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ONU aprova nova cartografia que amplia a África e o Brasil no mapa-múndi

Na última sexta‑feira, 4 de dezembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que altera a representação cartográfica do planeta. A mudança, liderada pelo Togo, tem como objetivo corrigir distorções históricas e alinhar os mapas aos dados científicos mais recentes. O voto contou com 164 aprovações, um único voto contrário dos Estados Unidos e seis abstenções.

A decisão da ONU e seus bastidores políticos

O ministro das Relações Estrangeiras do Togo, Robert Dussey, apresentou a proposta como uma questão de verdade científica, afastando-a de debates meramente políticos. Segundo ele, a aprovação demonstra que a comunidade internacional reconhece a necessidade de refletir a realidade geográfica de forma justa.

O apoio amplo à resolução reflete um crescente sentimento de que os mapas tradicionais perpetuam um legado eurocêntrico. Países da África, América Latina e outras regiões têm reivindicado há décadas a revisão das projeções cartográficas que minimizam seu território.

O único voto negativo veio dos Estados Unidos, que argumentaram que a mudança poderia gerar confusão em materiais educacionais e comerciais. Contudo, a maioria dos delegados considerou que os benefícios superam os desafios de adaptação.

Além do Togo, outras nações africanas e latino‑americanas assinaram a iniciativa, reforçando a ideia de reparação histórica. A proposta foi intitulada “Corrija o mapa” e já reunia mais de 11.700 assinaturas em petição online antes da votação.

Por que os mapas tradicionais distorcem a África?

Os mapas mais utilizados no mundo são baseados na projeção de Mercator, criada no século XVI pelo cartógrafo belga Gerardo Mercator. Essa projeção foi idealizada para a navegação marítima, preservando ângulos e direções, mas sacrificando a proporção de áreas.

Como consequência, regiões próximas aos polos, como a Europa e a América do Norte, aparecem exageradamente grandes, enquanto áreas equatoriais, como a África e a América do Sul, são reduzidas. A distorção é tão marcante que a Groenlândia parece ter o mesmo tamanho que o continente africano, embora a África seja 14 vezes maior.

Essa visão enviesada tem impactos profundos na percepção cultural e econômica dos continentes. Estudos apontam que a sub‑representação visual pode influenciar decisões de investimento, turismo e até políticas de desenvolvimento.

Ao adotar uma projeção mais equitativa, os cartógrafos buscam refletir a verdadeira extensão dos territórios. A nova cartografia proposta pela ONU utiliza técnicas de projeção que preservam áreas, como a projeção de Gall‑Peters ou variantes modernas que equilibram forma e tamanho.

  • África passa a ocupar espaço visual equivalente à sua real extensão territorial.
  • Brasil ganha destaque proporcional, refletindo que o país é quatro vezes maior que a Groenlândia.
  • Regiões como a Ásia Central e a Oceania também se beneficiam de representações mais corretas.

Essas correções não são apenas simbólicas; elas podem alterar a forma como escolas ensinam geografia e como empresas planejam estratégias de mercado global.

Impactos e perspectivas futuras da nova cartografia

Com a nova resolução, órgãos educacionais e editoras de atlases deverão atualizar seus materiais nos próximos anos. A transição pode exigir investimento em redesign de mapas digitais, impressos e aplicativos de navegação.

Além da esfera educacional, a mudança tem potencial de influenciar a diplomacia visual. Em encontros internacionais, a representação mais justa pode reforçar a igualdade entre nações, reduzindo percepções de hierarquia implícita.

Empresas de tecnologia, como plataformas de mapas online, já sinalizaram interesse em incorporar as novas projeções. Isso pode acelerar a difusão da cartografia correta para o público geral, que consome mapas em smartphones e sites de viagem.

Entretanto, a transição não será isenta de desafios. A familiaridade dos usuários com a projeção de Mercator pode gerar resistência inicial, e a necessidade de padronizar a nova representação em documentos oficiais exigirá coordenação entre múltiplas agências.

Especialistas sugerem que a adoção gradual, com versões híbridas que exibam ambas as projeções, pode facilitar a aceitação. Workshops e campanhas de conscientização são recomendados para explicar a importância da correção cartográfica.

Em termos de pesquisa, a mudança abre novas oportunidades para estudos sobre percepção espacial e seu impacto em políticas públicas. Universidades podem explorar como a visualização correta dos territórios afeta a identidade nacional e a coesão social.

Por fim, a iniciativa da ONU representa um marco simbólico e prático na luta contra representações desiguais. Ao reconhecer a necessidade de “verdade científica” nos mapas, a comunidade internacional dá um passo significativo rumo a uma representação mais equitativa do planeta.

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