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Operação no Paraguai revela suposta exploração de quase 200 brasileiros em call center

Quase duzentos trabalhadores foram encontrados em um call center em Assunção, no Paraguai, durante uma operação policial que investiga suspeitas de exploração laboral e possível tráfico internacional de pessoas. A ação ocorreu na quarta‑feira, 16 de março, após denúncia encaminhada pela chancelaria paraguaia ao Ministério Público. As autoridades buscaram esclarecer como os brasileiros foram recrutados, transportados e contratados pela empresa.

Operação e descobertas

A polícia nacional do Paraguai, liderada pelo comissário principal Humberto Aquino, realizou a invasão do prédio situado nas avenidas Aviadores del Chaco e Santa Teresa. Os agentes isolaram o edifício, recolheram documentos e apreenderam equipamentos eletrônicos que servirão de base para a investigação.

Segundo relatos, o call center ocupava três níveis do edifício: o térreo, o primeiro andar e o segundo andar. Em cada um desses ambientes, entre 50 e 70 pessoas estavam desempenhando funções típicas de atendimento telefônico.

Os investigadores encontraram trabalhadores de diversas nacionalidades, mas a maioria era brasileira. A presença de quase 200 pessoas no local chamou a atenção das autoridades, que temiam a existência de um esquema estruturado de exploração.

Perfil dos trabalhadores e irregularidades

Mais de 40% dos brasileiros encontrados estavam em situação migratória irregular, de acordo com o comissário Aquino. Essa condição vulnerável pode ter facilitado a prática de abusos laborais e a manutenção de um mercado clandestino de mão‑de‑obra.

O Ministério do Trabalho do Paraguai também apontou irregularidades formais na contratação dos funcionários. Entre os problemas identificados, destacam‑se:

  • Ausência de contrato de trabalho assinado;
  • Salários inferiores ao mínimo legal;
  • Jornadas de trabalho superiores ao limite permitido;
  • Falta de registro no órgão de segurança social.

Uma cidadã brasileira que residia no Paraguai foi a responsável por abrir a denúncia. Ela afirmou ter sido recrutada por meio de plataformas digitais que prometiam empregos bem remunerados em Assunção. O relato desencadeou a investigação sobre as condições oferecidas pela empresa.

Os trabalhadores relataram que, ao chegarem ao país, foram acomodados em hospedagens precárias e submetidos a jornadas de até 12 horas diárias, sem intervalos adequados. Muitos afirmaram não ter recebido informações claras sobre direitos trabalhistas ou procedimentos de regularização migratória.

Desdobramentos e respostas diplomáticas

Até o momento, o caso está sendo tratado como investigação de possível tráfico internacional de pessoas para exploração laboral. Ainda não há confirmação pública de que todos os trabalhadores sejam vítimas de crime, mas as evidências iniciais sugerem a existência de práticas ilícitas.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que ainda não recebeu pedidos de assistência consular dos brasileiros detidos. A embaixada brasileira em Assunção permanece em alerta para prestar apoio caso a situação evolua.

As autoridades paraguaias ressaltaram que o caso pode abrir precedentes para o combate ao tráfico de trabalhadores na região. Elas destacaram a necessidade de cooperação entre os governos para garantir a proteção de migrantes vulneráveis.

Especialistas em migração alertam que a combinação de recrutamento online, promessas enganosas e falta de fiscalização cria um terreno fértil para a exploração. Eles recomendam que futuros trabalhadores verifiquem a legalidade das ofertas antes de aceitar contratos no exterior.

Enquanto as investigações prosseguem, a comunidade brasileira no Paraguai acompanha o desenrolar dos fatos com preocupação. Organizações de direitos humanos pedem transparência e rapidez nas providências para evitar novos abusos.

O caso reforça a importância de mecanismos de denúncia eficazes e de canais de comunicação entre embaixadas, consulados e autoridades locais. Somente com uma resposta coordenada será possível desarticular redes que lucram com a exploração de trabalhadores migrantes.

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