Em 4 de novembro de 2024, durante a World Travel Market em Londres, o ministro do Turismo do Brasil, Gustavo Feliciano, se encontrou com o secretário de Turismo de Portugal, Pedro Machado, para discutir a expansão de rotas aéreas entre os dois países. O objetivo principal da reunião foi propor novos voos diretos que não circulem apenas pelos grandes hubs Rio de Janeiro‑São Paulo, ampliando a conectividade para outras regiões brasileiras.
Cenário atual da conectividade Brasil‑Portugal
Até o momento, a oferta de voos entre Brasil e Portugal concentra‑se em torno de 115 operações semanais, todas partindo ou chegando nos aeroportos de Rio de Janeiro e São Paulo. Essa concentração limita o acesso de turistas que desejam visitar destinos como Nordeste, Sul ou Centro‑Oeste, que têm potencial de crescimento significativo.
Os números recentes reforçam a necessidade de diversificar as rotas. Entre janeiro e setembro de 2024, o fluxo de passageiros portugueses para o Brasil aumentou 21,3%, totalizando mais de 216 mil viajantes. Esse crescimento supera a média dos últimos três anos e indica um interesse crescente em destinos fora dos grandes centros urbanos.
Além disso, companhias aéreas de baixo custo têm demonstrado interesse em operar em aeroportos regionais, o que poderia reduzir tarifas e tornar o turismo mais acessível. O Ministério do Turismo tem estudado incentivos fiscais e facilidades operacionais para atrair essas empresas.
Objetivos da reunião em Londres e propostas de novos voos
A conversa entre Feliciano e Machado girou em torno de três linhas de ação principais: aumentar a frequência de voos existentes, abrir novas rotas diretas para cidades brasileiras de médio e grande porte, e criar acordos de code‑share que permitam conexões mais fluídas.
Entre as cidades citadas como potenciais destinos de partida em Portugal estão Lisboa e Porto, enquanto no Brasil foram sugeridos Recife, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Cada uma dessas rotas poderia operar com uma frequência mínima de duas vezes por semana, o que já seria suficiente para gerar demanda sustentável.
- Recife‑Lisboa: foco em turismo cultural e de negócios.
- Salvador‑Porto: valorização do patrimônio histórico afro‑brasileiro.
- Fortaleza‑Lisboa: impulsionamento do turismo de sol e praia.
- Belo Horizonte‑Porto: atração de viajantes interessados em gastronomia e arte.
- Curitiba‑Lisboa: conexão com o polo industrial e de tecnologia.
- Porto Alegre‑Porto: abertura para o Sul do Brasil, com foco em vinhos e cultura gaúcha.
O ministro também destacou a importância de simplificar processos de vistos e autorizações de voo, reduzindo burocracias que ainda encarecem a operação de novas rotas. A proposta inclui a criação de um “hub de facilitação” entre os dois governos, que atuaria como ponto único de contato para companhias aéreas.
Impactos da Copa do Mundo Feminina e oportunidades para o setor aéreo
A Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será realizada no Brasil em 2025, surge como um catalisador para a expansão da malha aérea. O evento, que terá partidas distribuídas em oito estados, exigirá um aumento significativo de voos internacionais para acomodar equipes, imprensa, torcedores e turistas.
Mesmo antes da primeira partida, a expectativa de demanda já está mobilizando investidores e autoridades. Estudos preliminares apontam que a Copa pode gerar um aumento de até 15% no número de chegadas de passageiros estrangeiros durante o período do torneio.
Para as companhias aéreas, isso representa uma oportunidade de testar novas rotas em caráter temporário, que podem se tornar permanentes se a ocupação se mantiver acima de 70% nos voos de teste. O Ministério do Turismo está preparado para oferecer tarifas de aterrissagem reduzidas e slots de horário favoráveis nos aeroportos regionais.
Além dos benefícios econômicos diretos, a visibilidade internacional proporcionada pela Copa pode reforçar a imagem do Brasil como destino seguro e diversificado, atraindo viajantes de longo prazo que buscam mais do que os tradicionais pacotes de sol e carnaval.
Desafios e próximos passos
Apesar do entusiasmo, a ampliação de rotas enfrenta obstáculos como a necessidade de investimentos em infraestrutura aeroportuária, especialmente em cidades que ainda não contam com terminais capazes de receber aeronaves de longo alcance.
O governo brasileiro já anunciou um plano de modernização de aeroportos regionais, que inclui a ampliação de pistas, melhorias em sistemas de navegação e a implantação de áreas de embarque e desembarque adequadas para voos internacionais.
Outra barreira importante é a competição com outras regiões da Europa que também buscam captar o mercado latino‑americano. Portugal, no entanto, tem vantagem histórica e linguística que pode ser explorada em campanhas de marketing conjunto.
Nos próximos meses, Feliciano e Machado pretendem formalizar um memorando de entendimento que detalhe as metas de frequência, os incentivos fiscais e os prazos para a implementação das novas rotas. A expectativa é que os primeiros voos fora do eixo Rio‑São Paulo iniciem as operações ainda no segundo semestre de 2025, alinhados ao calendário da Copa Feminina.
Em resumo, a estratégia de ampliar a conectividade aérea entre Brasil e Portugal busca não apenas atender à crescente demanda de turistas portugueses, mas também posicionar o Brasil como um hub de referência para viajantes europeus que desejam explorar todo o território nacional. A combinação de eventos esportivos de grande porte, incentivos governamentais e interesse de companhias aéreas pode transformar o cenário do turismo internacional nos próximos anos.








