Na manhã da última quarta‑feira, 28 de julho, uma mulher que se apresentava como dentista foi detida em flagrante durante uma fiscalização na clínica odontológica de Piabetá, na Baixada Fluminense.
A ação contou com o apoio da Polícia Civil, das delegacias de Piabetá e Campos Elíseos e do Conselho Regional de Odontologia, que confirmaram a ausência de formação odontológica da suspeita.
Operação e captura
Os agentes da 66ª Delegacia de Polícia de Piabetá e da 60ª Delegacia de Campos Elíseos iniciaram a operação após receberem denúncia anônima sobre atendimentos irregulares na região.
Durante a ronda, os policiais encontraram a mulher preparando o consultório para receber um paciente. Ao ser questionada, ela admitiu que nunca havia cursado odontologia e que sua única experiência era a participação em uma palestra sobre procedimentos dentários.
Com base na confissão e nas evidências encontradas no local, os agentes prenderam a suspeita e a conduziram à delegacia para registro de depoimento.
Como a investigação se desenvolveu
A investigação teve início com trabalhos de inteligência que mapearam clínicas informais em Piabetá. A polícia acompanhou o movimento de pacientes e identificou padrões de agendamento que não correspondiam a estabelecimentos registrados.
Monitoramento eletrônico e entrevistas com moradores da região revelaram que a clínica funcionava sem alvará e que os pacientes eram atraídos por preços abaixo do mercado.
O Conselho Regional de Odontologia foi acionado para validar a inexistência de registro profissional da mulher, confirmando a prática ilegal.
Itens apreendidos e sua importância
Durante a ação, foram recolhidos diversos materiais típicos de um consultório odontológico, embora usados de forma clandestina. A lista inclui:
- Resina composta para restaurações.
- Ácido de ataque para preparo de cavidades.
- Selantes e materiais de proteção.
- Instrumentos clínicos como espelhos e sondas.
- Brocas de polimento e micromotor.
- Aparelho fotopolimerizador para cura de materiais.
Esses itens, embora comuns em clínicas regulamentadas, podem representar risco grave quando manipulados por profissionais sem treinamento adequado.
Consequências legais e riscos à saúde
A mulher foi indiciada pelos crimes de exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica, estelionato e falsa identidade. Cada uma dessas infrações traz penas que podem chegar a quatro anos de reclusão, além de multa.
Além das sanções penais, a prática clandestina coloca em risco a saúde dos pacientes. A falta de conhecimento técnico pode levar a diagnósticos incorretos, procedimentos mal executados e contaminações cruzadas.
Especialistas alertam que o uso de materiais como ácido de ataque sem controle pode causar queimaduras dentais e danos ao tecido gengival, enquanto a aplicação de resina sem preparo adequado pode resultar em restaurações frágeis e necessidade de retratamento.
O caso reforça a importância de verificar a regularidade dos profissionais de saúde antes de iniciar qualquer tratamento. O Conselho Regional de Odontologia recomenda que os pacientes consultem o cadastro online de dentistas habilitados e exijam a apresentação de documentos que comprovem a qualificação.
Com a prisão, a polícia pretende intensificar as fiscalizações em outras áreas da Baixada Fluminense, a fim de coibir práticas semelhantes e proteger a população de serviços de saúde irregulares.
Os órgãos de defesa do consumidor também foram notificados para orientar os moradores sobre como denunciar suspeitas de atendimentos sem licença.








