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Nísia Trindade revela lições e estratégias para a próxima pandemia

A ex‑ministra da Saúde, Nísia Trindade, apresentou nesta terça‑feira, em Brasília, sua visão sobre como o Brasil pode se preparar para a próxima pandemia. Ela compartilhou os aprendizados adquiridos durante a gestão da Fiocruz e do Ministério da Saúde, entre 2023 e 2025. O discurso integrou dados, relatos de campo e propostas concretas para fortalecer o sistema de saúde nacional.

Os principais sucessos da gestão de Nísia Trindade

Um dos marcos mais celebrados foi o aumento expressivo da cobertura vacinal infantil. Em 2022 o país figurava entre os 20 que menos vacinavam; já em 2023, graças ao Movimento Nacional pela Vacinação, 15 das 16 vacinas do calendário foram ampliadas.

Além disso, o Brasil recuperou o certificado de país livre do sarampo, um selo que indica a interrupção da transmissão local da doença. Esse feito foi possível por campanhas intensivas e pela reconstituição da rede de imunização.

Outro indicador de sucesso foi a redução drástica das filas para cirurgias eletivas. Em 2024, o SUS realizou 14 milhões de procedimentos, estabelecendo um recorde histórico. Essa conquista resultou de investimentos em infraestrutura, contratação de profissionais e otimização de processos hospitalares.

  • Ampliação da vacinação infantil: 15 vacinas incluídas no calendário.
  • Recuperação do status livre de sarampo: eliminação da transmissão local.
  • Recorde de cirurgias eletivas: 14 milhões realizadas em 2024.

Desafios herdados e a reconstrução do SUS

Ao assumir a pasta, Nísia encontrou um Ministério da Saúde desestruturado, consequência de quatro mudanças ministeriais durante o governo anterior. O órgão havia perdido seu papel de coordenador do SUS, gerando falhas na integração entre as esferas federal, estadual e municipal.

Além da descoordenação, a crise sanitária entre os povos indígenas, especialmente os yanomami, evidenciou a vulnerabilidade do sistema frente a emergências humanitárias. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) também estava fragilizado, com baixa cobertura e recursos escassos.

A ministra destacou a necessidade de transformar políticas pontuais em políticas de Estado, garantindo continuidade independentemente de mudanças de governo. Foi criada uma lei que institucionaliza a estratégia de retomada da produção nacional de vacinas e medicamentos.

  1. Reforço da coordenação federal do SUS.
  2. Reativação do Programa Nacional de Imunizações.
  3. Implementação de medidas de proteção à saúde indígena.

Essas ações foram viabilizadas por uma equipe técnica comprometida e pelo apoio direto do presidente Lula, que priorizou a agenda de saúde pública como pilar da recuperação econômica e social.

Inovações e parcerias estratégicas para a saúde nacional

Um dos grandes avanços foi a retomada do complexo econômico‑industrial da saúde, focado na produção nacional de vacinas e insulina. Durante a pandemia, a dependência de importações mostrou-se arriscada; a nova política de Estado busca autonomia estratégica.

Em parceria com o Instituto Butantan, foi desenvolvida a vacina contra a dengue, reforçando a capacidade de inovação local. Simultaneamente, a Fiocruz e a empresa Avion firmaram acordo para produzir insulina, reduzindo a vulnerabilidade diante de crises internacionais.

Outra iniciativa relevante foi a transferência de tecnologia da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Essa doença é a principal causa de bronquiolite em bebês, e a nova vacina promete diminuir drasticamente as internações infantis.

Para garantir que essas conquistas se sustentem, o governo lançou incentivos fiscais e linhas de crédito específicas para startups de biotecnologia, estimulando um ecossistema de pesquisa e desenvolvimento.

  • Vacina contra dengue desenvolvida com o Butantan.
  • Produção nacional de insulina em parceria Fiocruz‑Avion.
  • Transferência de tecnologia da vacina contra VSR.
  • Incentivos a startups de biotecnologia.

Ao refletir sobre a trajetória, Nísia ressaltou que ser a primeira mulher a presidir a Fiocruz (2017‑2022) e a primeira mulher ministra da Saúde (2023‑2025) trouxe desafios adicionais. O machismo institucional ainda persiste, mas a representatividade abriu portas para que mais mulheres assumam cargos de liderança no setor.

Ela enfatizou que a diversidade de gênero nas equipes de decisão é crucial para enfrentar crises sanitárias, pois amplia perspectivas e fortalece a resiliência do sistema. O exemplo de lideranças femininas pode inspirar futuras gerações de profissionais da saúde.

Em conclusão, Nísia Trindade acredita que o Brasil está mais preparado para uma nova pandemia, mas alerta que a preparação exige investimento contínuo, vigilância epidemiológica e fortalecimento da produção nacional de insumos críticos. Ela conclamou a sociedade a apoiar políticas de saúde baseadas em ciência e solidariedade.

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