André Feldman.
Contexto da Operação Wi‑Fi
A Operação Wi‑Fi foi desencadeada para investigar suposta fraude em contrato entre a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo. As autoridades suspeitavam de desvios de verbas públicas e de um esquema de ocultação de recursos. Durante as buscas, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal, focados no financiamento do filme “Dark Horse”.
Karina Ferreira da Gama, proprietária do ICB e sócia da Go Up Entertainment Ltda., foi um dos alvos principais. O inquérito também apontou a participação de Mário Frias, deputado federal (PL‑SP), como produtor‑executivo do longa‑metragem, embora ele nunca tenha sido oficialmente registrado como sócio da produtora nos Estados Unidos.
Detalhes do organograma e conexões reveladas
O organograma, escrito à mão em papel simples, apresenta o nome “Mário” próximo a “sócio” e “Go Up”. Não consta o sobrenome “Frias” no manuscrito, o que gera dúvidas sobre a identidade exata da pessoa citada. Além disso, o documento relaciona três CNPJs controlados por Karina Gama:
- Instituto Conhecer Brasil (ICB)
- Go7
- Academia Nacional de Cultura (ANC)
Outra anotação liga “Mário” a uma empresa terceirizada da Go Up no Brasil, identificada apenas como SCP. Essa conexão sugere um possível fluxo de recursos entre a produtora americana e entidades brasileiras.
O papel foi inicialmente descrito como apreendido no “local 2”, um endereço na região da Brasilândia, zona norte de SP, associado a Karina Gama. Contudo, boletins de ocorrência posteriores indicam que o documento foi lacrado sob o número 0021865, vinculado a endereços do empresário André Feldman, da Complexsys Soluções Integradas Ltda.
Feldman já prestou serviços ao gabinete de Mário Frias, recebendo R$ 154 mil de cota parlamentar entre setembro de 2024 e abril de 2026. A própria Karina havia colaborado em campanha de Frias em 2022, quando ele foi eleito deputado federal.
Repercussões judiciais e políticas
O organograma foi anexado aos autos do inquérito em São Paulo e enviado ao Supremo Tribunal Federal. No domingo (13), o ministro Flávio Dino retirou o sigilo dos documentos e consolidou, sob sua relatoria, inquéritos que investigam possíveis desvios e ocultação de verbas públicas.
A defesa de Karina Ferreira da Gama não se pronunciou sobre o conteúdo do organograma, mas contestou a operação da Polícia Federal, alegando que apresentou reclamação constitucional ao STF para garantir a observância das decisões da Presidência do Tribunal.
Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida não questiona o mérito da investigação, mas busca assegurar a competência do juiz natural e o cumprimento das determinações judiciais. Karina teria colaborado espontaneamente, entregando à PF mais de 20 mil páginas de documentos na sexta‑feira seguinte.
André Feldman, por meio de seu assessor de imprensa, afirmou que nunca viu o documento citado no inquérito e que não reconhece a caligrafia. Essa negação, porém, não impede que o material seja analisado por peritos forenses para determinar sua autenticidade.
O caso ganhou repercussão nacional, pois envolve figuras políticas de destaque e a produção de um filme que retrata a trajetória do ex‑presidente Jair Bolsonaro. O longa‑metragem “Dark Horse” tem sido alvo de críticas e elogios, e a suspeita de financiamento irregular pode impactar tanto a indústria cinematográfica quanto a imagem dos envolvidos.
Enquanto o STF analisa os pedidos de levantamento de sigilo, a imprensa continua acompanhando as movimentações nos tribunais de primeira instância. A expectativa é que novos documentos sejam divulgados, ampliando o panorama sobre a suposta rede de financiamento e sobre a real participação de Mário Frias na estrutura societária da Go Up nos EUA.








