Mais de cem pessoas alegam ter sofrido lesões cerebrais traumáticas ao participar da montanha‑russa X2, localizada no parque Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, nos últimos dois anos. Os relatos ganharam destaque após dois incidentes graves ocorridos em julho de 2024, que culminaram em cirurgias de emergência e hospitalizações prolongadas. Em resposta, três processos judiciais foram protocolados contra o parque e a fabricante S&S Worldwide, e novas ações devem ser apresentadas nas próximas semanas.
Casos graves que desencadearam as ações judiciais
O primeiro caso de destaque envolveu Pamela Guillen, de 40 anos, que visitou o parque em 5 de julho para celebrar o aniversário de 16 anos da filha. Após completar o percurso da X2, Guillen perdeu a consciência, teve dificuldade para sair do assento e foi levada ao hospital, onde precisou de cirurgia para conter uma hemorragia cerebral. Ela permaneceu em coma por duas semanas, passou um mês internada e ainda apresenta déficits cognitivos que a impedem de dirigir ou trabalhar.
Seis dias depois, Naomi Greer‑Wilkinson, de 25 anos, sofreu um colapso similar ao concluir o mesmo passeio. A jovem foi submetida a cirurgia de emergência e, segundo a ação movida por seus pais, permanece hospitalizada, com consciência reduzida e dependente de ventilação mecânica.
O terceiro processo foi aberto por Michael Wilk, advogado de Los Angeles, que relata ter desenvolvido uma hemorragia intracraniana ao andar na X2 em fevereiro de 2024. Wilk afirma que, além das cirurgias, passou a enfrentar perda de memória, tontura, confusão, dores de cabeça e dificuldades cognitivas que o impediram de exercer sua profissão.
O escritório Dordick Law Corporation, responsável pela representação dos autores, afirma que mais de 100 vítimas já foram aceitas como clientes, apresentando documentação médica que comprova algum grau de lesão cerebral. A banca indica que novos processos serão protocolados nas próximas semanas, ampliando ainda mais o número de reclamações contra a atração.
Reação das autoridades e da Six Flags
Desde 12 de julho, a X2 permanece fechada, um dia após o segundo caso grave. A Cal/OSHA, agência estatal que fiscaliza a segurança dos parques de diversões na Califórnia, iniciou uma investigação formal. Em entrevista ao Los Angeles Times, o órgão destacou que não pode divulgar detalhes enquanto a apuração estiver em curso.
A Six Flags, por sua vez, optou por não comentar especificamente os processos em andamento, reiterando que costuma se abster de declarações públicas sobre litígios. A empresa reforçou que a X2 passa por testes regulares e cumpre os padrões da ASTM, entidade que define critérios de segurança para brinquedos de parques, incluindo limites de aceleração e forças angulares.
Os advogados dos autores contestam a eficácia desses testes, argumentando que a combinação de rotações de 360 graus e forças angulares intensas pode gerar impactos fisiológicos que não são adequadamente avaliados pelos protocolos atuais.
Histórico de incidentes e questões de segurança
Inaugurada em 2002, a X2 é reconhecida como uma das atrações mais intensas da Six Flags Magic Mountain. O veículo atinge velocidade de aproximadamente 122 km/h, inclui uma queda de 66 metros e apresenta manobras conhecidas como “raven turns”, que combinam rotação completa dos assentos com mudanças bruscas de direção.
Além dos casos recentes, a X2 já esteve envolvida em outros processos graves. Em 2022, Christopher Hawley, de 22 anos, morreu um dia após o passeio, apresentando dor de cabeça e dificuldade para caminhar. O legista do condado de Los Angeles classificou a morte como trauma contundente na cabeça causado por um acidente em brinquedo de parque. A família chegou a um acordo confidencial com a Six Flags.
Outros incidentes, embora menos fatais, também foram registrados, como relatos de tontura, náuseas e desorientação logo após o término da atração. Esses episódios reforçam a necessidade de uma revisão aprofundada dos parâmetros de segurança, especialmente em relação às forças G experimentadas pelos passageiros.
Para facilitar a compreensão dos leitores, segue um resumo dos principais fatos:
- Mais de 100 relatos de lesões cerebrais nos últimos dois anos.
- Três processos judiciais apresentados contra Six Flags e S&S Worldwide.
- Incidentes graves em julho de 2024: Pamela Guillen e Naomi Greer‑Wilkinson.
- Investigação em curso pela Cal/OSHA.
- Histórico de fatalidades, incluindo a morte de Christopher Hawley em 2022.
Especialistas em biomecânica apontam que as forças de aceleração e desaceleração em montanhas‑russas como a X2 podem gerar tensões significativas na região cervical e cerebral, especialmente quando combinadas com rotações completas. A literatura científica recomenda monitoramento contínuo de parâmetros como g‑force máximo, tempo de exposição e direção das forças para minimizar riscos de lesões traumáticas.
Enquanto a investigação prossegue, a comunidade de parques de diversões acompanha de perto o caso, temendo que um precedente judicial possa impactar a operação de atrações semelhantes nos Estados Unidos e no mundo. A Six Flags ainda não informou se pretende modificar a X2 ou adotar medidas adicionais de segurança antes de autorizar seu retorno ao público.
Para os visitantes, a recomendação dos advogados é que, caso apresentem sintomas como dor de cabeça persistente, tontura, perda de memória ou alterações de humor após o passeio, procurem atendimento médico imediato e considerem registrar o incidente para possíveis ações legais.
O caso da X2 destaca a importância de equilibrar a busca por emoções intensas com a responsabilidade de garantir a saúde e a segurança dos usuários. À medida que novas informações surgirem, a expectativa é que as autoridades e a própria Six Flags adotem medidas corretivas que possam prevenir novos episódios e restaurar a confiança do público nas atrações de alta adrenalina.








