Na véspera do discurso do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU, o governo de Israel lançou uma ofensiva verbal contra críticos do país, chamando-os de “papagaios” e acusando o organismo internacional de manter um “viés sistemático” contra Israel. O episódio ocorreu na quinta‑feira, 24 de setembro de 2026, em Nova York, antes da intervenção prevista de Netanyahu no plenário da ONU.
Contexto da Assembleia Geral e as críticas ao governo israelense
Durante a sessão anual da Assembleia Geral, líderes de diversas nações utilizam o palco para expressar posições sobre conflitos em curso. No ano corrente, tanto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva quanto o presidente francês Emmanuel Macron dirigiram palavras críticas a Israel, apontando para a situação humanitária na Faixa de Gaza.
Essas intervenções ocorreram em um clima de tensão crescente, já que o conflito entre Israel e o Hamas, iniciado em 2023, se estendeu até 2025, deixando mais de 70 mil mortos e provocando destruição massiva de infraestrutura palestina.
Além de Lula e Macron, outros chefes de Estado, como o primeiro‑ministro do Canadá e o presidente da África do Sul, também manifestaram preocupação com alegações de violações de direitos humanos, alimentando um debate intenso dentro da comunidade internacional.
A campanha de Netanyahu contra a ONU
Em resposta ao que considerou ataques à soberania israelense, o governo de Netanyahu produziu um vídeo gerado por inteligência artificial que exibe papagaios no plenário da ONU repetindo a frase “culpe Israel”. O material foi divulgado nas redes oficiais do governo e acompanhado de um site dedicado a desmentir o que o governo chama de “mentiras” e “viés sistemático” das agências da ONU.
No portal, a equipe de comunicação de Israel acusa a ONU de manipular informações, fabricar acusações de genocídio em Gaza e negar a existência de fome generalizada no território palestino. Também são citados episódios envolvendo funcionários da agência de ajuda humanitária UNRWA e supostas ligações com o Hamas.
- Acusações de viés sistemático nas avaliações da ONU.
- Denúncia de supostas fabricções de crimes de guerra.
- Relembro do escândalo UNRWA‑Hamas.
Além do conteúdo digital, Netanyahu prometeu que, em seu discurso na quinta‑feira, ele “dirá a verdade” sobre as ações das forças israelenses e sobre o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a quem acusou de apoiar o Hamas e incitar ódio contra judeus.
Netanyahu ainda sugeriu que o mandatário de Nova York tentou, nos últimos meses, viabilizar sua prisão por meio de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI), embora o governo dos Estados Unidos tenha rejeitado a solicitação.
Repercussões e reações internacionais
A estratégia de Netanyahu gerou reações mistas. Enquanto alguns aliados, como o governo dos Estados Unidos, mantiveram a postura de apoio à segurança de Israel, outros países e organizações de direitos humanos condenaram a retórica agressiva e o uso de tecnologia de IA para desacreditar críticos.
Organizações não‑governamentais apontaram que a criação de conteúdo com papagaios pode ser vista como uma tentativa de desinformação, violando princípios de comunicação ética em ambientes diplomáticos.
Na esfera interna, a medida foi recebida com apoio por setores conservadores da sociedade israelense, que veem a ONU como um órgão hostil. Por outro lado, grupos progressistas e acadêmicos israelenses alertaram para os riscos de intensificar a polarização e de comprometer o diálogo internacional.
O discurso de Netanyahu, ainda não transcrito, deve abordar a situação de segurança em Gaza, a acusação de genocídio e a suposta manipulação de informações por parte da ONU. Analistas preveem que o discurso será marcado por um tom defensivo, reforçando a narrativa de que Israel está combatendo o terrorismo enquanto enfrenta uma campanha de difamação internacional.
Com a viagem de Netanyahu aos Estados Unidos programada para as próximas horas, a expectativa é que a administração americana continue a apoiar a posição de Israel no Conselho de Segurança, ao mesmo tempo em que pressiona por esforços de mediação que possam reduzir o número de civis afetados pelo conflito.
Em resumo, a ofensiva de Netanyahu contra a ONU representa mais um capítulo na disputa diplomática que envolve narrativas de guerra, direitos humanos e soberania nacional. O desdobramento desses eventos será observado de perto por observadores internacionais, que buscam entender como a retórica e as estratégias de comunicação influenciarão os próximos passos do conflito na região.








